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“Assédio” é um passo importante para a teledramaturgia nacional




        O  verbo  “causar” é digamos o melhor empregado sobre a produção. Impossível ficar inerte ao assistir as cenas tão grotescas e revoltantes que a minissérie retrata com tamanha realidade. A direção não poupou em nenhum momento o telespectador, e talvez por isso não tenha prejudicado o andamento da história,  que pede essa realidade e a  falta de pinceladas de imaginação. É tudo bem explícito.
        A  obra é escrita por Maria Camargo e dirigida por Amora Mautner, é a primeira original da Globo a entrar no seu catálogo de streaming,  plataforma tal qual a Netflix, que a emissora tenta emplacar como empresa do grupo.
        A minissérie Assédio, já totalmente disponível com  seus 10 episódios no GloboPlay mostra um amadurecimento da teledramaturgia global que pela primeira vez apresenta uma história polêmica, com o principal protagonista ainda vivo sem se preocupar com as ramificações que isso possa causar.

        O elenco recheado de estrelas é sem dúvidas o principal trunfo de Assédio. Atrizes totalmente entregues às suas personagens   são o diferencial do produto. Nesse primeiro episódio destaque para a sempre perfeita Adriana Esteves. Ela dar vida a Stela, que intitula o  episódio, e numa interpretação  ímpar  mostra mais uma vez a grande estrela que é. Impossível não se emocionar ou sentir a dor da sua personagem ao ver seu grande sonho de ser mãe ser transformado em uma tragédia sem precedentes.

        No elenco feminino vale destacar ainda as atuações de Paolla Oliveira(Carolina), Jéssica Ellen (Daiane) e  Elisa Volpatto,  que vive a repórter Mira, responsável pela união das mulheres na denúncia ao médico, uma cara pouco conhecida da TV aberta. Antes Elisa só havia feito participação no seriado Doce de Mãe (2012 e 2014).
           Mariana Lima, que na trama interpreta a Senhora Glória Sadala, esposa de Roger, vive uma drama à parte dentro da minissérie. Além de ter que engolir calada todas as traições e crimes sexuais do marido, acompanha isso tendo que   curar-se de um câncer. A Caracterização e interpretação da atriz nas várias fases da doença é impressionante, e isso tudo além de protagonizar uma nudez frontal inesquecível e contextual (não sei se a tv aberta vai mostrar essa sequência).

        Mas o dono da minissérie  é  incontestavelmente Antônio Calloni. Que trabalho impecável do ator à frente do Roger Sadala,  o Doutor Vida. Uma interpretação visceral e sob medida de um personagem complexo, controverso e com um viés difícil, que poderia facilmente cair numa caricatura. Mas o Calloni fez com uma propriedade que merece aplausos de pé.

      Assédio é uma minissérie forte, incômoda e  sombria,  porém muito importante como cunho social e um passo importante para a teledramaturgia nacional.

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Fonte:
Texto : Evaldiano de Sousa

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