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Novelas Inesquecíveis – Sinhá Moça (1986)

      

        A primeira versão de Sinhá Moça, trama do autor Benedito Ruy Barbosa, baseado no romance homônimo Maria Dezonne Pacheco Fernandes, está completando 30 anos.
        Sinhá Moça foi idealizada exatamente 10 anos depois do grande sucesso de Escrava Isaura (1976), do Gilberto Braga, e antes mesmo da sua estreia  mais de 50 países estavam interessados em comprar a trama. O Grande chamariz de Sinhá Moça era o fato de Rubens de Falco e Lucélia Santos como os protagonistas, novamente com vilão e mocinha de uma trama com cunho abolicionista.

        A história em si de Sinhá Moça em nada parecia com a de Escrava Isaura, a adaptação do Benedito contava a história de Monarquistas e republicanos  que se defrontam em Araruna, pequena cidade do interior paulista, em 1886, dois anos antes da promulgação da Lei Áurea. A história de amor de Sinhá Moça (Lucélia Santos), filha do Coronel Ferreira, o Barão de Araruna (Rubens de Falco)  e ferrenho escravocrata, com o jovem Dr. Rodolfo (Marcos Paulo), um ativo abolicionista republicano, ante as dificuldades da campanha para a abolição dos escravos.

Os dois se conhecem no trem, quando Sinhá Moça, depois de terminar seus estudos na capital da província, retorna a Araruna. Assim como Rodolfo, ela tem idéias abolicionistas e critica as atitudes do pai, lutando em defesa dos negros. Sinhá Moça, junto com Rodolfo e outros abolicionistas, invadem as senzalas à noite e libertam os negros, entregando-os às associações abolicionistas, que os orientam no rumo à liberdade.

Do outro lado da história está Dimas (Raymundo de Sousa), o menino Rafael, ex-escravo alforriado e sua obstinada luta para destruir o Barão, seu verdadeiro pai com uma escrava da fazenda, Maria das Dores (Dhu Moraes). Antes de ser vendido pelo barão, Rafael foi grande amigo de Sinhá Moça, com quem passou a infância. Depois de alforriado, adota o nome de Dimas e torna-se o braço direito do jornalista Augusto (Luis Carlos Arutin), um abolicionista convicto, despertando o amor em Juliana (Luciana Braga), neta dele.

Lucélia Santos novamente brilhou vivendo uma protagonista, e em Sinhá Moça ele pode mostrar toda a força que faltava a Escrava Isaura, que devido sua condição teve que suportar muito na trama. Sinhá Moça foi sua primeira heroína forte, romântica e determinada.


Jacyra Sampaio e Grande Otelo em Sinhá Moça - 1ª versão, 1986. Nelson Di Rago/TV Globo




Dois personagens de Sinhá Moça deram um clima poético à trama. Os personagens Justo e Nhã Balbina , vividos pelos atores Grande Otelo e Ruth de Sousa. Os dois eram  escravos que de tão velhos já estavam gagás  e mostravam todo o sofrimento do fim da vida ,  que mesmo com idade avançada ainda eram obrigados a trabalhar. O Autor contou em entrevista para o site Memória Globo que foi um prazer ter todo o talento do Grande Otelo na trama, mas que era difícil controlá-lo nos estúdios. O artista vinha do teatro de revista, onde tudo era muito improvisado e ele ainda não tinha se acostumado com o ritmo da Tv. 
A trama se desenrolou por um período de 2 anos e terminou exatamente no dia da abolição da escravatura no Brasil, em 13 de maio de 1988. 

Benedito Ruy Barbosa foi chamado às pressas para escrever a trama, e disse em entrevistas na época que usou o romance apenas como ponto de partida para a novela, pois discordava de muitos pontos. Quando a novela estreou o romance teve um grande salto de vendas, mas alguns dos leitores se decepcionaram por não verem no romance a história da novela.

Outras tramas paralelas à central também foram destaque na trama,  como o amor entre José Coutinho (Tato Gabus) e Adelaide (Solange Couto). Ele,  filho de um fazendeiro e ela, uma escrava, a paixão entre eles foi inevitável, e José Coutinho foi de contra toda a sociedade e inclusive seu pai para viver ao lado do seu grande amor.
O personagem de Raymundo de Sousa, o escravo alforriado e filho do Barão de Araruna (Rubens de Falco) também cativou o público com interpretação ímpar do ator. Inesquecível a cena em que Dimas declama  o poema Navio Negreiro do Castro Alves. Nos bastidores, Raymundo de Sousa estava com 41 graus de febre e saiu dos estúdios direto para o hospital.

        Ana do Véu, a personagem vivida pela Patrícia Pillar, também cativou o público com sua história. Quando criança para livrara da morte a mãe fez uma promessa que a menina só mostraria o rosto para o marido quando casada. O Prometido de Ana era Rodolfo (Marcos Paulo), mas este quando volta à Araruna já chega apaixonado por Sinhá Moça, e seu irmão Ricardo (Daniel Dantas) acaba se apaixonando por Ana sem nunca ter visto seu rosto.

Sinhá Moça marcou a estreia da Luciana Braga em novelas na Globo, na pele da doce Juliana.

Em 2006,  20 anos depois do original a Globo produziu um remake da trama reescrito por Edmara e Edilene Barbosa, filhas do autor Benedito Ruy Barbosa. A trama trazia Débora Falabella (Sinhá Moça), Danton Mello (Rodolfo) e  Osmar Prado (Barão de Araruna) nos papéis principais. Milton Gonçalves participou das duas versões da novela vivendo o mesmo personagem, o Pai José que marcou a trama.
Com uma excelente produção e reconstituição de época impecável, o grande trunfo de Sinhá Moça foi seu texto mostrado com maestria pelo Benedito. O autor contou uma linda história de amor e liberdade que cativou o público e se transformou em um dos novelões do horário das seis de todos os tempos. E que hoje mesmo 30 anos depois ainda emociona que a revisita.

Ficha Técnica:
Novela do Autor Benedito Ruy Barbosa
Baseado no romance homônimo de Maria Dezonne Pacheco Fernandes
Direção Geral : Reynaldo Boury e Jaime Monjardim
Elenco:
LUCÉLIA SANTOS – Sinhá Moça
MARCOS PAULO – Rodolfo Fontes
RÚBENS DE FALCO – Barão de Araruna (Coronel Ferreira)
ELAINE CRISTINA – Baronesa Cândida
RAYMUNDO DE SOUZA – Rafael (Dimas)
MAURO MENDONÇA – Dr. Fontes
NEUZA AMARAL – Inês
DANIEL DANTAS – Ricardo
PATRÍCIA PILLAR – Ana do Véu
LUIZ CARLOS ARUTIN – Augusto
LUCIANA BRAGA – Juliana
SÉRGIO VIOTTI – Frei José
CHICA XAVIER – Virgínia (Bá)
JOSÉ AUGUSTO BRANCO – Manoel Teixeira
NORMA BLUM – Nina
GRANDE OTHELO – Justo
RUTH DE SOUZA – Balbina
COSME DOS SANTOS – Bastião
GÉSIO AMADEU – Fulgêncio
ANTÔNIO POMPEO – Justino
TONY TORNADO – Capitão do Mato
WÁLTER SANTOS – Feitor Bruno
CLÁUDIO MAMBERTI – Delegado Antero
JOSÉ PRATA (PRATINHA) – Bentinho
SOLANGE COUTO – Adelaide
TATO GABUS – José Coutinho
IVAN MESQUITA – Coutinho
TARCÍSIO FILHO – Mário
GERMANO FILHO – Everaldo
FERNANDO JOSÉ – Martinho
HENRI PAGNOCELLI – Eduardo
JACYRA SAMPAIO – Rute
AUGUSTO OLÍMPIO – Bobó
NIZO NETO – Nino
ATHAYDE ARCOVERDE – Robusto
NEWTON MARTINS – Viriato
ALCIRO CUNHA – Nogueira
CLÁUDIO MCDOWELL – Tibúrcio
DENIS DERKIAN – Renato
RENATO PIETRO – Vila
ANTÔNIO FRANCISCO – Honório
ALDO BUENO – Pedro
JOEL FILHO – Tobias
e
ALDO CÉSAR – mercador de escravos que comprou Maria das Dores e Rafael, quando ele era criança
CANARINHO
CLÁUDIO CORRÊA E CASTRO – Dr. João Amorim (médico)
DAISY NASCIMENTO
DHU MORAES – Maria das Dores (mãe de Rafael, que nasceu de seu envolvimento com o Barão de Araruna)
ÊNIO SANTOS – Inácio (compra Maria das Dores e o filho Rafael e os leva para a capital da província, no início)
FERNANDO ALMEIDA
IBAÑEZ FILHO – fazendeiro
JORGE DE JESUS – escravo
LIZANDRA SOUTO – Sinhá Moça (criança)
MILTON GONÇALVES – Pai José (negro reprodutor da fazenda do Barão de Araruna, pai de Maria das Dores, morre no tronco)
NELSON SOARES GOMES – escravo
PAULÃO
SELTON MELLO – Rafael (criança)
THIAGO JUSTINO – escravo

Exibição : 28 de Abril à 15 de Novembro de 1986
Capítulos: 172



Fonte:
Texto : Evaldiano de Sousa
Pesquisa : memóriaglobo.com, Wikipédia.com

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