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Meus Personagens Favoritos do Murilo Benício (Parte 2)

O Ferrete de “Três Graças”



        Murilo Benício está de volta ao horário nobre  como  vilã Ferrete na trama de Três Graças, do Aguinaldo  Silva, autor que aliás, lhe deu  seu primeiro personagem, em 1993 , o Fabrício na trama de Fera Ferida.

        Ferette é um empresário rico e filantropo aos olhos do público — ele dirige uma fundação —, mas por trás disso esconde um esquema criminoso: corrupção, remédios falsificados, poder e manipulação. Murilo descreve o personagem como “um universo um pouco descolado da realidade, muito próprio”. Logo nas primeiras cenas  sua dobradinha  com a Grazzi Massafera  que faz sua amante, a também vilã Arminda, vem sendo  um dos  pontos fortes  de Três Graças.



        Com mais de três décadas de carreira, Murilo Benício se consolidou como um dos atores mais respeitados e queridos da teledramaturgia brasileira. Desde sua estreia na TV, ele chama atenção pela capacidade de se reinventar e dar vida a personagens intensos, carismáticos e cheios de nuances.

Ao longo dos anos, Murilo brilhou em produções icônicas, como O Clone (2001), América (2005), Avenida Brasil (2012), Amor de Mãe (2019),  Pantanal(2022)  entre outras , interpretando papéis que entraram para a história da televisão. Seu domínio em cenas dramáticas, aliado a um timing cômico preciso, faz dele um artista completo — capaz de transitar entre romance, humor e emoção com naturalidade.

Além do sucesso nas novelas, ele também se destacou no cinema e em séries, mostrando sua força em diferentes formatos. Sempre dedicado, Murilo construiu uma carreira sólida, repleta de personagens marcantes e interpretações que conquistam o público e a crítica.

Hoje, continua sendo um nome essencial nas produções da Globo, sempre despertando expectativa a cada nova participação. Murilo Benício é, sem dúvidas, um daqueles atores que transformam cada personagem em um momento inesquecível.



O Ator  já teve um post  de seus  melhores personagens lançados aqui no e10blog  em 2013, que você pode rever aqui, agora  mais  de 10 anos depois ele ganha  o segundo, mais que merecidamente.

 

Tufão de Avenida Brasil (2012)



        Fiquei revoltado quando o Murilo Benício “roubou” o troféu de Melhores do Ano do Domingão  do Marcelo Novaes, afinal o que o Tufão foi para AvenidaBrasil (2012) comparado ao Max ?

        Mas  hoje  reconheço  o grande brilho do papel está justamente no contraste: Tufão é forte no campo e vulnerável na vida pessoal; um homem de moral sólida que — sem perceber — vive cercado de mentiras. Murilo Benício constrói um personagem cheio de nuances, emocionalmente verdadeiro e, acima de tudo, profundamente humano.

        A importância dele  foi tão grande   que, ele já é um dos primeiros escalados  para  a continuação da trama que a Globo declarou que vai produzir  em  2027. 

 

Jaime de Amores Roubados (2014)



        O personagem Jaime em AmoresRoubados (2014), minissérie do autor George Moura, inspirado em “A Emparedada da Rua Nova”, de Carneiro Vilela,  é um dos pontos de equilíbrio emocional e moral da minissérie. Embora não seja o protagonista, ele tem um papel fundamental na teia de conflitos que marca a narrativa.

        Jaime é um empresário de personalidade calma, discreta e sensível, casado com Isabel (Patrícia Pillar). Ele vive uma relação aparentemente estável, mas carrega inseguranças profundas, especialmente diante do charme e da presença de Leandro (Cauã Reymond), o sedutor que abala toda a estrutura familiar e social do sertão pernambucano.

        Murilo entrega um Jaime contido, introspectivo, mas sempre com tensão à flor da pele. Sua interpretação foi muito elogiada justamente pela delicadeza e pela capacidade de transmitir dor, desconfiança e fragilidade sem recorrer a exageros cênicos, o que  é marca registrada  do ator. 

 

Jonas Marra de Geração Brasil (2014)



        Jonas Marra é um gênio da tecnologia, uma espécie de “Steve Jobs brasileiro”, que deixou o Brasil ainda jovem para fazer carreira no Vale do Silício. Visionário, carismático e excêntrico, ele se tornou fundador da poderosa empresa Marra Brasil, referência mundial em inovação, softwares e dispositivos futuristas. Esse  é o personagem que  o Murilo Benício viveu na trama de Geração Brasil, dos autores Felipe Miguez e Isabel de Oliveira.

        Murilo Benício recebeu elogios pela capacidade de transitar entre o humor debochado, a ironia e momentos de drama com naturalidade. Jonas Marra exigia um ritmo rápido, gestualidade diferente e um tom quase cômico — áreas em que o ator se destacou.

        A composição visual de Jonas — trejeitos, postura e a maneira de falar — foi considerada criativa e inspirada em figuras reais do universo da tecnologia. Muitos destacaram que Murilo conseguiu criar um personagem “caricato sem ser exagerado demais”.

        A parceria com Cláudia Abreu (Pamela) foi um dos pontos mais elogiados. O casal funcionava bem em cena e ajudava a sustentar o núcleo central da trama.

        Mesmo com algumas ressalvas, o consenso é que Murilo Benício entregou um trabalho criativo, ousado e tecnicamente muito afinado, construindo um personagem diferente dos empresários tradicionais das novelas. Jonas Marra deu a ele a chance de explorar uma faceta mais moderna e irreverente — e isso foi amplamente reconhecido.

 

Saulo de Nada Será  com Antes (2016)



        Na série Nada Será Como Antes,  do Jorge Furtado e Guel Arraes,  Murilo Benício entrega uma de suas interpretações mais densas e multifacetadas ao dar vida a Saulo Ribeiro, um dos motores dramáticos da trama. Ambientada nos bastidores da criação da televisão brasileira, a produção mergulha em conflitos de poder, vaidade, relações pessoais conturbadas e transformações sociais — e Saulo é a personificação mais vibrante desse cenário.

        Um dos pontos centrais da trajetória de Saulo é a sua relação com Vera (Debora Falabella), atriz com quem mantém uma história marcada por paixão, dependência emocional e desencontros. Essa relação evidencia o lado mais vulnerável do personagem, contrapondo-se à imagem de poder que ele tenta alimentar.

        A atuação do Murilo Benício é um dos destaques da série. Ele entrega um Saulo magnético e complexo, equilibrando charme, explosões emocionais e fragilidades internas. Sua performance traz profundidade ao personagem e reforça o tom dramático da produção, ajudando a série a recriar, com verdade, o clima de revolução dos anos 1950.

    Benício dá vida a um homem marcado por desejos intensos e falhas igualmente grandes — e é exatamente essa dualidade que prende o espectador.

 

Raul de Amor de Mãe (2020 / 2021)



        Quando entra na história, Amor de Mãe, da autora Manuela Dias,  Raul é apresentado como um executivo bem-sucedido da PWA, empresa envolvida em grandes disputas econômicas e ambientais. Embora carregue o perfil tradicional do homem de negócios, sua personalidade nunca se limita ao estereótipo: Murilo Benício constrói um Raul carismático, racional e, ao mesmo tempo, profundamente afetado por suas falhas do passado. O reencontro com o filho Sandro (Humberto Carrão) — fruto de uma relação que ele desconhecia — abre caminho para uma mudança emocional significativa. Raul passa a questionar o próprio legado e a posição de privilégio que ocupou por toda a vida.

        A atuação de Murilo Benício é marcada por nuances. Ele interpreta Raul com sobriedade, mas deixa transparecer um turbilhão emocional por meio de expressões discretas e silêncios que comunicam mais do que falas extensas.
        O ator consegue equilibrar a figura do empresário poderoso com a do homem que tenta resgatar vínculos, tornando o personagem verossímil e empático. Críticas na época destacaram justamente essa naturalidade, além da química com o elenco e da capacidade de dar profundidade a diálogos carregados de dilemas morais.  Em Amor de Mãe, ele se tornou um dos pilares emocionais da história não por ser perfeito, mas por ser humano.

 

Tenório de Pantanal (2022)



        Interpretado por Murilo Benício na versão de 2022 da novela Pantanal, Tenório se destaca como um dos vilões mais complexos e intensos da trama. Construído como um antagonista multifacetado, ele incorpora temas como poder, autoritarismo, conflitos familiares e relações abusivas, compondo uma das forças dramáticas mais impactantes do folhetim de Bruno Luperi, inspirado na obra original de Benedito Ruy Barbosa.

        Um dos arcos mais fortes de Tenório é sua vida dupla: casado com Maria Bruaca (Isabel Teixeira) e, paralelamente, com Zuleica (Alice Borges). Essa bigamia, mantida por anos, é o símbolo máximo de sua visão distorcida sobre o que considera “direitos” masculinos. A forma como trata Maria — com desprezo, traições e abusos psicológicos — se torna um dos pontos mais discutidos da novela, abrindo espaço para debates contemporâneos sobre autonomia feminina e violência emocional.

A atuação de Murilo Benício trouxe ao vilão uma camada adicional de humanidade e contradição. Em vez de optar por um retrato unidimensional, o ator investiu em nuances que deixaram Tenório ainda mais inquietante: momentos de calma que escondem agressividade, demonstrações frias de afeto que revelam posse, e um olhar calculado que expõe seu caráter manipulador.  Essa entrega gerou forte repercussão do público, que reconheceu o trabalho de Benício como um dos pontos altos da segunda fase da novela.

 

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Fonte:

Texto: Evaldiano de Sousa 

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