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Novelas Inesquecíveis – O Rebu (1974)

A  versão original do próximo remake da Globo


        Bem  antes das inovações apresentadas em Além do Horizonte e Meu Pedacinho de Chão, últimas novelas que  trouxeram  uma narrativa ou trama diferente das espinha dorsal de uma tradicional novela, há quase 40 anos  a Globo apresentou no horário das dez a novela O Rebu, trama do autor Bráulio Pedro, dirigida por Walther Avancini e Jardel Filho.
         A Novela chocou os telespectadores pela inédita narrativa. Toda a trama contada em 112 capítulos se passava em 24 horas : Durante a realização da festa e o dia seguinte onde se instaurava a investigação criminal  para descobrir o assassino e o assassinado.


        As cenas eram apresentadas sem ordem cronológica,  fora da sequencia, nos fazendo pensar que qualquer um poderia ser o assassino e a vítima. A única coisa que os telespectadores sabiam era que havia um corpo boiando na piscina, assassinado durante  a festa. Ninguém sabia quem era ou por qual  motivo ocorrera o crime.


        A Novela começa em uma bela mansão no Alto da Boa Vista, no Rio de Janeiro, onde o banqueiro Conrad Mahler (Ziembinski) organiza uma festa para recepcionar a princesa italiana Olympia Boncompagni (Marília Branco). Ao amanhecer, os convidados descobrem um cadáver boiando, de bruços, na piscina. Entre os 24 convidados – todos suspeitos, assim como o próprio anfitrião –, estão Boneco (Lima Duarte), ladrão paulista que encontra o convite da festa durante um assalto e se faz passar por um industrial italiano para roubar o banqueiro; o milionário Braga (José Lewgoy) e sua esposa, Lídia (Arlete Salles); e Laio (Carlos Vereza), industrial autista casado com Maria Helena (Maria Cláudia).
        Ao levar em consideração o corpo que boiou por vários capítulos na mansão da trama, uma das certezas do mistério era que o assassinado seria um homem, devido o corte de cabelo e as roubas, porém estrategicamente o autor mostrou em uma das  cenas de flashbacks um momento da trama em que a maioria das mulheres participavam de uma brincadeira onde cortavam os cabelos e  se vestiam  com roupas masculinas.


        Como em todas as épocas sempre houve críticos que adoram achar defeitos nas tramas, em  O Rebu não foi diferente.  A novela se passava em um jantar oferecido a uma princesa, e as regras de etiqueta e protocolo  tinham que ser perfeitas. Para isso a emissora contratou as consultoras de arte Tiza Oliveira e Lila Bertazzi. Mas elas não escaparam de críticas de famosos colunistas  sociais da época , como Zózimo do Amaral e Ibrahim Sued.    


        Ziembinski  viveu um dos seus melhores momentos na Tv, numa caracterização perfeita do Banqueiro Conrad Mahler. O Ator foi  muito elogiado pela crítica especializada. O Rebu foi a última novela do ator  que viria a morrer em outubro de 1978. Na trama são inesquecíveis as cenas dele com Lima Duarte que vivia o  assaltante Boneco. Conrad depois de perceber que  ele se tratara de um penetra e um farsante em sua festa, começa a lhe fazer perguntas sobre a alta sociedade com o intuito de vê-lo  em apuros tentando responder sem se entregar.
        A Trama de O Rebu  é considerada a primeira novela a mostrar uma relação homossexual entre dois homens. Apesar de velada e transformada em uma “adoção” , a relação entre Conrad Mahler e Cauê (Buza Ferraz) deixava claro o relacionamento  muito além do sentimento de pai e filho.

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        Inclusive a revelação do grande mistério da trama envolve essa trama homossexual.  No capítulo 50 em uma tomada submarina é mostrado  a face do corpo que boiava na piscina.  A  vítima era Silvia, personagem da Bete Mendes. No final descobrimos  a identidade e o motivo do assassinato. O próprio Conrad Mahler matara Silvia jogando-a do segundo andar da casa e depois  na piscina, por ciúmes da relação dela com   Cauê, seu “protegido”.

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        A Trilha sonora da novela é considerada CULT por ter a maioria das faixas composta pela jovem dupla Paulo Coelho e Raul Seixas.  Uma das músicas compostas pela dupla foi impedida pela censura de entrar na trilha, que pediu  a mudança de alguns versos. A Alteração foi feita, porém não houve tempo da música integrar  trilha,  mas entrou na trama mesmo assim.
        O Rebu marcou a estreia na Globo das atrizes Bete Mendes, Tereza Rachel e Isabel Ribeiro.    

        O Filme Crepúsculo dos Deuses (Sunset Boulevard) dirigido por Billy Wilder é lembrado na primeira sequencia da trama, onde um corpo boia na piscina dando início a toda a história.


        Uma novidade que foi muito bem aceita pelo público que transformou sua curiosidade pela trama em uma ótima audiência, e o autor Bráulio Pedroso viu se repetir em O Rebu o mesmo sucesso  que  havia alcançado com Beto Rockfeller , Na Tupi em 1978. A trama dividida em três fases: O Presente (a investigação do crime); O Tempo da festa ( o mais atuante) e o Passado (com as informações sobre cada convidado da festa, sua vida particular e os problemas que haviam levado para recepção), aguçou o interesse do público que se esforçou para entender o tempo , ou “os tempos” da trama para não se perder.
        Falamos hoje  muito sobre as inovações das novelas , mas se levarmos em consideração os quase 40 anos  que O Rebu vai completar em novembro próximo, vemos que isso já vem de longe.  A trama subvertia o estilo formado das telenovelas da época e nem por isso foi rejeitada, muito pelo contrário, a trama policial ,  principal foco da novela, foi abraçada pelo público de uma maneira surpreendente.  O que prova que o que afasta o público de uma novela não é uma novidade  ou mudança mostrada em  sua forma de contar, e sim a maneira que isso é inserido no folhetim.

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        O Rebu vai ganhar um remake este ano que estreia em meados de Julho na Globo, com Patrícia Pillar, Sophie Charlotte, Tony Ramos , Daniel de Oliveira entre outros no elenco.


Ficha Técnica :
Novela do Autor Bráulio Pedroso
Direção Geral : Walter Avancini e Jardel Filho
Exibição : 04 de Novembro de 1974 à 11 de Abril de 1975
Capítulos : 112

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Fonte :
Texto : Evaldiano de Sousa
Pesquisa : teledramaturgia.com, memóriaglobo.com e Wikipédia.com

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