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Grandes Minisséries – Anos Rebeldes (1992)



        Os jovens com muita garra saem às ruas pedindo melhorias para o Brasil e até um novo presidente! Calma o post de hoje não vai falar das manifestações ocorridas há duas semanas em praticamente todo o Brasil , e nem sobre o impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello, o post de hoje vai falar sobre Anos Rebeldes,  uma das minisséries mais marcantes da história da Globo e da obra do autor Gilberto Braga.

        Não poderia escolher  um melhor momento para falar sobre  essa minissérie no blog. Gilberto Braga  se inspirou nos livros 1968 – O Ano que não Terminou, da Zuenir Ventura e Os Carbonários do Alfredo Sirks  para contar a história de João Alfredo (Cássio Gabus Mendes) e Maria Lúcia (Malu Mader) e a trajetória de um grupo de colegas do tradicional Colégio Pedro II, desde 1964, quando se formam e se instala no Brasil o regime de ditadura, até 1985, altura em que a política governamental terá já influenciado definitivamente os seus destinos.


Maria Lúcia é uma jovem individualista, traumatizada com a história do pai, Orlando Damasceno (Geraldo Del Rey), um jornalista conhecido e membro do Partido Comunista, que sempre colocou seus ideais acima da realização pessoal. Quando ela conhece João Alfredo, percebe que ele tem o mesmo perfil do pai e tem medo de se entregar à paixão. João, por sua vez, é um jovem de classe média  extremamente preocupado com as questões sociais do país. Ao se apaixonar por Maria Lúcia, ele fica dividido entre o relacionamento afetivo e a militância política.


O melhor amigo de João, Edgar (Marcelo Serrado), também se apaixona por Maria Lúcia e passa a disputar o amor da jovem com João Alfredo. Com o perfil oposto ao do amigo, Edgar não se envolve com as questões sociais do país, preferindo investir na profissão e na felicidade pessoal.


        A Minissérie acabou se tornando clássica além da bela história criada por Gilberto Braga e os nebulosos anos de  chumbo, a impecável reconstituição de época e um elenco sintonizadíssimo, mas  também pela irônica coincidência da sua exibição. A trama entrou no ar exatamente quando o Brasil sofria com a grande decepção que havia virado o primeiro presidente eleito por voto direto, e os jovens foram às ruas pedir o impeachment do Presidente Collor, tal qual aconteceu na minissérie que pedia o fim da ditadura militar. Os protestos surtiram efeito  e o presidente foi deposto em 29 de setembro de 1992, um mês depois do término da minissérie.  

Mas curioso ainda é que na sua segunda reprise  no Canal Viva a exibição da minissérie coincidiu com os protestos estudantis pelo Brasil inteiro pedindo o fim da corrupção que ficou conhecida como a “Revolta do Vinagre”.


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              Cássio Gabus Mendes, Malu Mader, Marcelo Serrado e Cláudia Abreu foram impecáveis na pele de seus personagens. Sem dúvidas a minissérie foi um marco para a carreira de cada um deles. 


Duas cenas marcaram a minissérie:


·        A Conversa franca entre João Alfredo e Edgar, depois de se declararem apaixonados por Maria Lúcia. Os dois jogam os sentimentos um na cara do outro , mas terminam selando a eterna amizade que sempre existiu entre eles.
·        A Morte da Heloísa, baleada no último capítulo quando tentava fugir do país. Alias, a Claudia Abreu interpretou a personagem que mais sofre transformação na minissérie  e a atriz soube fazer com uma maestria   nos brindando com essa cena final emblemática e a marca registrada de Anos Rebeldes.


Alguns personagens da minissérie foram inspirados em personagens da vida real, como Tetê Medina  retratada no Avelar (Kadu Moliterno), apesar dela nunca ter dito que usou o telex e mala diplomática para denunciar para imprensa internacional o desmandos da ditadura. O Editor Queiroz, vivido pelo saudoso Carlos Zara foi inspirado em Ênio Silveira da Civilização Brasileira, e o protagonista João Alfredo, apesar do autor não confirmar, tem um livre inspiração no deputado Alfredo Sirkis.

Outro ponto marcante de Anos Rebeldes eram os semidocumentários apresentados nas passagem de tempo que misturavam imagens reais dos anos de chumbo com cenas em preto e branco da minissérie. Em uma delas foi possível ver João Alfredo, Maria Lúcia, Edgar e outros personagens mesclados com os manifestantes reais da época. Os semidocumentários foram feitos pelo cineasta Silvio Tendler que foi muito elogiado pela imprensa na época.


       
Pedro Cardoso interpretou na minissérie o carismático Galeno Quintanilha. O Autor Gilberto Braga usou o personagem para narrar um fato ocorrido com ele na época em que escrevia a novela Escrava Isaura (1976). Depois de muitas profissões, Galeno ingressa pelo ramo de escrever novelas e durante a minissérie  ela sofria com a censura ao tentar escrever uma trama com cunho abolicionista como tema. Galeno teve que ir a uma reunião com uma censora em Brasília para liberação da  novela, tal qual acontecera mesmo com Gilberto Braga.


A Minissérie foi premiada pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) e Claudia Abreu o de melhor atriz  no ano de 1992.


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Parece clichê, mas quase 23 anos depois a minissérie é mais do que atual, e sempre será uma grande incentivadora da luta  por um Brasil melhor. Apesar de nunca ter sido engajado politicamente assistir Anos Rebeldes me fez  rever pensamentos e posições e acho impossível assistir a minissérie atemporal e não ser tocado.

Alegria, Alegria e viva a minissérie clássica e antológica Anos Rebeldes !

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Ficha Técnica :
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Minissérie do autor Gilberto Braga
Direção Geral do Denis Carvalho
Elenco:
Cássio Gabus Mendes, Malu Mader, Cláudia Abreu, Marcelo Serrado, Pedro Cardoso, José Wilker, Betty Lago, Kadu Moliterno, Geraldo Del Rey, Bete Mendes, Ivan Candido, Norma Blum, Gianfrancesco Guarnieri, Déborah Evelyn, Rubens Caribé, Mila Moreira, Carlos Zara, Maria Lúcia Dahl, André Pimental, Tuca Andrada, Marcelo Novaes, Malu Galli, Tales Pan Chacon, Denise Del Vecchio, Georgia Gomide, Teresinha Sodré, Sonia Clara, Roberto Pirillo, Fátima Freire, Francisco Milani, Castro Gonzaga, Stepan Nercessian, Stela Freitas, Yaçana Martins, Bemvindo Siqueira, Nildo Parente Enrique Diaz, Cininha de Paula, Susana Vieira entre outros.
Exibição: 14 de Julho a 14 de Agosto de 1992
Capítulos: 20


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Fonte:
Texto : Evaldiano de Sousa

Pesquisa : teledramaturgia.com , memóriaglobo.com , Wikipédia.com 

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