Desde o início da trama, Alana Cabral dá vida a Joelly com sutileza e precisão,
fugindo de caricaturas. Sua atuação se apoia em um registro naturalista, o que
torna os conflitos da personagem verossímeis e espontâneos. Para uma estreia
como protagonista, chama atenção a segurança com que ela conduz sequências
extensas e de forte carga emocional, sem jamais destoar. É verdade que
contracenar com atrizes experientes como Sophie Charlotte (Gerluce) e Dira Paes (Lígia) oferece um suporte valioso, mas o mérito do desempenho é,
sobretudo, dela.
Soma-se
a isso ainda um obstáculo importante na
construção da personagem: Joelly é uma jovem impulsiva, guiada muitas vezes
pelo desejo imediato, que toma atitudes impensadas e ignora alertas. Um
temperamento assim poderia facilmente afastar o público ou provocar rejeição,
especialmente quando associado ao envolvimento com outra figura igualmente
instável e irresponsável, Raul (Paulo Mendes).
Mas
se ainda restavam duvidas sobre a escalação
da Alana para ser a terceira Graça protagonista da trama do Aguinaldo
Silva, as sequências dessa semana acabaram com todas elas.
As
cenas marcadas pelo temor de ter a filha tomada por Samira (Fernanda Vasconcellos, mas do que espetacular com
a grande vilã da trama) pedia um jogo fino entre fragilidade extrema e impulso
protetor — desafio que a atriz resolve com notável precisão. O corpo denunciava
o cansaço e a sensação de desamparo, enquanto a voz, instável, deixava
transparecer o avanço do pânico diante da ameaça iminente. Tudo foi conduzido
sem excessos: o que se viu em cena foi autenticidade. O confronto com a vilã,
em uma sala de parto isolada, concentrou com eficácia a atmosfera de terror e
tensão exigida pelo momento.
Chama
atenção, sobretudo, o fato de que, apesar da pouca idade, Alana não se apoia
exclusivamente na carga emocional. Há um domínio claro do tempo dramático, com
sensibilidade para saber quando recolher e quando ampliar as emoções. Essa
consciência cênica aponta para um caminho promissor, desde que continue
apostando em trabalhos que a desafiem. Convém lembrar que este não é seu
primeiro contato com a televisão. No ano anterior, mesmo em participação
reduzida, destacou-se na elogiada Guerreiros do Sol, do Globoplay, defendendo com consistência a sofrida
Damiana. Produções como Assédio (2018), Verão 90 (2019), Nos Temposdo Imperador (2021) e Eleita (2022)
também fazem parte de sua trajetória, funcionando como etapas de amadurecimento
até o momento atual.
Veja Também:
| Sophie Charlotte |
| Dira Paes |
| Três Graças |
| Fernanda Vasconcellos |
Fonte:
Texto : Evaldiano de Sousa

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