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Enquete e10blog

Meus Personagens Favoritos do Tony Ramos (Parte 2)

O  Abel de  Dona de Mim e  o Edu de “Rainha da Sucata” no VPVN



        Mas do que merecido iniciar um  ano novem com um nome de peso  da nossa teledramaturgia.  Tony Ramos  é aquele tipo de ator  que por mais que já o tenhamos visto fazendo os mais diversos tipos de personagens,  ele sempre nos surpreende a cada novo trabalho.  

        São sessenta  anos de carreira e mais de cem personagens na tv, teatro e cinema.

        Em Dona de Mim, Tony voltou a emocionar como Abel, personagem carregado de humanidade e conflitos, reafirmando sua força cênica mesmo após décadas de estrada.

Mas esse é apenas mais um capítulo de uma galeria inesquecível que inclui  ao longo da carreira protagonistas memoráveis  como os  gêmeos João Victor e Quinzinho em Baila Comigo (1981), o surdo-mudo Abel em Sol de Verão (1982), deu vida ao emblemático Riobaldo na minissérie Grande Sertão: Veredas (1985), interpretou o injustiçado Cristiano Vilhena no remake de Selva de Pedra (1986), o playboy Edu Figueroa em Rainha da Sucata (1990), atualmente em reprise no VPVN,  o comerciante Juca em A Próxima Vítima (1995), o vingativo Clementino em Torre de Babel (1998), o intelectual Miguel  em Laços de Família (2000) e o saxofonista Téo  em Mulheres Apaixonadas (2003).

        Os mais recentes  como o  intenso Braga, de O Rebu (2014); o complexo Zé Maria, de A Regra do Jogo (2015),  o impagável Abel Zebu, da série  Vade Retro (2017); o romântico José Augusto, de Tempode Amar (2017); o controverso Olavo, de O Sétimo Guardião (2018);  o carismático Madurão, de Encantados (2022 / 2024) e o marcante Antônio La Selva, de Terra e Paixão (2023).

        Personagens diferentes entre si, mas unidos pela assinatura inconfundível de um ator que transforma cada papel em memória afetiva para o público. Tony Ramos não apenas interpreta: ele permanece.

        Além da admiração por seu talento, o ator também desperta respeito por seu posicionamento diante da sociedade,  sempre engajado em campanhas que fizeram história no Brasil.

        No segundão post sobre o ator da série MEUS PERSONAGENS FAVORITOS, o e10blog abre espaço para celebrar um nome que atravessa gerações e permanece sempre atual. Dono de uma carreira sólida e versátil, o ator construiu personagens que marcaram época, transitando com naturalidade entre o drama, o humor e os tipos mais populares.

        Sucesso na Tv,  na publicidade, na vida real ,  Tony Ramos é um ícone da teledramaturgia nacional. Chegar a uma lista de 10 personagens para homenageá-lo foi  uma das tarefas mais difíceis que já fiz para o  e10blog. Por isso ele ganha agora essa segunda parte relembrando outros grandes  personagens da história do ator que  ficaram de  fora do primeiro.

 

Braga de O Rebu (2014)



        No remake de O Rebu (2014), do autor Bráulio Pedroso reescrito  por  Sérgio Goldenberg e George Moura, Tony Ramos deu  vida ao Carlos Braga Vidigal, um dos personagens mais densos e inquietantes da trama. Distante do arquétipo do galã que marcou boa parte de sua carreira, o ator construiu um vilão elegante, contido e profundamente humano.

Braga é um empresário poderoso, dono da Braga Engenharia e sócio de Ângela Mahler (PatríciaPillar) , personagem-chave da história. À primeira vista, ele exala respeitabilidade: homem de família, bem-sucedido e influente. Porém, à medida que a narrativa avança, o verniz cai e revela um sujeito ambicioso, corrupto e disposto a tudo para proteger seus interesses.

Envolvido em esquemas de corrupção e fraudes em licitações, Braga vive em permanente tensão, principalmente quando percebe que pode ser denunciado. Esse medo o leva a atitudes cada vez mais extremas, mostrando como o personagem é movido mais pela autopreservação do que por qualquer traço de arrependimento.

Braga é, sem dúvida, foi um dos destaques de O Rebu: um antagonista à altura do clima sombrio e psicológico da novela, e mais uma prova da versatilidade de Tony Ramos, que brilhou ao explorar o lado mais obscuro do ser humano.

 

Zé Maria de A Regra do Jogo (2014)



        Zé Maria foi um dos personagens mais impactantes de A Regra do Jogo (2015), novela de JoãoEmanuel Carneiro, e marcou uma virada ousada na carreira de Tony Ramos.

Na trama, Zé Maria se revelou como o grande vilão oculto da história, líder da facção criminosa que se escondia por trás de uma imagem aparentemente discreta e até submissa. Durante boa parte da novela, o personagem surgiu como um homem simples, reservado e de poucos gestos — o que tornava sua verdadeira identidade ainda mais chocante quando veio à tona.

A atuação de Tony Ramos foi amplamente elogiada justamente por fugir do estereótipo: Zé Maria não era um vilão caricato, mas alguém frio, calculista e silencioso, capaz de causar medo apenas com o olhar e pequenas atitudes. Essa dualidade — entre o homem comum e o criminoso implacável — deu profundidade ao personagem e sustentou um dos maiores mistérios da novela.

 

Abel Zebu de Vade Retro (2017)



        Abel Zebu é um dos personagens mais divertidos e escrachados da carreira de Tony Ramos na televisão. Protagonista da série Vade Retro (2017), criada por Alexandre Machado e Fabio Danesi, ele surge como um empresário milionário, carismático e absolutamente sem escrúpulos — que, aos poucos, revela ser nada menos que o próprio diabo em versão tropical.

Com um humor afiado e cheio de ironia, Abel Zebu é sedutor, debochado e adora manipular pessoas e situações em benefício próprio. Tony Ramos se entrega completamente à farsa, explorando um registro cômico raro em sua trajetória, com exageros calculados, timing perfeito e uma liberdade cênica que surpreendeu crítica e público.

Grande parte do sucesso de Vade Retro se deve à química irresistível entre TonyRamos e Mônica Iozzi, que vive a advogada Celeste, uma mulher ética, espirituosa e constantemente colocada à prova pelas artimanhas de Abel. O embate entre os dois — ele, a personificação do mal disfarçada de charme; ela, a voz da razão em meio ao caos — rende diálogos afiados, situações absurdas e um humor que flerta com a sátira social.

 

José Augusto de Tempo de Amar (2017)



        José Augusto é um dos personagens centrais de Tempo de Amar (2017), novela das seis escrita por Alcides Nogueira, que marcou mais um trabalho elegante e sensível de Tony Ramos no horário.

Na trama de época ambientada no início do século XX, José Augusto é um homem íntegro, culto e de valores firmes, pertencente a uma tradicional família portuguesa. Ele representa o equilíbrio entre a razão e o sentimento, sempre guiado por princípios como honra, responsabilidade e respeito — características muito presentes nos personagens clássicos das novelas das seis.

O grande arco dramático de José Augusto está ligado ao seu amor profundo pela filha  Maria Vitória (Vitória Strada).

TonyRamos imprimiu ao papel uma interpretação contida, cheia de nuances, apostando mais nos olhares e silêncios do que em grandes arroubos dramáticos. José Augusto se torna, assim, uma figura de apoio emocional e moral na narrativa, funcionando quase como um porto seguro em meio aos conflitos amorosos e familiares da novela.

A dobradinha de Tony Ramos e Marisa Orth em Tempo de Amar foi um dos grandes acertos da novela e rendeu momentos de rara delicadeza e humanidade na trama das seis.

José Augusto, o homem sério, ético e contido, enquanto Marisa Orth dava vida a Delfina, uma mulher forte, prática e cheia de personalidade. À primeira vista, os dois pareciam opostos: ele reservado e guiado pela razão; ela direta, emotiva e sem medo de dizer o que pensa. Justamente desse contraste nasceu a química da parceria.

 

Olavo de OSétimo Guardião (2018)



        Na trama,  de  O SétimoGuardião, do Aguinaldo Silva, Olavo surge como um empresário poderoso e inescrupuloso, movido pela ambição sem limites. Seu grande objetivo é descobrir e se apropriar do segredo da fonte milagrosa de Serro Azul, que garante longevidade e prosperidade à cidade e é protegida pelos sete guardiões. Diferente de vilões explosivos, Olavo age nas sombras, manipulando pessoas e situações com inteligência e cinismo.

Tony Ramos construiu Olavo com uma sobriedade inquietante: um personagem de fala mansa, olhar calculista e gestos contidos, o que tornava suas atitudes ainda mais perigosas. Era o tipo de antagonista que não precisava gritar ou ameaçar — seu poder vinha do controle psicológico e da articulação fria dos próprios interesses.

Mesmo em meio à trama complexa, fragmentada e repleta de polêmicas que marcou O Sétimo Guardião, o Olavo, vivido por Tony Ramos, conseguiu se destacar de forma consistente.

 

Madurão de Encantado´s (2022 / 2024)



        Em Encantado’s, série criada por Renata Andrade e Thais Pontes, Tony Ramos surge em um registro diferente e delicioso ao dar vida a Madurão (Djalma Durão), um dos personagens mais marcantes da primeira temporada.

Madurão é um contraventor poderoso do bairro, ligado ao jogo do bicho e dono de diversos negócios — entre eles, a fábrica de gelo Geloba. Ambicioso, vaidoso e cheio de si, ele sonha alto: comprar o terreno do supermercado Encantado’s para construir um cassino clandestino, entrando em rota direta de colisão com os protagonistas da trama.

O personagem mistura ameaça e comicidade. Ao mesmo tempo em que impõe respeito, Madurão também diverte com seus exageros, sua preocupação com a aparência (incluindo a famosa peruca) e seu jeito quase caricato de exercer poder.

Tony Ramos se destaca justamente por isso: transforma Madurão em um antagonista popular. Na segunda temporada, o personagem perde espaço, mas sua passagem por Encantado’s fica marcada como mais um papel memorável na longa galeria de personagens do ator.

 

Antônio La Selva de Terra e Paixão (2023)



        Antonio La Selva foi um dos  personagens de  Terra e Paixão (2023), novela do Walcyr Carrasco que misturou drama rural, conflitos familiares e jogos de poder no horário nobre da Globo.

Na trama, Antônio de La Selva é apresentado como um poderoso fazendeiro, dono de terras, autoritário e extremamente ambicioso. Patriarca da família La Selva, ele construiu seu império à base de controle absoluto, violência emocional e uma obsessão quase doentia pelo poder. Antônio é daqueles personagens que acreditam que tudo — e todos — podem ser comprados ou dominados.

Tony Ramos deu ao vilão uma composição densa e cheia de camadas. Antônio não era apenas cruel: era frio, calculista e, ao mesmo tempo, movido por frustrações, orgulho ferido e uma necessidade constante de afirmar sua superioridade. Seu relacionamento com os filhos Caio  (Cauã Reymond), Daniel (Johnny Massaro),  e Petra (Debora Ozório), foi marcado por manipulação, desprezo e abuso psicológico, tornando-o um dos pais mais tóxicos da teledramaturgia recente.

O personagem reafirmou a versatilidade de Tony Ramos, que, após décadas consagrado como galã e mocinho, mostrou mais uma vez sua força ao interpretar um vilão clássico, intenso e memorável. Antônio de La Selva entrou para a galeria de personagens marcantes da carreira do ator e da obra de Walcyr Carrasco.

 

Abel de Dona de Mim (2025)



        Na atual novela das sete, Donade Mim, Tony Ramos dá vida a Abel, um personagem que carrega o peso da tradição, da família e das escolhas difíceis. Empresário respeitado, ele é o pilar do núcleo central da trama, alguém que sempre colocou o dever acima dos próprios sonhos.

O personagem também se destaca pela força dramática: suas relações, especialmente dentro da família, movem grandes conflitos da história. E quando o destino lhe impõe um desfecho trágico, Abel se torna um verdadeiro divisor de águas na novela, impactando profundamente o rumo dos acontecimentos e dos personagens ao seu redor.

Mesmo com uma participação marcada pela intensidade, Abel reforça mais uma vez a habilidade de Tony Ramos em criar personagens humanos, fortes e memoráveis. Um daqueles tipos que saem de cena, mas continuam presentes na alma da trama.

 

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Fonte:

Texto: Evaldiano de Sousa

 

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