50 Anos da agradável adaptação do conto de Marques Rabelo por Sylvan Paezzo que estreava na Globo
Adaptação
delicada e envolvente assinada por Sylvan Paezzo, marcando sua estreia
como autor de novelas na Globo. A trama se inspira no conto homônimo de Marques
Rebelo, lançado em 1933 na coletânea Três
Caminhos.
A
proposta de levar o conto para a televisão surgiu a partir de uma conversa
informal do ator Lima Duarte com o diretor Herval Rossano, então
à frente do núcleo das novelas das seis. À época da estreia, Rossano destacou
que a história retrata um período marcado por três aspectos centrais: a
autoridade masculina dentro da família, a submissão feminina e o impacto dos
avanços da medicina no tratamento da tuberculose, além do medo do contágio, que
gerava verdadeiro pânico social.
No
conto original, a narrativa é conduzida em primeira pessoa pelo menino Edgar,
que observa a rotina familiar e os conflitos vividos por seu irmão mais velho,
Fernando. Na versão televisiva, Edgar foi interpretado por Márcio Bernstein,
enquanto Fernando assumiu o papel de protagonista, vivido por Eduardo
Tornaghi.
O
título Vejo a Lua no Céu faz referência, no texto literário, a uma valsa
fictícia solicitada pelo patriarca Pedro (Alberto Perez), para que a filha
Catarina a execute ao piano. Essa cena simbólica foi fielmente recriada na
novela, aparecendo já no segundo capítulo, em clara homenagem ao conto
original.
Um dos grandes pontos altos da novela foi o elenco infantil,
composto por Márcio Bernstein, Miriam Ficher — que mais tarde seguiria
carreira como dubladora — e Isabela Garcia, então com apenas 8 anos.
Essa foi a primeira vez que Isabela recebeu crédito em uma telenovela.
Norma Blum brilhou como Suzana, a grande protagonista
da história. A personagem é daquelas mulheres intensas, sensíveis e cheias de
conflitos internos, que vivem o amor com profundidade, mas também enfrentam
dores, perdas e dilemas morais ao longo da trama.
A atuação de Tamara Taxman como Margarida, foi também bastante elogiada por transmitir
naturalidade e ternura, características que ajudaram a tornar a personagem uma
figura querida pelo público. Ainda representou um tipo bem diferente dos quais
passou a viver na teledramaturgia em seus
outros trabalhos.
A
ampliação do número de capítulos de O Grito,
exibida às 22h, acabou inviabilizando a participação de Ney Latorraca em
Vejo a Lua no Céu. O ator estava inicialmente escalado para
interpretar Fernando assim que encerrasse.
Diante disso, o papel de Fernando acabou sendo entregue a Eduardo
Tornaghi, que vinha da novela A Moreninha,
exibida no mesmo horário. Curiosamente, Tornaghi havia sido cogitado
inicialmente para viver Eusébio.
Para
o personagem Eusébio, a produção convidou Cláudio Cavalcanti, que
concluía sua atuação em Bravo! — novela das 19h — e, ao mesmo tempo, era
disputado por Janete Clair para interpretar Vinícius, filho de Salviano
Lisboa, em Pecado Capital, então a
novela das oito.
A
novela marcou ainda a estreia de Cristina Aché e Camilo Bevilacqua
em telenovelas, além de ser o primeiro trabalho de Roberto de Cleto na Globo.
Autor
de oito obras, entre elas 'Diário de um
Transviado' e 'Memórias de Madame Satã', Sylvan Paezzo
voltava a escrever para televisão depois de três anos. Seu último trabalho
havia sido o seriado 'Shazan e Xerife' (1972). O autor também esteve na inauguração da Globo,
quando trabalhava no Departamento de Telejornalismo.
A
novela foi elogiada por sua ambientação detalhada do Rio de Janeiro do início
do século XX — com externas gravadas em pontos históricos como Praça XV,
Confeitaria Colombo, Outeiro da Glória, Largo do Boticário e Santa Teresa — e
pelo uso de cenografias cuidadosamente reconstruídas. Isso contribuiu para uma
sensação autêntica de época no horário das 18h.
Vejo a Lua no Céu foi
reprisada, no início da tarde, entre 13/12/1976 e 29/04/1977 – época em que a
faixa Vale a Pena Ver de Novo ainda não tinha esse nome.
A
novela foi disponibilizada no Globoplay (plataforma streaming da
Globo) em 11/08/2025, dentro do Projeto Fragmentos, com os seis
capítulos que restaram nos arquivos da Globo: o primeiro, o segundo, os
capítulos 49 e 50, o penúltimo (nº 98) e o último (nº 99).
Ao
contrário de novelas que marcaram muito a cultura popular da Globo, Vejo a Lua no Céu é
frequentemente classificada como uma produção mais “esquecida” ou de legado
menos expressivo — o que, para alguns críticos, indica que a trama e ritmo não
se destacaram tanto quanto outras novelas do mesmo estilo da década de 1970.
Ficha
Técnica:
Novela
do autor Sylvan Paezzo
Baseado
no Romance de Marques Rabelo
Direção Geral : Herval Rossano
Elenco:
EDUARDO
TORNAGHI – Fernando
NORMA BLUM – Suzana
ALBERTO PEREZ – Seu Pedro
ARACY CARDOSO – Dona Filoca
CLÁUDIO CAVALCANTI – Eusébio
TAMARA TAXMAN – Margarida
CRISTINA ACHÉ – Catarina
ELISA FERNADES – Maria
CLEYDE BLOTA – Carmem
CLÉA SIMÕES – Mariana
ÍTALO ROSSI – Jacinto
MONAH DELACY – Augusta
ISAAC BARDAVID – Anjo Latoeiro
SOLANGE RADISLOVICH – Zizi
CAMILO BEVILACQUA – João
LUÍS ORIONI – Alberto Medeiros
ROBERTO DE CLETO – Dr. Mário Assis
ANTÔNIO VICTOR – Alfredo
AGUINALDO ROCHA – Manuel
ROBERTO FROTA – José
ALCIRO CUNHA – Joaquim
ÂNGELA LEAL
JOSÉ STEINBERG – Padre Lucas
HÉLIO ARY – Dr. Palmeira
ANA CRISTINA – Marta
ALAIR NAZARETH – Maria do Carmo
as
crianças
MÁRCIO BERNSTEIN – Edgar
MIRIAM FICHER – Lu
ISABELA GARCIA – Doró (Dorotéia)
ELIAS ARAÚJO – Totó
e
CAUÊ FILHO
CLAUDINEY PENEDO – fiscal do colégio
CLÁUDIO SOUZA NEVES – aluno
DURVAL PEREIRA – homem do casal com quem Fernando brinca na praça, no primeiro
capítulo
GILBERTO GARCIA – moleque fujão
JANSER BARRETO – aluno
JEFFERSON DANTAS – aluno
JOSÉ ROBERTO MARCOLINO – aluno
MAGNO EGÍDIO – aluno
MANOEL MARTINS – professor
NILTON VALÉRIO – aluno
REJANE SCHUMANN
RENATO BASTOS – mágico
SAMIR DE MONTEMOR – vendedor ambulante
SANDRA DE OLIVEIRA RAMOS – aluna
SANDRA PÊRA
VANDA COSTA – mulher do casal com quem Fernando brinca na praça, no primeiro
capítulo
YARA BERNSTEIN – aluna
Exibição
: de 9 de fevereiro a 25 de junho de 1976
Capítulos
: 99
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Fonte:
Texto: Evaldiano de Sousa
Pesquisa: www.wikipedia.com.br www.memoriaglobo.com.br

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