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Nossos Autores – Aguinaldo Silva


        Um dos mais polêmicos  novelistas nacionais e o único a  ter suas novelas apresentadas todas no horário nobre da Globo, Aguinaldo Silva será o homenageado  do post de hoje.
        O Autor se prepara para voltar ao horário nobre  da emissora  retornando  a escrever uma novela marcada pelo “realismo fantástico” ,  o estilo que lhe consagrou em seus primeiro grandes sucessos teledramaturgos.

        Escritor, roteirista, dramaturgo, jornalista, cineasta e dramaturgo brasileiro, Aguinaldo Silva escreveu seu primeiro romance ainda na adolescência, quando trabalhava em um Cartório na cidade do Recife. O romance Redenção para Job, acabou gerando polêmica  com  rumores de que a autoria real era do jornalista Newton Rodrigues, à época editor da primeira página do Jornal do Commércio.
        Aguinaldo Silva foi repórter em jornais de renome como o Última Hora Nordeste ; O Globo e O Lampião , um tabloide semanal reconhecido como o primeiro jornal gay editado no país.

        Sua experiência na imprensa policial lhe rendeu um convite para ser um dos roteiristas do seriado global Plantão de Polícia (1979). O Seriado que contava a história  de Waldomiro Pena (Hugo Carvana),  um jornalista policial,  foi um dos grandes sucessos daquele ano, credenciando o autor na emissora.


        Em 1982, em parceira com Doc Comparato escreveu  a primeira minissérie brasileira global, Lampião e Maria Bonita, que contava a história do rei do cangaço. A minissérie foi muita elogiada  e seus autores agraciados com o prêmio de Revelação do ano pela  APCA.  A dupla ainda escreveu mais duas minisséries: Bandidos da Falange (1983) e Padre Cícero (1984).

        A Primeira novela do autor foi  Partido Alto, em parceria com a Glória Perez.  A falta de sintonia entre os autores deixou a trama confusa  e a novela acabou sendo rejeitada pelo público que se perdeu pela quantidade de personagens e histórias. Aguinaldo Silva abandonou  a trama ainda na metade deixando Glória Perez finalizar o projeto.
        Em 1985, o autor voltou às  minisséries  com a envolvente adaptação do livro Tenda dos Milagres , do autor Jorge Amado.
Regina Duarte e Lima Duarte em Roque Santeiro, 1985. TV GloboJosé Wilker em Roque Santeiro, 1985. TV GloboArmando Bógus em Roque Santeiro, 1985. TV Globo
        No mesmo ano de 1985, Aguinaldo Silva iniciou uma nova parceira em novelas, desta vez no sucesso arrebatador Roque Santeiro, do autor Dias Gomes. Muitos creditam à Aguinaldo Silva os capítulos de maior audiência da novela que marcou a história da teledramaturgia nacional.  Outra parceira de sucesso do Aguinaldo foi na trama de Vale Tudo (1988)  com Gilberto Braga. Outro grande sucesso da teledramaturgia que teve a colaboração  do autor. Entre Roque Santeiro e Vale Tudo , o autor escreveu em 1987, a trama de O Outro, com Francisco Cuoco como protagonista.

        O talento de Aguinaldo Silva já era reconhecido no meio da teledramaturgia mas sem dúvidas o seu primeiro grande sucesso foi Tieta (1989), a novela inspirada no romance Tieta do Agreste , do autor Jorge Amado. A novela proporcionou  momentos memoráveis, hilários e inesquecíveis com Betty Faria de protagonista.

        Aguinaldo Silva se firmava de vez como grande autor de novelas com  uma sucessão de sucessos na década de 90 como a minissérie Riacho Doce (1990); as novelas que marcariam de vez seu estilo “realismo Fantástico” Pedra sobre Pedra (1992),  Fera Ferida (1993) e  A Indomada (1997).


        Em 1999, Aguinaldo Silva resolveu sair da sua zona de conforto e escreveu sua primeira novela solo sem o estilo regional e o realismo fantástico. Era a trama de Suave Veneno, que contava a história do imperador do Mármore Valdomiro Cerqueira, vivido pelo saudoso José Wilker. A trama teve altos e baixos e em 2001 o autor voltou para as tramas regionais com Porto dos Milagres. Porém em 2004,   saiu novamente do seu estilo e desta vez encontrou o sucesso absoluto com a trama de Senhora do Destino, protagonizada por Susana Vieira e Renata Sorrah. A novela é um dos grandes sucessos do horário dos anos 2000  e marcou de vez a mudança do estilo do autor.

        Na década de 2000, o autor ainda escreveu Duas Caras (2007)  que discutiu assuntos polêmicos como racismo, violência, luta de classes, drogas , homossexualidade e especulação imobiliária em pleno horário nobre. A novela teve grandes personagens  como o Juvenal Atena do Antônio Fagundes e o Evilásio do Lázaro Ramos.

        Aguinaldo Silva fechou os anos 2000 com a minissérie Cinquentinha, protagonizada por um quarteto de estrelas : Susana Vieira, Marília Pêra, Betty Lago e Maria Padilha. A Minissérie rendeu uma spin-off em 2011,  Lara com Z  protagonizada pela Susana Vieira.
        Em 2010, Aguinaldo Silva supervisionou a novela Laços de Sangue, a primeira parceira da Globo com a tv portuguesa SIC. A Novela do autor Pedro Lopes,  foi a vencedora do Emmy Internacional de melhor novela do ano de 2011.

        Fina Estampa (2011) ,  foi a trama do autor que discutia  a aparência versus o caráter numa guerra entre as duas protagonistas Griselda e Tereza Cristina, vividas pela Lilia Cabral e Christiane Torloni. A novela se transformou em um grande sucesso popular e foi a novela de maior audiência dos últimos cinco anos no horário até então.

        Com referências à trama de Suave Veneno, Aguinaldo Silva apresentou a novela  Império em 2014.  A novela,  outro sucesso arrebatador do  autor,  foi agraciada com o Emmy Internacional de Melhor novela do ano de 2015, A trama que contou a saga do Comendador Jose Alfredo, num trabalho impecável do Alexandre Nero, dividiu opiniões  com um público cativo que adorava assistir e outros que assistiam apenas para falar mal. Mas enfim, quando a trama ganhou o Emmy acabou se transformando em sucesso absoluto e credenciando o autor na fila de sucessão do horário.

        A próxima trama do autor , que vai marcar à sua volta ao regionalismo e ao realismo fantástico já está em fase de produção. A trama que terá dez protagonistas, segundo informações do próprio , foi idealizada  por um grupo de autores estreantes do projeto Master Class da Casa de criação do autor. O projeto ainda corre em segredo de estado e  já é muito esperada.  Afinal é do autor a última novela do horário considerada sucesso. Foi depois da trama de Império (2014) que  a Globo apresentou Babilônia (2015), do Gilberto Braga e A Regra do Jogo (2015), do João Emanuel Carneiro, ambas marcadas pela rejeição do público e a fraca audiência.
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        Aguinaldo Silva é um autor ímpar e um dos únicos da sua geração que vem se firmando nesse novo padrão do folhetim nacional. As tramas do autor ainda não passaram por essa nova fase de rejeição junto ao público da era da internet que fez  com que grandes autores consagrados em sucesso e clássicos apresentem tramas consideradas fracassos de crítica e audiência.  Aguinaldo soube usar a rejeição inicial de Suave Veneno (1999) à seu favor, tanto que reapresentou a espinha dorsal da trama em 2015  com Império, e desta vez marcada pelo sucesso.
        Mesmo adorando as tramas mais realistas do Aguinaldo Silva, confesso que as que marcaram a década de 90 são as minhas preferidas. Saber que ele voltará às origens em seu próximo trabalho foi a melhor notícia do ano. Mal posso esperar chegar  2017  e já sinto cheiro de sucesso à vista.

Fonte :
Texto : Evaldiano de Sousa
Pesquisa : Wikipédia.com, memoriaglobo.com

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