Novelas Inesquecíveis – Estrela-Guia (2001)


“A novela da Sandy” comemora seus 18 anos com retorno em reprise no Canal Viva

        Em 2001, de olho no grande sucesso e empatia junto ao público jovem da dupla Sandy e Jr, a Globo produziu uma novela especialmente pensando na dupla – Estrela-Guia, da autora Ana Maria Moretzsohn, trazia Sandy com a grande estrela  Cristal, e Junior em  um personagem coadjuvante de peso.  A Ideia foi  bem recebida pelo grande público e a novela teve  uma  ótima audiência,  algo que não acontecia desde História de Amor em 1995.  
        Sandy e Jr estavam desde 1999 na tela da tv no seriado que levava o nome da dupla, e gravaram a novela durante as férias do seriado. Vale ressaltar que no seriado a dupla vivia aventuras como eles mesmos,  assim a novela mostrou o verdadeiro lado interpretativo da dupla que se saiu muito bem.

        Na trama,  Sandy como Cristal,  aos 17 anos,  fica órfã e reencontra o padrinho Tony (Guilherme Fontes), que não via há quinze anos. Ele, na condição de seu tutor, vai a Goiás buscá-la para morar no Rio de Janeiro. Estressado pela vida urbana, Tony é quase vinte anos mais velho que Cristal. Há cerca de três anos, namora – sem muito entusiasmo – a mimada e fútil socialite Vanessa (Carolina Ferraz), que não hesita em usar o poder do dinheiro para prendê-lo. Ela é viúva e mãe de Gisela (Thais Fersoza), adolescente rebelde com quem vive em conflito.
Tony acaba percebendo, assim como Cristal, que estão apaixonados. Ele fica confuso e se culpa por este sentimento intenso. Assustado, Tony procura em Jagatah por Purunam (Nelson Xavier), uma espécie de líder no Arco da Aliança, que o convence de que os motivos que ele alega ter para não se envolver com Cristal são tolos. Conta-lhe que a própria Kalinda (Maitê Proença) sempre falou sobre os dois como um casal ideal. Com a ajuda da comunidade, Purunam propicia o encontro dos dois para que Tony declare seu amor.
Ao perceber que Cristal ameaça a sua relação com Tony, Vanessa vai jogar pesado para afastar a jovem, contando com a ajuda de sua quase-futura sogra, Carlota (Rosamaria Murtinho), e, depois, aliando-se à “perua country” Dafne Pimenta (Lília Cabral), mulher do fazendeiro Alaor Pimenta (Sérgio Mamberti). Inescrupulosa, Dafne comanda os negócios do marido, que faz todas as suas vontades. Entre seus planos, está expulsar a comunidade do Arco da Aliança. Para isso, não hesita em usar o seu filho Carlos Charles (Rodrigo Santoro), de caráter duvidoso.

        A novela foi uma experimentação sendo idealizada para ficar apenas 3 meses no ar. A Globo testava esse novo formato e também levava em conta a disponibilidade da Sandy, que na época gravava o seriado  e ainda tinha uma agenda recheada de shows por todo o Brasil. Foi uma boa experiência,  o público acompanhou os 83 capítulos com entusiasmo, e a autora pode mostrar uma trama “fechadinha”, sem barrigas ou enrolações, podia focar diretamente nos acontecimentos e com isso a história não perdeu o fôlego.
        Para escrever Estrela-Guia, Ana Maria Moretzsohn buscou ideias em filmes como Hair (de Milos Forman, 1979), Papai Pernilongo (de Jean Negulesco, 1955) e Presente de Grego (de Charles Shyer, 1987).


        Sandy sem dúvidas foi a grande revelação da novela, mostrando que era uma boa atriz, dando  a Cristal o perfil e um  tom sob medida – a  menina tímida e ingênua  que teve que ir se descobrindo sozinha depois da morte dos pais.


        Mas a trama teve outros destaques – Carolina Ferraz, sempre perfeita,  como a vilã fútil Vanessa brilhou, um perfil muito parecido com o da Paula de História de Amor (1995); Lília Cabral, que mesmo numa personagem caricata – a perua Couwtry Dafne, se sobressaiu em grandes cenas e Rodrigo Santoro, vivendo o playboy Carlos Charles. Thais Fersoza, como a rebelde Gisela, com uma interpretação segura foi outra boa  revelação de Estrela-Guia.


        Rosamaria Murtinho e Lucinha Lins, na pele de  Carlota e Lucrécia, viveram uma dupla de  vilãs cômicas atrapalhadas  que renderam   bons momentos a Estrela-Guia, principalmente quando esbanjavam dinheiro em jogos de bingos.


        Apesar de um personagem coadjuvante, Zeca vivido pelo Junior, teve um entrecho interessante na trama. Interpretando  um menino de origem pobre que deixa o Nordeste atrás de uma solução para garantir o sustento da família, o jovem vence na vida após ser descoberto pela produtora de Guilherme (Gabriel Braga Nunes).

        Logo que Guilherme Fontes foi anunciando como o par romântico de Sandy na trama,   a imprensa  se armou  de críticas. O Ator estava cinco anos fora do ar, seu último personagem havia sido em O Rei do Gado (1996),  e desde então ele estava envolvido como diretor  no polêmico Chatô (2015), filme que Guilherme levou vinte anos para lançar.  A demora fez com que o ator/diretor sofresse processos do Ministério Público do Rio de Janeiro que exigiram devolução do dinheiro investido através da Rio Filmes na produção.  Porém logo nas primeiras cenas entre Sandy e Guilherme Fontes, como Cristal e Tony,  ficou nítida a boa escolha do veterano ator. A química entre eles  foi perfeita e certamente foi um dos ingredientes que contribuíram para o sucesso da novela.
        Pirenópolis, no interior de Goiás, serviu de locação principal para a trama. Foi na pequena cidade que a comunidade Arco da Aliança foi retratada. Pirenópolis a partir de então  ficou conhecida como a cidade onde foi gravada Estrela-Guia.

        A fictícia Arco da Aliança abriga diversos personagens, como a radical Su-Sukham (Mônica Torres), sua filha Sukhi (Fernanda Rodrigues) – cujo sonho é ir para a cidade grande e virar estrela – e o forasteiro Santiago (Sérgio Marone), personagem com poderes paranormais. A comunidade hippie tem como filosofia de vida a união de forças em torno de ideais como a busca da paz, a preservação da vida, a celebração da amizade, do amor e da fraternidade. A harmonia é abalada pela ambiciosa Daphne Aroeira (Lilia Cabral), mulher de Alaor (Sérgio Mamberti), rico fazendeiro e dono da Fazenda da Rainha, vizinha às terras de Jagatah. Daphne cobiça as terras da comunidade ao descobrir que a área esconde uma mina de esmeraldas.


        A Trilha sonora de Estrela-Guia foi lançada em apenas 1 Cd que mesclava músicas nacionais e internacionais. O Cd foi um dos mais vendidos de novelas  até então. A trilha abria com uma versão de “Imagine  na voz do Paulo Ricardo e fechava com “Como Nossos Pais”,  em gravação original da Elis Regina.


        A Trilha incidental  da novela foi produzida pelo Tomaz Lima, conhecido pelo nome artístico de Homem de Bem. Com isso foi lançado o Cd “Mantras e Bhajans de Estrela-Guia”, lançado pela Som Livre no rastro da novela. Foi o próprio Tomaz de Lima que ensinou Sandy  cantar os mantras que Cristal entoava na novela.

        Estrela-Guia marcou a estreia em novelas dos atores Sérgio Marone e Graziela Moretto e a primeira na Globo do Thiago Fragoso.
         A trama comemora 18 anos no próximo dia 12.03, e esse retorno ao Canal Viva a partir de 08 de abril, abrindo um novo horário de novelas  na emissora,  foi uma boa forma de comemorar essa maioridade.
        A Globo havia cogitado a reprise de Estrela-Guia em 2004,  no Vale a Pena Ver de Novo, porém desistiu quando na época a dupla Sandy e Jr não renovou  seu contrato como atores da casa. Entrou então a reprise de CorpoDourado (1998).
        O Figurino hippie da Cristal fez muito sucesso. As saias, batas e bijuterias new hippie ganharam as ruas do Brasil. Assim como o visual estilizado e rebelde da Gisela, a personagem da Thais Fersoza – o cabelo vermelho e as roupas de couro.


        Estrela-Guia  é aquele tipo de novela despretensiosa que  acaba ultrapassando todas as expectativas. Com texto simples e história já tantas vezes contadas, claro que sem o chamariz da Sandy como estrela talvez a novela nem tivesse   sido produzida, mas é justo dizer que  “a novela da Sandy” venceu por seu conjunto da obra. Se a cantora/atriz  chamou o público, o elenco e a história envolvente  conseguiu segurar esse público, o tornando cativo nos três meses que a trama ficou no ar.

Ficha Técnica:

Novela da Autora Ana Maria Moretzsohn
Direção Geral: Denise Saraceni
Elenco:
SANDY – Cristal
GUILHERME FONTES – Tony
CAROLINA FERRAZ – Vanessa
FLORIANO PEIXOTO – Inácio
LÍLIA CABRAL – Dafne
RODRIGO SANTORO – Carlos Charles
THAÍS FERSOZA – Gisela
SÉRGIO MAMBERTI – Alaor Pimenta
ROSAMARIA MURTINHO – Carlota
LUCINHA LINS – Lucrécia
CHRISTINE FERNANDES – Lalá
GABRIEL BRAGA NUNES – Guilherme
SÉRGIO MARONE – Santiago
THIAGO FRAGOSO – Bernardo
EVANDRO MESQUITA – André
ISABELA GARCIA – Luciana
MÔNICA TORRES – Su-Sukhan
NELSON XAVIER – Purunam
FERNANDA RODRIGUES – Sukhi
ANNA CARBATTI – Dominique
MAURÍCIO GONÇALVES – Michael
TARCÍSIO FILHO – Mauro
GRAZIELA MORETTO – Heloísa
FLÁVIA BONATO – Cida
NIZO NETO – Elesbão
CIDA MOREIRA – Castorina
JÚNIOR LIMA – Zeca
MIGUEL MAGNO – Romeu
MARIA POMPEU – Nenzinha
NATÁLIA BARRETO – Priscila
OBERDAN JÚNIOR – Rafael
MARCELO DE FREITAS – Diogo
ALEXANDRE BARBALHO – Felício
as crianças
NETINHO ALVES – Daniel
THIAGO DE LOS REYES – João
RENATA BRAVIN – Maria
e
CLÁUDIO CAPARICA – repórter que entrevista Dafne Pimenta
CLÁUDIA OHANA – Glorinha
LUCIANA GUERRA (dublê de Sandy)
LUCY MAFRA – Tânia (empregada de Vanessa)
MAITÊ PROENÇA – Kalinda (Catherine, mãe de Cristal, mulher de Hanuman)
MARCOS PASQUIM – Edmilson
MARCOS WINTER – Hanuman (Bob, pai de Cristal, marido de Kalinda)
Exibição: 12 de Março à 16 de Junho de 2001
Capítulos: 83

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Novelas Inesquecíveis 
Fonte:
Texto: Evaldiano de Sousa
       

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