Com Dona de Mim entrando em sua reta final, chega também o
momento de olhar para trás e celebrar os personagens que marcaram a trajetória
da novela da autora Rosanne Svartmann
e conquistaram o público do início ao
fim. Ao longo da trama, a força do texto e das interpretações deu vida a
figuras complexas, carismáticas e cheias de nuances, que sustentaram os
conflitos, as emoções e as grandes viradas da história.
Entre
os destaques estão Suely Franco e Tony Ramos, dois pilares de
experiência e presença cênica, além de Cláudia Abreu, que entregou uma
personagem intensa e cheia de camadas. A nova geração também brilhou com Felipe
Simas e Giovanna Lancelloti, trazendo frescor e envolvimento
emocional à narrativa. Merecem aplausos ainda Elis Cabral, na delicada e
marcante Sofia, e Clara Moneke, que conquistou espaço e carinho
do público com sua primeira protagonista,
entre outros.
Neste
post, relembro cada um desses personagens que ajudaram a fazer de Dona de Mim uma
novela memorável em sua caminhada rumo ao desfecho final.
Suely Franco
/ Rosa
Suely Franco vive
um momento especial em sua carreira ao interpretar Rosa na novela Dona de Mim, da Rosane
Svartmann, papel que marcou o público pela sensibilidade e
autenticidade da atriz. Reconhecida por sua longa trajetória na televisão, no
teatro e no cinema, Suely trouxe para a personagem uma mistura perfeita de
doçura, força e humanidade, características que a transformaram em um dos
destaques da produção. Aos 85 anos, a atriz emociona o público com
uma atuação que transborda verdade em cada olhar perdido, pausa dolorosa,
lampejo de lucidez da personagem que encara a doença de Alzheimer de frente. O
sucesso da Rosa reforçou o prestígio de Suely Franco como uma
das grandes damas da dramaturgia nacional. Sua performance é aula de
interpretação — um retrato vivo de uma artista que, mesmo após décadas de
carreira, continua se reinventando e emocionando gerações.
Tony Ramos
/ Abel
Em Dona de Mim, TonyRamos mais uma vez prova por que é um dos maiores nomes da teledramaturgia
brasileira. Como Abel Boaz, o ator entrega uma atuação madura, intensa e cheia
de nuances, transformando o personagem em um dos grandes destaques da novela,
especialmente agora que a trama caminha para sua reta final.
Abel é um homem marcado
por escolhas difíceis, conflitos familiares e dilemas morais profundos — e o Tony Ramos conduziu cada cena com uma
naturalidade impressionante. O ator dá humanidade ao personagem, equilibrando
firmeza, sensibilidade e emoção, fazendo com que o público compreendesse suas contradições e se envolva com sua
jornada.
O crime que vitimou Abel
marcou um dos momentos mais impactantes e decisivos de Dona de Mim. A morte do personagem funcionou
como um verdadeiro ponto de virada na narrativa, encerrando um ciclo importante
da história e abrindo espaço para novas tensões e revelações da novela.
O
assassinato não surge apenas como um
choque emocional para o público, mas como um acontecimento cuidadosamente
construído ao longo da trama. Cercado de conflitos familiares, disputas de
poder, segredos mal resolvidos e relações marcadas por ressentimentos, Abel
acumulou inimigos e situações-limite, o
que tornou o crime um elemento catalisador de tudo aquilo que estava latente na
história.
Do ponto de vista
narrativo, a morte do personagem é fundamental para a fluidez da história. Acelerou
o ritmo, reorganizou os núcleos e
redefiniu os rumos de vários personagens, que passam a agir movidos pela culpa,
pela ambição, pela sede de justiça ou pelo desejo de vingança. A ausência de
Abel criou um vazio dramático que movimentou Dona de Mim , impedindo
que o enredo se acomodasse, apesar
do esticamento da trama.
Cláudia Abreu
/ Felipa
Com uma entrega intensa e cheia de nuances, Cláudia Abreu se destacou
como um dos grandes acertos da
novela Dona de Mim. A
atriz mostra mais uma vez por que é considerada uma das maiores intérpretes da
televisão brasileira: seu domínio de cena, olhar expressivo e capacidade de
emocionar colocam sua atuação entre os pontos altos da trama.
A personagem se destaca justamente por sua dualidade
intensa: ao mesmo tempo em que exibe fragilidade, insegurança e carência
afetiva, Felipa também revela traços de ambição, controle e atitudes moralmente
questionáveis, que movimentam o enredo e provocam o público.
Felipa
não é vilã clássica nem heroína absoluta — e é aí que mora o sucesso. A
personagem transita com naturalidade entre o afeto genuíno e decisões egoístas,
criando camadas que enriquecem seus entrechos.
Essa
ambiguidade faz de Felipa uma figura humana, real e imprevisível, capaz de
gerar empatia e rejeição na mesma proporção. O público se vê constantemente
dividido: compreender suas dores ou condenar suas escolhas? Essa tensão foi fundamental para a força dramática da novela.
Felipe Simas /
Danilo
Felipe Simas
construiu em Dona de Mim um dos personagens mais intrigantes da novela:
Danilo. À primeira vista, ele surge como um homem correto, sensível e disposto
a apoiar quem está ao seu redor. No entanto, com o avanço da trama, o público
percebe que há muito mais por trás desse comportamento aparentemente
irrepreensível.
A
grande força de Danilo está justamente em seu lado dúbio. O personagem oscila
entre atitudes nobres e escolhas questionáveis, revelando conflitos internos,
ambições mal resolvidas e decisões que colocam em xeque sua real índole. Felipe
Simas imprime nuances precisas a esse jogo duplo, fazendo com que o
telespectador nunca tenha certeza de até onde vai a sinceridade — e onde começa
a manipulação.
Outro
ponto alto é a dobradinha cênica com Cláudia Abreu, que interpreta a
complexa Felipa. Em cena, os dois estabelecem uma relação carregada de tensão,
silêncios e subtextos. O embate ou cenas
de amor entre Danilo e Felipa é sempre
eletrizante: ela, intensa e imprevisível; ele, calculado e ambíguo. Juntos,
elevam o nível dramático da novela, entregando diálogos afiados e confrontos
emocionais que prendem a atenção do público.
Na
reta final de Dona de Mim, Danilo se
consolida como um personagem-chave, daqueles que dividem opiniões e movimentam
a história. Felipe Simas mostra maturidade artística ao apostar na
ambiguidade, provando que o sucesso do personagem está justamente em não ser
fácil de decifrar.
Giovanna Lancelloti
/ Kami
Giovanna
Lancellotti sempre
tão distante das novelas, voltou em Dona de Mim
para nos entregar uma de suas atuações mais sensíveis ao viver Kami,
uma personagem que cresceu
dramaturgicamente diante dos
olhos do público. Introduzida inicialmente com traços de leveza e
espontaneidade, Kami ganha densidade ao longo da trama, revelando camadas
emocionais cada vez mais profundas.
O
ponto de virada da personagem acontece quando a novela aborda, com respeito,
delicadeza e seriedade, a violência
sexual sofrida pela personagem. A narrativa evita o sensacionalismo e aposta no
impacto humano da situação: o silêncio, o medo, a culpa injusta e o processo
doloroso de reconhecer-se como vítima. Giovanna conduziu esse arco com atuação contida, olhar
fragilizado e gestos mínimos, tornando o sofrimento da personagem ainda mais
real e próximo do espectador.
O
trabalho da atriz foi reconhecido pela
crítica, o grande público e o público do e10blog que a elegeu como a melhor atriz Coadjuvante do ano.
Elis Cabral
/ Sofia
Em meio a um elenco experiente e a uma trama repleta de
conflitos intensos, um dos grandes destaques de Dona
de Mim atende pelo nome de Elis
Cabral. A atriz mirim conquistou o público ao dar vida à Sofia,
personagem que se tornou um verdadeiro ponto de afeto e sensibilidade na novela
das sete.
Com
uma atuação surpreendentemente madura para a idade, Elis imprime verdade,
naturalidade e emoção em cada cena. Sofia não é apenas a criança da história:
ela funciona como elo emocional entre os personagens, muitas vezes sendo o
olhar mais puro diante de situações duras, perdas e silêncios que marcam a novela.
Elis
Cabral demonstra um timing cênico admirável, sabendo ouvir em cena, reagir com
o olhar e emocionar sem exageros — algo raro e valioso, sobretudo em
personagens infantis. Sua presença ilumina os capítulos e reforça a força da
novela em equilibrar drama e ternura. Uma atuação que não apenas encanta, mas
também deixa claro que estamos diante de um nome promissor da dramaturgia
brasileira.
Clara Moneke / Léo
Deixei a Clara Moneke como sétima na lista, mesmo
sendo a protagonista, por que é fato que
a Léo teve alguns problemas até aqui.
Clara Moneke conquistou o público ao dar vida à
carismática Léo em Dona de Mim. Desde
suas primeiras aparições, a atriz mostrou mais uma vez por que é um dos grandes
nomes da nova geração: presença forte, timing certeiro e uma naturalidade que
faz o personagem saltar da tela. Léo surgiu como um sopro de frescor na trama,
trazendo leveza, humor e sensibilidade, além de um carisma que rapidamente caiu
nas graças dos telespectadores.
O
sucesso da atuação, no entanto, contrasta com um ponto que muitos críticos sentiram ao longo da novela: em boa parte da
história, Léo acabou sendo apagada pela condução do roteiro. Mesmo com o
talento evidente de Clara Moneke, a personagem passou longos períodos
sem o destaque que merecia, ficando à margem de conflitos centrais e grandes
viradas da trama.
Ainda
assim, quando Léo voltou a ganhar espaço, nesta reta final, ficou claro o quanto sua
presença faz diferença. Clara Moneke segura o personagem com verdade e
energia, provando que, mesmo quando o texto limita, uma atriz carismática
consegue marcar. Léo pode até ter sido subaproveitada em certos momentos de Dona de Mim, mas o brilho da atriz permaneceu
intacto — e reforçou seu status de atriz em ascensão, pronta para voos ainda
maiores.
Juan Paiva
/ Samuel
Juan Paiva surpreendeu ao trilhar um caminho bem
diferente do que o público estava acostumado a ver em sua trajetória. Samuel
não é um personagem de explosões, arroubos ou grandes viradas em cena — pelo
contrário. Trata-se de uma atuação contida, introspectiva, quase toda
construída “pra dentro”.
E
talvez exatamente por isso tenha soado estranho num primeiro momento. Juan
Paiva é um ator associado à intensidade, à presença cênica forte, a
personagens que ocupam o espaço com emoção à flor da pele. Com Samuel, ele faz
o movimento oposto: silêncios prolongados, olhares carregados de subtexto,
gestos mínimos que dizem mais do que discursos inteiros.
Um
trabalho que pode causar estranhamento justamente por vir de quem vem, mas que
amplia o alcance e a versatilidade de Juan Paiva como intérprete.
Aline Borges
/ Tânia
Depois de personagens do bem e outros dúbios, chegou a vez de uma vilã com “V” maiúsculo na trama de Dona de Mim -
Aline Borges que vem dando vida a Tânia.
Aline Borges, já conhecida das séries dos streamings, chamou atenção
ao dar vida à grande vilã da trama. Com uma presença cênica forte e
segura, a personagem se impôs rapidamente como uma força desestabilizadora da
novela, despertando reações intensas do público e movimentando os conflitos
centrais da história.
A
atuação de Aline é marcada por firmeza, olhar calculado e um tom que equilibra
frieza e manipulação — ingredientes clássicos de uma vilã eficaz. Em cena, ela
demonstra domínio do texto e consciência dramática, sustentando embates
importantes e se destacando mesmo ao contracenar com atores experientes do
elenco.
Fora
da ficção, no entanto, a atriz acabou envolvida em uma polêmica: a ausência de
registro profissional de atriz (DRT). O tema gerou debates nas redes e no meio
artístico, levantando discussões sobre regulamentação da profissão,
oportunidades no audiovisual e os critérios de escalação na televisão. Logo a atriz confirmou que tem o registro
profissional sim desde 2001.
Apesar
do ruído externo, o fato é que, Aline
Borges entrega um trabalho que conversa diretamente com o público e cumpre
bem a função dramática da personagem e ganha
um novo status para sua carreira de mais de 20 anos.
Humberto Morais
/ Marlon
Humberto
Morais, o protagonista Marlon de Dona de Mim, estreava como
tal na trama. Praticamente jogada
as feras. Antes da trama Humberto havia
estreado como ator na tv na trama de Poliana Moça (2022),
no SBT e em 2 séries dos streamings – Sutura (2024) e DNA do Crime (2025).
Humberto Morais chegou a Dona
de Mim com impacto. Na estreia,
Marlon se apresentou como um personagem promissor: presença forte, aura de
mistério e um potencial dramático que chamou atenção do público. Havia ali a
expectativa de um antagonista ou, ao menos, de uma figura-chave capaz de
tensionar a trama e movimentar conflitos importantes.
O
problema é que, com o avanço da novela, Marlon acabou ficando à deriva dentro
do roteiro. O personagem foi perdendo espaço, suas motivações não se
desenvolveram e os ganchos lançados no início praticamente não tiveram
continuidade. Em uma história repleta de figuras complexas e bem trabalhadas, Malon
passou a existir quase como coadjuvante de luxo, sem função clara na engrenagem
narrativa.
Ainda assim, Humberto
Morais fez o que estava ao seu alcance. Mesmo com pouco material, o ator
manteve uma atuação segura, elegante e coerente, sustentando a personalidade do
personagem sempre que surgia em cena.
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Fonte:
Texto: Evaldiano de Sousa

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