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Meus Personagens Favoritos do Daniel Filho

O Renato Maia  de “Rainha da Sucata  no VPVN



        Daniel Filho é um dos nomes mais influentes e decisivos da história da televisão brasileira. Ator, diretor e produtor, ele construiu uma carreira marcada pela capacidade de entender o gosto do público e transformar esse olhar em sucessos duradouros, especialmente na  Globo, onde teve papel central na consolidação do padrão de teledramaturgia do país.

Como ator, Daniel Filho esteve presente em novelas e séries nos anos 1960,  1970, 1980 e 1990  sempre com interpretações seguras e carisma discreto.   O Ator está de volta  na reprise de Rainha da Sucata no Vale  a Pena Ver de Novo  vivendo um de seus personagens mais marcantes – O vilão  Renato Maia.

No entanto, foi nos bastidores que ele encontrou seu espaço definitivo. A partir da década de 1970, destacou-se como diretor de novelas e programas, ajudando a moldar uma linguagem mais ágil, moderna e próxima do cotidiano brasileiro.

    Novelas que marcaram o gênero passaram por sua direção, como Irmãos Coragem (1970) – Marco da teledramaturgia brasileira, enorme sucesso popular;  Selva de Pedra (1972) – Uma das maiores audiências da história da TV;  Pecado Capital (1975) – Retrato urbano realista, com forte apelo social; Dancin’ Days (1978) – Fenômeno cultural que influenciou moda, comportamento e linguagem entre outras.         

À frente da direção da Central Globo de Produção, Daniel Filho foi responsável por impulsionar e supervisionar alguns dos maiores sucessos da emissora, trabalhando com autores como Janete Clair, Dias Gomes e Gilberto Braga. Ele teve papel fundamental na valorização do elenco, no refinamento técnico das produções e na criação de uma televisão popular sem abrir mão de qualidade artística.

No cinema, Daniel Filho também deixou sua marca como produtor e diretor, especialmente a partir dos anos 2000, com filmes de grande apelo popular, como Se Eu Fosse Você e A Dona da História. Seu trabalho ajudou a aproximar o cinema nacional do grande público, repetindo no cinema a mesma sensibilidade que sempre demonstrou na TV.

Respeitado por diferentes gerações de profissionais, Daniel Filho é visto como um grande articulador de talentos e ideias. Sua trajetória confunde-se com a própria história da televisão brasileira, e sua influência segue perceptível na forma como novelas, séries e filmes são pensados e produzidos até hoje.

No  post de hoje vamos homenagear o ator Daniel Filho, pegando carona no sucesso de Rainhada Sucata no VPVN, relembrando seus outros trabalhos  na frente das câmeras em nossa teledramaturgia.

 

João Gabriel de Espelho Mágico (1977)



        Na novela Espelho Mágico (1977), de Lauro César Muniz, Daniel Filho deu vida a João Gabriel, um dos personagens centrais  da trama.  João Gabriel é o   diretor de televisão  da novela fictícia Coquete de Amor que se passava dentro de Espelho Mágico,  culto, idealista e inquieto, que vive em constante conflito entre seus princípios artísticos e as exigências comerciais da emissora onde trabalha. Através dele, Lauro César Muniz construiu uma crítica sofisticada aos bastidores da TV, abordando temas como censura, vaidade, jogos de poder, concessões éticas e o choque entre criação autoral e interesses empresariais.

        O  personagem foi espécie de alter ego  do Daniel Filho.  Ao fazer um balanço de Espelho Mágico, ele  externou que sua crítica maior era em relação a Coquetel de Amor, à forma como que outros profissionais foram atingidos, criticados:
“Se a gente tivesse feito, ao invés de Coquetel de Amor – uma coisa que ficou tão distante, tão velha, tão ridícula – se tivéssemos feito uma bela comédia de uma antiga novela (…) que pudesse mostrar não um paralelo, mas levar a dizer ‘Veja como a execução dessa novela é boa, veja o que se passava na vida desses atores enquanto faziam a novela’.”

“A intenção nossa não era dividir águas de ‘eu faço novela bem, você faz mal’. Houve uma reação muito grande em relação a que nós estaríamos criticando, ferindo óticas ou machucando. (…) O Coquetel de Amor se tornou para mim, para o Lauro e para o Gonzaga [Blota, também diretor] como se tivéssemos entrado numa espiral sem conseguir sair. Não dava pra recuar.” (jornal O Globo, 06/12/1977, *).

Questionado até que ponto João Gabriel, o diretor de Coquetel de Amor, era Daniel Filho, o diretor respondeu:
“Era totalmente Daniel. A única diferença é que Daniel Filho não dirigiria Coquetel de Amor. Em hipótese alguma eu colocaria aquele trabalho no ar.” (jornal O Globo, 06/12/1977, *).

 

Rubinho de Vale Tudo (1988)



        Rubinho é um daqueles personagens que marcaram Vale Tudo,   mesmo com uma participação curta. Ele aparece em alguns capítulos da novela do GilbertoBraga, a primeira  versão  exibida originalmente em 1988, cumprindo uma função dramática importante dentro da narrativa.

Rubinho é apresentado como um homem comum, ligado ao núcleo da Maria de Fátima , vivida  pela Glória Pires, vivendo seu pai, um músico decadente que  procura subir na vida e  que por  esta nessa  situação envergonha a filha interesseira.

A escalação de Daniel Filho — já então um nome fortíssimo da televisão, mais associado à direção e à produção — foi um atrativo à parte. Em cena, ele imprime sobriedade e naturalismo ao personagem, fazendo de Rubinho uma figura verossímil, que poderia facilmente existir naquele universo realista criado por Gilberto Braga.

 

Bergeron de Que Rei Sou Eu? (1989)



        Bergeron Bouchet é um dos personagens mais emblemáticos de Que Rei Sou Eu? (1989), sátira afiada de Cassiano Gabus Mendes que marcou época no horário das sete da  Globo no final dos anos 80.

Conselheiro da Moeda do Reino de Avilan, Bergeron surge como voz dissonante em meio a uma corte corrupta e oportunista. Honesto, idealista e preocupado com as injustiças sociais, ele representa o político que tenta fazer o certo em um sistema que insiste em premiar a esperteza e punir a ética.

Casado com Madeleine (Marieta Severo), uma mulher à frente do seu tempo, Bergeron forma com ela um dos casais mais simbólicos da trama — ambos guiados por valores, inteligência e senso crítico.

Sua trajetória é também uma das mais trágicas e contundentes da novela: perseguido justamente por ser íntegro, Bergeron expõe o absurdo de um poder que elimina quem tenta mudá-lo.  Ela acaba sendo eliminado pelos corruptos do  Castelo de Avilan que , acreditam ser ele o grande e empecilho para  a farra de corrupção do reino. Dado como morto, ele volta de máscara e desmemoriado   lutando por  justiça.

Com interpretação segura e carismática, Daniel Filho ajudou a transformar Bergeron em símbolo de resistência moral, reforçando o humor político inteligente que fez de Que Rei Sou Eu? um clássico sempre atual.

 

Renato Maia de Rainha da Sucata (1990)



        Na reprise de Rainha da Sucata , atualmente no Vale a Pena Ver de Novo, um personagem volta a chamar atenção do público: Renato Maia, vilão interpretado por Daniel Filho na novela de Silvio de Abreu.

Elegante, articulado e aparentemente confiável, Renato surge como o típico executivo bem-sucedido, mas por trás da pose sofisticada esconde um homem movido pela ambição e pela vingança. Ao se aproximar de Maria do Carmo (ReginaDuarte) como administrador de seus negócios, ele passa a agir nas sombras, arquitetando golpes e manipulando situações para se beneficiar financeiramente.

O grande trunfo do personagem está justamente no contraste: Renato não é um vilão explosivo, mas frio, calculista e sedutor, daqueles que traem com um sorriso no rosto. Aos poucos, a trama revela que seu ódio tem raízes profundas no passado, dando camadas dramáticas ao antagonista.

A atuação de Daniel Filho confere peso e credibilidade ao personagem, transformando Renato Maia em um dos vilões mais marcantes da novela — um retrato clássico do antagonista urbano dos anos 90, criado sob medida pelo texto afiado de Silvio de Abreu.

Reencontrar Renato Maia na reprise é revisitar um vilão que ajudou a elevar o nível do conflito em Rainha da Sucata e marcou época na teledramaturgia brasileira.

 

Salomão Garcia de A  Justiceira (1997)


        Salomão, personagem interpretado por Daniel Filho na série A Justiceira (1997), era o juiz que liderava a organização secreta dedicada a combater o crime quando as instituições oficiais já não davam conta do problema. Diferentemente da ideia de ambiguidade criminosa, Salomão ocupava o papel de mentor e articulador moral do grupo, sendo o cérebro por trás das operações conduzidas pela protagonista Diana, vivida  pela Malu Mader.  

 O fato de Daniel Filho também ser o diretor da série ajudou a dar ainda mais consistência ao personagem. Salomão funcionava como o eixo moral e narrativo de A Justiceira, simbolizando a luta contra o crime a partir de dentro do sistema — ainda que, para isso, fosse necessário tensionar os próprios limites da lei.

 

Salomão Hayalla de O Astro (2011)



        Salomão Hayalla foi um dos personagens mais emblemáticos do remake de O Astro, exibido pela Globo em 2011. Criado originalmente por Janete Clair e reescrito por Alcides Nogueira (com Geraldo Carneiro), o personagem surge como um empresário poderoso, rígido e autoritário, dono do Grupo Hayalla, um império construído com pulso firme — e pouca afeição.

Nesta nova versão, Salomão ganha contornos ainda mais duros: é um patriarca temido, que controla a família e os negócios com mão de ferro, acumulando desafetos por todos os lados. Sua relação conflituosa com o filho Márcio (Thiago Fragoso)  e o casamento desgastado com Clô (ReginaDuarte) ajudam a desenhar um homem incapaz de lidar com fragilidades — próprias ou alheias.

A interpretação de Daniel Filho deu ao personagem um peso simbólico especial. Diretor da primeira versão da novela nos anos 1970, ele retorna agora em cena, construindo um Salomão mais seco, intenso e ameaçador, distante do tom mais carismático da versão original.

Como manda a tradição de O Astro, a morte de Salomão Hayalla é o grande motor da trama. O assassinato do magnata desencadeia um jogo de suspeitas, mentiras e revelações, consolidando o personagem como o centro do suspense da novela — mesmo após sua saída de cena.

 

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Fonte:

Texto: Evaldiano de Sousa

Pesquisa: www.wikipedia.com.br  www.memoriaglobo.com.br

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