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Enquete e10blog

Meus Personagens Favoritos da Mônica Torres

A Guida   de “Rainha da Sucata”



        Com uma carreira marcada pela elegância cênica e pela entrega total a cada papel, Mônica Torres construiu uma trajetória sólida e respeitada na teledramaturgia. Atriz de recursos múltiplos, ela sempre transitou com naturalidade entre o drama, a leveza e o humor, deixando sua marca em personagens muito distintos — e todos memoráveis.

        Ao longo de sua trajetória na televisão, Mônica Torres deu vida a personagens que ficaram na memória do público, como a Letícia, na primeira versão de Ciranda de Pedra (1981); a irreverente Claudia Cowboy, de Transas e Caretas (1984); Guida, em Rainha da Sucata, atualmente em  reprise  no Vale a Pena Ver de Novo;  Karen, na novela Belíssima; e, mais recentemente, Ana, da telenovela de streaming HBOMax e da  Band -  Beleza Fatal (2025).



        A trajetória artística de Mônica Torres teve início no cinema, em 1979, com o filme Lerfá Mú. Poucos anos depois, em 1983, integrou o elenco de Gabriela, Cravo e Canela, ampliando sua presença na dramaturgia. Já em 1997, participou do aclamado longa Pequeno Dicionário Amoroso, reforçando sua versatilidade como atriz.

        Na Tv, a estreia  foi em 1980, nas novelas  Marina e As Três Marias, e a partir de então sempre  esteve em uma  nova produção e trabalho.    

Na vida pessoal, Mônica foi casada com o ator José Wilker, união da qual nasceu sua filha, Isabel Wilker. Mais tarde, viveu um relacionamento de mais de dez anos com o ator Marcello Antony, período em que o casal adotou dois filhos, Francisco e Stephanie.

Para  homenagear essa grande atriz, que começou o ano  2025 participando do grande sucesso da HBO MAX  e BAND  - Beleza Fatal  e  terminou  de volta com a reprise de Rainha daSucata no VPVN na Globo, o e10blog  vai relembrar suas melhores personagens na Tv.

 

Rosa de Marina (1980)


        A novela Marina (1980), de Wilson Aguiar Filho,  marcou a estreia da Mônica na Tv.  Rosa sua personagem é a falecida mulher de Estevão (Carlos Zara) , mãe de Marina (Denise Dumont),  que aparece em  flashback.

 

Ester de As Três Marias (1980)

        Em As Três Marias, do Wilson Rosa,  Mônica Torres fez uma participação vivendo Ester, uma atriz contratada por Glória (Maitê Proença) para se passar por  esposa de Davi (Edwin Luisi).

 

Letícia de Ciranda de Pedra (1981)



        Na primeira versão de Cirandade Pedra (1981), Letícia, vivida por Mônica Torres, surge como uma personagem marcada pela sensibilidade e pelo conflito interno. Letícia carrega muito do tom psicológico que marcou essa adaptação de Teixeira Filho  para a  obra de Lygia Fagundes Telles: é uma mulher introspectiva, observadora, que sofre em silêncio diante das tensões familiares e afetivas. A interpretação de Mônica Torres apostava na contenção, nos olhares e nas pausas, refletindo bem o estilo mais sóbrio e intimista da teledramaturgia da época. Sua Letícia parecia sempre à margem dos acontecimentos, mas profundamente impactada por eles.

        No romance original, a personagem Letícia era lésbica, diferente das duas adaptações feitas para a televisão (com Mônica Torres em 1981 e Paolla Oliveira em 2008). Na primeira versão da novela, o tema não pôde ser abordado por causa da Censura Federal. Na segunda versão, o autor justificou que não gostaria que a novela sofresse problemas com o Ministério da Justiça, pois temia que temas polêmicos prejudicassem a classificação etária da novela. Mesmo assim, nos últimos capítulos, Letícia (Paolla Oliveira) vai viajar acompanhada de uma “amiga”, como sugere a cena.

Mônica Torres, que havia atuado na primeira versão como Letícia, agora voltava como Lili, a mãe de Letícia – personagem interpretada em 1981 por Ana Lúcia Torre.

 

Claudia Cowboy  de Transas eCaretas  (1984)

        Em Transas e Caretas (1984), novela das sete escrita por LauroCésar Muniz, Mônica Torres deu vida à inesquecível Cláudia Cowboy, uma personagem que ajudava a traduzir o espírito jovem, leve e irreverente da trama.

Cláudia fazia parte do núcleo moderno da história e era conhecida por seu jeito descontraído, divertido e alto-astral. Sempre cercada de amigos, ela representava a juventude urbana dos anos 1980, marcada pela vontade de curtir a vida, questionar padrões e viver com menos amarras — em contraste direto com o lado mais conservador da novela.

O apelido “Cowboy” reforçava essa aura livre e despojada da personagem, que circulava com naturalidade entre festas, encontros e situações bem-humoradas.

Para Mônica Torres, Cláudia Cowboy marcou uma fase importante de sua trajetória na TV, consolidando sua presença nas novelas da Globo e mostrando sua facilidade em compor personagens carismáticas e afinadas com o tom da história.

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Guida de Rainha da Sucata  (1990)



        Vivida por Mônica Torres, Guida é daquelas personagens que não passam despercebidas em Rainha da Sucata, novela de Sílvio de Abreu que está  no ar no Vale a Pena Ver de Novo.

Secretária de Maria do Carmo (Regina Duarte) e Renato (Daniel Filho), Guida está sempre por dentro de tudo o que acontece na Sucata — e adora uma boa fofoca. Curiosa, espirituosa e cheia de comentários afiados, ela funciona quase como uma observadora privilegiada dos jogos de poder, intrigas e confusões que movem a trama – ora para  contar ao Renato, de quem é amante, e outra  contra este que sempre a menospreza. 

Com seu jeito irônico e presença marcante, Guida ajuda a dar ritmo e leveza à novela, reforçando o tom sarcástico típico de Sílvio de Abreu. Na pele de Mônica Torres, a personagem ganha charme e personalidade, provando que até os papéis coadjuvantes podem roubar a cena.

Reencontrar Guida na reprise é um convite delicioso à nostalgia e à boa dramaturgia dos anos 90!

 

Lídia de  Salsa  e Merengue (1996)



        Lídia foi uma das figuras mais elegantes e intrigantes de Salsa e Merengue (1996), novela de MiguelFalabella, e ganhou vida com a sofisticação natural de Mônica Torres.

Chefe de viabilização de projetos nas empresas de Guilherme, o saudoso Walmor Chagas, Lídia era uma profissional competente, mas emocionalmente vulnerável. Apaixonada por Heitor (Victor Fasano), o vilão da trama, ela acabava fazendo tudo o que ele queria, mesmo quando isso significava abrir mão da própria dignidade. Essa dependência afetiva fazia com que fosse vista como alguém fraca, que se deixa usar, presa a um amor mal resolvido e claramente desequilibrado.

Apesar de transitar com elegância pelo universo corporativo e social, Lídia carregava conflitos internos profundos. Por trás da postura discreta e do comportamento contido, havia frustrações, inseguranças e uma carência emocional que aos poucos vinham à tona.

 

Su-Sukan de Estrela-Guia (2001)



        Em Estrela-Guia (2001), Mônica Torres deu vida à intensa e inquietante Su-Sukham, uma das personagens   da trama de Ana Maria Moretzsohn. Moradora da comunidade alternativa Arco da Aliança, ela surge como uma mulher profundamente ligada à espiritualidade, aos cristais, ao tarô e a um estilo de vida que rejeita os valores urbanos tradicionais.

        Mãe de Sukhi (Fernanda Rodrigues), guarda segredo sobre a identidade do pai da filha. Também carrega uma ligação profunda com Kalinda (Maitê Proença), mãe de Cristal, promessa que se transforma em obsessão após a morte da amiga.

        Ao longo da novela, Su-Sukham abandona qualquer aparência de equilíbrio e assume de vez o papel de vilã. Convencida de que age guiada por forças superiores, comete atos extremos, incluindo o uso do fogo como instrumento de “purificação”, colocando Cristal (Sandy) em perigo.

        Mônica Torres construiu uma personagem complexa, perturbadora e simbólica — mostrando como ideais aparentemente elevados podem se transformar em fanatismo. Su-Sukham é, até hoje, lembrada como um dos grandes contrapontos dramáticos de Estrela-Guia.

 

Karen de Belíssima (2005)



        Em Belíssima, novela de Sílvio de Abreu, Mônica Torres deu vida à Karen, uma personagem que soube marcar presença mesmo longe do centro absoluto da trama. Ex-modelo e sócia da agência de modelos Razzle-Dazzle, Karen vive à sombra do sucesso de Rebeca Cavalcanti (Carolina Ferraz) — e é justamente daí que nasce sua maior motivação: a inveja misturada à ambição.

Dona de um humor ácido, comentários venenosos e atitudes pouco confiáveis, Karen nunca foi uma vilã clássica, mas sim aquela figura ardilosa e oportunista, sempre pronta para dar um passo à frente se isso significasse ganhar poder ou destaque. A personagem se movimentava nos bastidores da moda, criando intrigas, alianças frágeis e conflitos que ajudavam a aquecer a narrativa.

Com sua interpretação afiada, Mônica Torres transformou Karen numa personagem irônica, divertida e incômoda, daquelas que o público adora observar — mesmo sabendo que não é flor que se cheire. Um tipo bem ao estilo sofisticado e provocador do universo de Belíssima.

 

Célia de Ribeirão do Tempo  (2010)



        Depois de  participar da segunda versão de  Ciranda de  Pedra em 2008, Mônica Torres pela primeira vez  deixa  a  Globo  e  fecha contrato com a Rede RecordTv estreando em um dos episódios da série A Lei e o Crime (2009). 

        Em 2010, ela deu vida a sofisticada, vaidosa e cheia de opiniões, Célia  uma das figuras marcantes de Ribeirão do Tempo, novela do autor Lauro César Muniz,  da RecordTV. A personagem carrega no olhar e nas atitudes o ar de quem já conheceu o mundo e nunca se adaptou totalmente à vida no interior.

Ex-modelo e dona de uma butique na cidade, Célia fazia questão de manter a elegância e o glamour, mesmo em meio à rotina simples de Ribeirãodo Tempo. Orgulhosa e um tanto esnobe, ela frequentemente demonstrava certo desprezo pelo “povinho” local, o que rendia conflitos e situações cheias de ironia.

Mãe superprotetora de Karina , vivida pela Juliana Baroni, Célia vivia em função da filha, interferindo em suas escolhas e alimentando o sonho de vê-la bem-casada, de preferência com alguém que garantisse status e conforto. Ao mesmo tempo, a personagem também enfrentava dilemas pessoais e afetivos, incluindo um envolvimento amoroso que colocava em xeque suas próprias convicções.

Entre ambições, frustrações e desejos não realizados, Célia representava o contraste entre o glamour do passado e a realidade de uma cidade pequena — um papel cheio de nuances, defendido com elegância pela atriz.

 

Susana de Apocalipse (2017)

        Em Apocalipse, novela bíblica de Vivian de Oliveira na RecordTV, Mônica Torres dá vida a Susana Aisen, uma personagem marcada por profundos conflitos humanos e espirituais.

Médica respeitada e de formação científica, Susana sempre acreditou mais na razão do que na fé. Criada em uma família de intelectuais, construiu sua vida em Nova York, onde se casou com Alan Gudman, vivido pelo saudoso Eduardo Galvaõ,  e teve dois filhos, Benjamin (Igor Ricklli) e Isabela (Paloma Bernadi). À primeira vista, parecia ter tudo sob controle — carreira sólida, família estruturada e segurança emocional.

Mas a trama mostra que nem sempre a ciência explica tudo. Ao enfrentar duras provações, especialmente ligadas aos filhos, Susana inicia uma intensa jornada de transformação espiritual. A mulher cética passa a questionar suas certezas e busca respostas que vão além da lógica, entrando em choque com o marido e com o próprio passado.

Na interpretação sensível de Mônica Torres, Susana se destaca como uma mulher forte, ética e humana, cuja fé nasce da dor, do amor e da necessidade de acreditar em algo maior. Um arco emocionante, que conecta razão e espiritualidade em uma das trajetórias mais densas da novela.


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Ana Argento de Beleza Fatal (2025)



        Em Beleza Fatal, da HBO Max e da Band, Mônica Torres entrega uma atuação poderosa como Ana Argento, uma personagem que chega para virar a trama de cabeça para baixo. Dada como morta após um misterioso desaparecimento, Ana ressurge anos depois — viva, forte e decidida a expor verdades que estavam enterradas.

Esposa do renomado cirurgião plástico Átila Argento (Herson Capri), ela revela um passado marcado por solidão, traições e dor, vivendo um casamento de fachada que escondia profundas feridas emocionais. Seu retorno não é apenas físico: é um acerto de contas. Ana confronta o marido, escancara segredos familiares e questiona a imagem de perfeição construída ao longo dos anos.

Mônica estava afastada da teledramaturgia há 4 anos e com presença marcante e discursos intensos, Ana Argento se torna um dos grandes pontos de virada da novela, simbolizando a ruptura entre aparência e verdade — um tema central da trama. Mônica Torres brilha ao dar humanidade, força e dignidade a uma mulher que se recusa a continuar invisível.

 

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Fonte:

Texto: Evaldiano de Sousa

 

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