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Trilha Sonora Eterna – Água Viva Nacional (1980)



        A Ensolarada Água Viva, do autor Gilberto Braga, anunciava o verão do início da  década de 80 com uma trama quente e com ambientações à beira mar,  que marcaram em nossa memória a passagem entre as décadas.
        Gilberto Braga vinha do arrebatador sucesso de Dancin´Days (1978), sua trama anterior, e Água Viva seguiu a mesma trilha e entrou para o hall das melhores do autor.
Com um elenco estrelar, vários personagens e atores brilharam na trama  com  destaque para  a simplória Suely, da Ângela Leal;  a excêntrica Stella Simpson  da saudosa Tônia Carrero; a ambiciosa Lígia da Betty Faria, a graciosa Maria Helena da ainda atriz mirim Isabela Garcia  e  Lourdes Mesquita, a primeira vilã do currículo de Beatriz Segall.
Uma trama envolvente e charmosa merecia uma trilha à altura, e assim foi. O disco nacional foi um compilado de clássicos e grandes sucessos que marcaram a trama, o início da década  e se transformou em uma das melhores trilhas sonoras já produzidas pela Som Livre.
Gilberto Braga teve Manoel Carlos como principal colaborador em Água Viva, e isso ficou ainda mais nítido na trilha  que trazia grandes nomes representantes da MPB e Bossa Nova, o que deu um ar cult à trilha.

Maria Bethânia ecoou seu “Grito de Alerta”   embalando os sofrimentos, dramas e paixões entre Lígia e Nelson, os protagonistas vividos pela Betty e Reginaldo Faria.  A Música,   lançada um ano antes no  LP “Mel”, é até hoje um dos grandes sucessos da cantora, que em 1980 já era um grande nome da MPB. A veiculação da música da novela ajudou em muito na popularização da cantora  junto ao grande público.  
  
Ligia, a personagem da Betty Faria,  passou por várias barras na trama. Antes do envolvimento com os irmãos Fragonard, havia sido casada  com Sérgio (Milton Moraes) e depois Heitor (Carlos Eduardo Dolabella), que a traia com sua “melhor amiga” Selma, vivida pela  Tamara Taxmann. Essa traição inclusive, foi a que acabou rendendo a emblemática cena da surra na boate da casa de shows que marcou os primeiros capítulos da novela. Para embalar essa fase, Lígia ganhou a música “Altos e Baixos” na voz da Elis Regina.

A Lígia no decorrer de Água Viva, ainda ganhou de brinde  outro tema,   “Desesperar Jamais”, clássico do Ivan Lins gravado  pela  Simone, que no início da trama  era tema da Sueli, a personagem da Ângela Leal.

Já o Nelson do Reginaldo Faria, também ganhou outros temas no decorrer de Água Viva. “Wave” do João Gilberto, a cota Bossa Nova do disco, retratou muito bem a sua  fase irresponsável e aventureiro, assim como “Cais” do Milton Nascimento, marcou sua fase mais serena,  depois que ele se ver sem seus bens e tem que recomeçar. Manoel Carlos, 26 anos depois, escalou a música novamente para trilha da novela Páginas da Vida (2006).

Gal Costa foi outro grande nome da trilha com “Noites Cariocas”. A Música embalou a exuberância e cintilância  da tresloucada Stella Simpson, a milionária excêntrica vivida pela Tônia Carrero. Composição do Jacob dos Bandolins, a música composta em 1957, batizou um  programa homônimo exibido na década de 60 na RecordTv.  

“Vinte e Poucos Anos” foi outro tema que marcou Água Viva Nacional. Fábio Jr e Lucélia Santos, viviam Marcos e Janete, o casal jovem da história que conquistou o  público. Assim como a letra da música, Fábio e Lucélia  e  seus personagens, estavam nesta fase dos 20 e poucos,   e a  música caia como uma luva para os dramas que Marcos e Janete tiveram que enfrentar para viver esse  amor.

Glória Pires deu vida a personagem Sandra,  e mesmo com alguns momentos felizes  amargou dramas seguidos durante toda a novela – perdeu a mãe  num acidente nos primeiros capítulos, perdeu o amor do Marcos para Janete, e na reta final ainda teve o pai assassinado. Ângela Rô Rô acompanhou  todos esses drama com “Amor, Meu Grande  Amor”,  o tema da personagem. A Música voltou  a integrar uma trilha em 2009,  no Cd Nacional de Caminho das Índias,  da  Gloria Perez.

Com “Realce”, Gilberto Gil, embalou as aventuras do fotógrafo Bruno, vivido pelo Kadu Moliterno.  A trilha era completada ainda por “No Tempo dos Quintais”  na voz da Elizeth Cardoso e “Peito Vazio”, tema da Sueli (Ângela Leal)  interpretada pela Lúcia Araújo, ainda não conhecida como a mãe do Cazuza.

Calma , Calma . . . não pensem que esqueci justamente a música que marcou a trama e até hoje é uma das mais lembradas da sua intérprete. “Menino do Rio”,  da ainda então Baby Consuelo, foi o tema de abertura da novela  e tão solar quanto a trama transpirava jovialidade e transmitiu ao telespectador exatamente o espírito de verão  que a novela queria imprimir na casa de cada telespectador. A Música foi o hit jovem daquele ano com incessantes execuções diárias em todas as rádios do Brasil, consagrou de vez  a ex- Novos Baianos,  e é  impossível ouvi-la e não lembrar imediatamente de Água Viva.
Fonte:
Texto: Evaldiano de Sousa
Pesquisa : www.memoriaglobo.com.br www.wikipédia.com.br

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