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Novelas Inesquecíveis – Beto Rockfeller (1968)


                Quando falamos em “Fenômeno da Teledramaturgia Nacional” em relação a uma trama que se destaca em audiência  e empatia do público como ocorreu por último agora com Os Dez Mandamentos, a expressão se torna até um exagero se lembrarmos da novela que dividiu a teledramaturgia em antes e depois.
        Beto Rockfeller, novela idealizada por Cassiano Gabus Mendes, e escrita por Bráulio Pedroso, é considerada a mãe dos modelos das novelas atuais, mostrando um novo padrão de textos, interpretações e criação de personagens.
        A Rede Tupi que concorria na época com as superproduções da TV Excelsior, viu sua audiência crescer satisfatoriamente assim que o público começou a se ver em Beto Rockfeller e  nos vários outros personagens da trama.

        Beto Rockfeller abandonou a linha de atitudes dramáticas artificiais   que marcavam o gênero da telenovela na época, e apresentou uma linguagem coloquial  com diálogos que rompiam os padrões estabelecidos .  Na verdade a novela não mudou só os diálogos e sim a estrutura das histórias de teledramaturgia a partir de então.
        Mesmo sendo uma ficção, a novela dava ao público um gosto de realidade, principalmente pelo fato de alguns assuntos que aconteciam no cotidiano, eram  comentados pelos personagens de Beto Rockfeller, tal qual fazemos com amigos e vizinhos.

        Luiz Gustavo  foi consagrado pela crítica e pelo público ao viver Beto Rockfeller, o primeiro protagonista anti-herói e que fugia dos padrões dos mocinhos extremamente justos perpetuados pelo gênero. O maniqueísmo da trama passou a fazer parte  integrante do perfil do próprio personagem.  Alberto – ou Beto – é um charmoso representante da classe média-baixa que mora com os pais, Pedro (Jofre Soares) e Rosa , e a irmã, Neide (Irene Ravache), no bairro de Pinheiros, em São Paulo, e trabalha como vendedor em uma loja de sapatos na Rua Teodoro Sampaio. Com sua intuição, perspicácia e malandragem, o vendedor Beto se transforma em Beto Rockfeller, primo em terceiro grau de um magnata norte-americano, e consegue penetrar na alta sociedade, através de sua namorada rica, Lu (Débora Duarte), filha dos milionários Otávio (Walther Foster)  e Maitê (Maria Della Costa). Assim, ele consegue frequentar as badaladas festas e as rodas da mais alta sociedade paulistana.

        A trama deu chances aos atores de dar uma interpretação mais crível e moderada aos personagens, diferentemente das exageradas ao qual estávamos acostumados. O próprio Luiz Gustavo declarou em entrevista, que fazia questão de dar ao Beto Rockfeller a interpretação mais simples possível e próxima de personagens da vida real. E foi  exatamente essa simplicidade que  tornou explicito o talento de muitos dos atores da novela que pela primeira vez mostravam sem exageros a perícia de seus trabalhos.  
        Sem a obrigação de marcação de câmeras e ganchos “puxados” finalizando  os capítulos,  os atores tinha mais liberdade em cena, pudendo mostrar um trabalho artístico também na Tv.

        Beto Rockfeller, apesar de nunca ter tido sua trilha lançada, também inovou nesse campo. Abandonou os temas instrumentais e apresentou  músicas nacionais e internacionais de sucesso na época com interpretações de Luiz Melodia, Erasmo Carlos, Bee Gees e The Beatles entre outros.  

        Porém o sucesso de Beto Rockfeller teve  sua contramão. O “espichamento”  da trama que ficou 13 meses no ar somando 230 capítulos, acabou deixando em exaustão o autor Bráulio Pedroso, que foi substituído por uma trinca de autores liderada por Eloy Araújo; o diretor Lima Duarte, foi substituído por Walther Avancini, e alguns atores do elenco tiveram que entrar em férias fazendo com que seus personagens ganhassem “férias” também na novela.  Para fechar esses buracos de personagens que ficaram , o então diretor Lima Duarte, chegou a viver cinco personagens em participação especial.
        Até o protagonista Luiz Gustavo se afastou da novela, alegando cansaço, e só voltou a gravar os capítulos finais.

        Mesmo esses percalços, serviram de ensinamentos para as próximas produções, mostrando que as emissoras precisavam de uma melhor estrutura de bastidores para suas novelas.  Felizmente essa barriga de Beto Rockfeller em nada prejudicou o sucesso do conjunto da obra da novela.  
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        No rastro do sucesso da novela foram lançados o filme Beto Rockfeller (1970) e A Volta de Beto Rockfeller (1973), uma espécie de continuação da novela, ambos sem muita repercussão.
        Beto Rockfeller foi à primeira novela a apresentar tomadas aéreas e também a primeira a inserir, mesmo que não oficialmente,  merchandising. Como Beto bebia muito, sempre tomava em cena um remédio para ressaca. A  empresa Engov então  pagava 3 mil  cruzeiros a Luiz Gustavo, cada vez que o personagem mencionava o nome do remédio em cena.

        Outro fato inédito ocorrido em Beto Rockfeller foi o encontro de Lu, personagem da Débora Duarte,  com Heloísa, a personagem da Aracy Balabanian, em Antônio Maria, trama do horário das sete da emissora na época. As duas se esbarravam ao irem visitar uma cartomante. A cena foi apresentada em ambas as novelas e foi mais uma inovação apresentada pela trama de Bráulio Pedroso.

        Hoje existem pouquíssima imagens da trama de Beto Rockfeller. Na época a Rede Tupi, que já entrava em crise financeira, fazia de tudo para conter despesas e reaproveitava as fitas, regravando capítulos em cima dos já apresentados. A trama do Bráulio Pedroso seria uma ótima opção de remake para o horário das onze da Globo. Certamente o público se apaixonaria novamente pelo dúbio protagonista e os personagens apaixonantes que o cercam.
        Este é o último post de 2015 da seção “Novelas Inesquecíveis” e escolhi falar do clássico Beto Rockfeller para relembrar a importância dessa trama para as novelas atuais, que mesmo criada quase por um improviso, depois que Cassiano Gabus Mendes viu uma cena inusitada em uma boate da qual era dono da época, nasceu um dos personagens mais aplaudidos e consagrados da história da Tv.
Ficha Técnica:
Novela do Autor : Bráulio Pedroso
Idealizador : Cassiano Gabus Mendes
Autores substitutos : Eloy Araújo , Ilo Bandeira e Guido Junqueira
Direção Geral : Lima Duarte e Walter Avancini
Elenco:
LUIZ GUSTAVO – Beto Rockfeller
BETE MENDES – Renata
DÉBORA DUARTE – Lu
ANA ROSA – Cida
PLÍNIO MARCOS – Vitório
IRENE RAVACHE – Neide
WÁLTER FORSTER – Otávio
MARIA DELLA COSTA – Maitê
MARÍLIA PÊRA – Manuela
RODRIGO SANTIAGO – Carlucho
YARA LINS – Clô
JOFRE SOARES – Pedro
ELEONOR BRUNO – Dirce
WALDEREZ DE BARROS – Mercedes
RUY REZENDE – Saldanha
WLADIMIR NIKOLAIEF – Lavito
HELENO PRESTES – Tavinho
PEPITA RODRIGUES – Bárbara
MARILDA PEDROSO – Mila
RENATO CORTE REAL – Bertoldo
ETTY FRASER – Madame Waleska
LIANA DUVAL
ALCEU NUNES – Polidoro
LUÍS AMÉRICO – Tomás
ESTER MELLINGHER – Tânia
GÉSIO AMADEU – Gésio
ZEZÉ MOTTA – Zezé
MARILU MARTINELLI
OTHON BASTOS
JAYME BARCELLOS – Fernando
LOURDES MORAES – Magda
LUÍSA DI FRANCO – Bia
RAFAEL LODUCA – Vicenzo
DALVA DIAS
ROBERTO MIRANDA
MARTHA OVERBECK
DIAS BARRETO – Secundino / Domingos
LIMA DUARTE – Secundino / Domingos / Duarte / Manoel Maria / Conde Wladimir
Exibição: 04 de Novembro de 1968 à 30 de Novembro de 1969
Capítulos: 230


Fonte:
Texto : Evaldiano de Sousa
Pesquisa : Wikipédia.com, teledramaturgia.com
       


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