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Novelas Inesquecíveis - O Espantalho (1977)



        A Seção desta semana vai relembrar mais um trabalho da   IvaniRibeiro , que já fez quarenta anos  e foi a primeira novela produzida pelos Estúdios Silvio Santos, quando este inaugurou a TVS no Rio de Janeiro , canal 11, mas O Espantalho é mais lembrada por  ter sua história revitalizada  na trama de Mulheres de Areia. A autora juntou suas duas novelas   para escrever o remake de 1993.

        Como as emissoras ainda não tinham uma rede nacional  oficial, O Espantalho acabou sendo exibida em dois horários 21 e 23 horas   e passou por três emissoras Record,  Tupi e TVS,  e na verdade só foi apresentada por completa  em rede nacional (em um compacto de 60 capítulos ) na Rede Tupi em 1979.

        A Trama se passava em Guaianá, uma pequena cidade litorânea, a interdição das praias, devido ao alto índice de poluição das águas, causa conflito com o responsável pelo turismo local. É a luta da integridade do prefeito Breno (Fábio Cardoso) com Rafael (Jardel Filho), o vice-prefeito, dono do maior hotel da cidade e o principal interessado na liberação dos banhos de mar, pois só assim se garante o turismo na região.

Ao lado do prefeito, e contra a poluição e o deszelo com a saúde pública, está a esfuziante Tônia (Thereza Amayo), comerciante local preocupada com seu povo; e o Dr. Munhoz (Hélio Souto) , um médico humanista que nutre um amor platônico por Tônia, apesar dela namorar Juca (Rolando Bodrin)  e os dois viverem uma relação tempestuosa por causa do ciúme.
Mas Breno, Tônia e o Dr. Munhoz têm que enfrentar as artimanhas do autoritário Rafael, que faz de tudo para impedir a interdição das praias. A princípio, Rafael finge ser solidário com a causa do prefeito, mas está por trás de uma verdadeira campanha contra Breno, acusando-o de impedir o progresso da cidade. Coloca espantalhos pelas praias interditadas, os quais representam o prefeito que afugenta os turistas.
Além dos espantalhos, Rafael usa como arma um segredo que revela o passado misterioso de Geni (Ester Góes), a bela mulher do prefeito. Rafael promete desmascará-la perante o marido caso ela não o influencie a favor da liberação das praias. Geni passa então a demonstrar-se contra as decisões de Breno, o que acaba por comprometer o seu casamento.

Rafael consegue finalmente a renúncia de Breno e assume a prefeitura. No entanto, à essa altura, ele descobre ter um aneurisma cerebral, o que o aproximava da morte. Dando mostras de desequilíbrio mental, Rafael começa a ter alucinações e vê espantalhos em seus pesadelos. Sabendo disso, Vasco (Régis Monteiro), um funcionário que o odeia, veste-se de espantalho e começa a assombrá-lo.
Numa noite, Rafael resolve dormir na praia para matar a “assombração”. Mas acaba assassinado. Quem cometeu o homicídio foi Zé Pedro (Walther Stuart), o pai de Tônia. No início, Zé Pedro apoiava as atitudes de Rafael, mas arrependeu-se quando perdeu seu caçula, Reginho (Walter Magalhães), morto por contrair hepatite. Em defesa de Tônia e para vingar-se, Zé Pedro matou Rafael.

A História foi reutilizada com maestria pela autora em Mulheres de Areia (1993) envolvendo os personagens vividos pela RaulCortez, Daniel Dantas e Andreia Beltrão , que correspondiam ao vilão vice prefeito, o prefeito Breno e Tônia da versão original.
A Novela teve uma produção requintada porém alguns ajustes necessários acabaram tirando a credibilidade da história e a entrega de alguns atores a seus personagens que ficava nítido no vídeo.
Mas  a temática de denúncia de praias poluídas foi pertinente e abriu várias opções para que Ivani Ribeiro pudesse criar  novos entrechos.
O Assassinato do vilão Rafael (Jardel Filho) movimentou a reta final da novela. Vasco (Régis Monteiro), o inseguro funcionário do hotel de Rafael assumiu o assassinato, porém depois é revelado que o assassino era Zé Pedro (Walter Stuart), que responsabilizava Rafael pela morte de seu filho caçula, Reginho (Walter Magalhães) intoxicado pelas águas da praia.  Em Mulheres de Areia ,  a autora manteve o mistério mas mudou o desfecho : Virgílio, personagem do Raul Cortez que correspondia ao Rafael de O Espantalho,  morre de susto – vítima de  infarto fulminante ao se deparar com um espantalho. O Espantalho era Tônia (Andréia Beltrão) que passou a atormentá-lo depois da morte de seu irmão também infectado pelas mar poluído.
Interessante, porém mal sucedida O Espantalho foi uma novela muito injustiçada pela  produção espedaçada que a TVS recém inaugurada  lhe dedicou. Era uma história que poderia render e dar à trama status de “novelão”,  basta vermos o sucesso que foi quando apresentada somada a espinha dorsal de Mulheres de Areia no remake de 1993.
Ficha Técnica:
Novela da Autora Ivani Ribeiro
Direção Geral: Luciano Galegari
Elenco:
JARDEL FILHO – Rafael Nascimento
NATHÁLIA TIMBERG – Corina
FÁBIO CARDOSO – Breno
ESTER GÓES – Geni
THERESA AMAYO – Tônia
ROLANDO BOLDRIN – Juca
HÉLIO SOUTO – Dr. Munhoz
CARLOS ALBERTO RICCELLI – Ney
CARMEM MONEGAL – Zilá
EDUARDO TORNAGHI – Dirceu
RENY DE OLIVEIRA – Andréia
WÁLTER STUART – Zé Pedro
WANDA KOSMO – Manuela
GUILHERME CORRÊA – Afrânio
LÉA CAMARGO – Santusa
SUZY CAMACHO – Laurita
JOÃO SIGNORELLI – Odilon
NEWTON PRADO – Mathias
ROBERTO MAYA – Padre Vicente
PERCY AIRES – Delegado Sampaio
IVANICE SENNA – Elza
LEONOR LAMBERTINI – Madrinha
RIVA NIMITZ – Zezé
MIDORE TANGE – Shizuo
RÉGIS MONTEIRO – Vasco
ARNALDO WEISS – Ataliba
ALEXANDRE SANDRINI – Quico
MARTA VOLPIANI – Verinha
ROBERTO MURTINHO – Chicão
LÍDIA COSTA – Dona Celeste
JEREMIAS SANTOS – Sabiá
GERALDO LOUZANO – Jairo
AUGUSTO POMPEO – Moacir
MARTHUS MATHIAS – Tobias
MARILENE DE CARVALHO – Leonor
MARIA HELENA PINTO – Rosa
o menino
WÁLTER MAGALHÃES – Reginho
e
MARLENE MARQUES – namorada de Dirceu
ANDRÉ LOUREIRO – médico
Exibição: 25 de Janeiro a Junho de 1977
Capítulos: 119
Fonte:
Texto: Evaldiano de Sousa

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