A Manuela de “Eta Mundo Melhor”
Dhu Moraes é dessas artistas que atravessam gerações
sem perder relevância. Atriz e cantora, ela construiu uma carreira sólida e
plural, marcada pela presença forte no teatro, na televisão e na música.
Iniciou
sua trajetória artística nos anos 1970 e ganhou projeção nacional como
integrante do icônico grupo As Frenéticas, símbolo de liberdade, alegria
e irreverência da época. Paralelamente, Dhu consolidou-se como atriz,
participando de inúmeras novelas, séries e programas de humor, sempre com
carisma e entrega em cena.
Na
TV, viveu personagens memoráveis e muito queridos pelo público, com destaque
para Tia Nastácia, no Sítio do Picapau Amarelo (2001 – 2006) , além de atuações em produções
como Sinhá Moça (1986), Cheias de Charme (2012), Novo Mundo (2017) e tantos outros trabalhos
marcantes.
Atualmente
a atriz vem brilhando com a Manuela, em Êta
Mundo Melhor, personagem que ela já
havia vivido em Êta Mundo Bom (2016). A
personagem sofreu uma grande transformação de uma trama para
outra. Manuela reaparece com mais
maturidade, carregando as experiências do passado e reafirmando sua importância
afetiva dentro da história. A personagem mudou o visual, saiu da vovó e ex-empregada e ganhou um novo entrecho
ao virar atriz da radionovela da trama
do Walcyr Carrasco.
Mais
do que uma artista completa, Dhu Moraes representa resistência,
representatividade e paixão pela arte. Sempre ativa, ela segue celebrando sua
trajetória e mostrando que talento não tem prazo de validade.
Maria das Dores de Sinhá Moça (1986)
Depois de algumas participações em tramas como Irmãos Coragem (1970), Tenda dos Milagres
(1985) e Roque Santeiro (1985), Dhu Moraes ganhou sua primeira
personagem de destaque na primeira versão da novela Sinhá Moça, do autor Benedito Ruy Barbosa.
Na trama,
Maria das Dores era a ex-escrava, mãe do Rafael, um dos protagonistas
vividos pelo ator Raimundo de Sousa.
Baunilha , Dona Maria
Menininha e Dona Branca da Escolinha do
Professor Raimundo (1994 - 1995)
Na Escolinha do Professor
Raimundo, criada por Chico Anysio, Dhu Moraes mostrou
domínio do humor de personagem — base do sucesso do programa — e se destacou
mesmo em meio a um time de grandes comediantes. Sua participação ajudou a
enriquecer o universo da “sala de aula” mais famosa da TV brasileira e
consolidou sua imagem como uma atriz completa, capaz de transitar com
naturalidade entre o humor popular e a interpretação refinada.
Entre seus tipos mais lembrados estão Baunilha, personagem de
humor mais ingênuo e carismático; Dona Maria Menininha, marcada por trejeitos
populares e comentários cheios de malícia; e Dona Branca, figura mais austera,
irônica e cheia de presença em sala de aula. Cada uma dessas personagens tinha
características próprias, permitindo que Dhu brincasse com sotaques, expressões
corporais e tempos de comédia distintos.
Mãe Dolores de O Direito de Nascer
(2001)
Na versão exibida pelo SBT em 2001, Dhu Moraes
deu vida a uma das personagens mais emocionantes da teledramaturgia: Mamãe
Dolores, da novela O Direito de Nascer,
novela de Aziz
Bajur e Jaime Camargo, baseada no original Félix Gaiget. Símbolo de amor, coragem e entrega absoluta,
ela é a alma da história.
Criada
humilde da poderosa família, Dolores toma a decisão mais difícil de sua vida ao
salvar o bebê condenado por preconceito e honra familiar. Ao fugir com a
criança, ela não apenas desafia ordens cruéis, mas assume uma maternidade
marcada por sacrifício, ternura e proteção incondicional.
Na
interpretação de Dhu Moraes, Mamãe Dolores ganha força, doçura e uma
presença arrebatadora, emocionando o público e reafirmando a personagem como um
ícone do amor materno nas novelas. Uma atuação que marcou época e segue viva na
memória dos fãs.
Tia Anastácia de Sítio do Pica Pau Amarelo (2001 – 2006)
Dhu Moraes deixou uma marca especial no Sítio do Picapau Amarelo ao interpretar a clássica Tia Nastácia,
uma das personagens mais queridas do universo criado por Monteiro Lobato.
Em
sua versão, Dhu trouxe à personagem uma combinação de doçura, firmeza e
carisma, ressaltando o lado afetuoso e sábio de Tia Nastácia, sem perder o tom
popular e acolhedor que sempre definiu a figura da cozinheira do Sítio. Sua
interpretação valorizou a importância da personagem como pilar emocional da
casa, alguém que cuida, aconselha e participa ativamente das aventuras vividas
por Dona Benta (Nicette Bruno/Suely Franco), Narizinho (Lara Rodrigues,
Caroline Molinari, Amanda Diniz, Raquel de Queiróz), Pedrinho (César
Cardereiro, João Victor Silva, Rodrigo Valente, Vitor Mayer) e Emília (IsabelleDrumond e Tatyane Goulart).
A
atriz imprimiu humanidade e sensibilidade à Tia Nastácia, indo além do
estereótipo, mostrando uma mulher forte, experiente e essencial para o
equilíbrio do Sítio. A presença de Dhu Moraes no seriado reforçou a
relevância da personagem na cultura popular brasileira e ajudou a apresentar
Tia Nastácia a uma nova geração de telespectadores.
Dirce de Caras e Bocas (2009)
Em Caras e Bocas, do Walcyr Carrasco, Dhu Moraes, deu vida a personagem Dirce, uma boa conselheira e que trabalha para a família de Dafne há muitos anos. É quem mais suspeita sobre a verdade dos fatos que provocaram o rompimento de Dafne (Flávia Alessandra) e Gabriel (Malvino Salvador). Vai ajudá-la a descobrir muitas coisas.
Janice de Mordee Assopra (2011)
Na novela Morde & Assopra (2011), Dhu Moraes deu vida à Janice, uma
personagem coadjuvante marcada pelo humor afetuoso e pela espontaneidade — responsável pela cozinha do melhor restaurante da cidade fictícia da trama, se torna amiga e confidente de Júlia, a
protagonista vivida pela Adriana
Esteves.
Valda de Cheias
de Charme (2012)
Em Cheias de Charme,
novela da autora Izabel Oliveira e Felipe
Miguez, Dhu Moraes deu vida a
Valda, a empregada da Família
Sarmento e que acabou criando a
empreguete Cida, vivida pela Isabel
Drumond. A Novela juntou novamente as 2 atrizes que
tinha contracenado no seriado Sítio do Pica Pau Amarelo de
2001 a 2006, quando viveram a Tia
Anastácia e Emília.
Manuela de Êta Mundo Bom (2016) e Êta Mundo Melhor (2025)
Manuela é uma das personagens mais curiosas e bem-humoradas
interpretadas por Dhu Moraes no universo criado por Walcyr Carrasco
em Êta Mundo Bom! e retomado
em Êta Mundo Melhor!. Sua trajetória chama atenção justamente pela virada
narrativa que a personagem sofre de uma trama para a outra.
Em
Êta Mundo Bom! (2016), Manuela
surge como uma mulher simples, de origem humilde e que há anos é cozinheira da família de Cunegundes (Elizabeth Savalla),
sem receber um centavo. Já em Êta Mundo
Melhor!, Manuela passa por uma
transformação significativa. A personagem evolui junto com o contexto histórico
da trama e encontra no rádio não apenas um ambiente de bastidores, mas um
espaço de protagonismo. Ela se reinventa como atriz de radionovelas, refletindo
o auge desse formato no período retratado. Essa virada simboliza não só
ascensão profissional, mas também uma mudança de postura: Manuela se torna mais
confiante, ambiciosa e consciente do próprio talento.
Com
Manuela, Dhu Moraes reafirma sua habilidade em construir personagens
populares cheias de vida, que dialogam com a memória afetiva do público e com a
história da cultura brasileira, especialmente a era de ouro do rádio.
Idalina de Novo Mundo (2017)
Em Novo Mundo (2017), trama
do Alessandro Marson e Thereza Falcão, Dhu Moraes deu vida a Idalina, uma
personagem que carrega em silêncio algumas das dores mais profundas da novela.
Escravizada na casa de Sebastião Quirino (Roberto Codorvani), Idalina é uma
mulher experiente, observadora e profundamente humana, que luta para preservar
a dignidade em meio à violência e à opressão do Brasil colonial do início do
século XIX.
Figura
materna por excelência, Idalina é mãe de Matias (Renan Monteiro) e também
assume o papel de mãe adotiva de Diara (Sheron Menezes), construindo laços de
afeto e proteção que desafiam a desumanização imposta pela escravidão. Sua
relação com os filhos revela ternura, coragem e uma força silenciosa, capaz de
resistir mesmo diante das maiores crueldades.
Ao
longo da trama, Idalina enfrenta castigos físicos e humilhações, incluindo
cenas duríssimas que escancaram a brutalidade do sistema escravocrata. Ainda
assim, ela se mantém firme, aconselhando, alertando e cuidando dos seus,
tornando-se um símbolo de resistência cotidiana e amor inabalável.
Em
uma das cenas mais emblemáticas de Novo Mundo Idalina
é chicotada em público por Sebastião por permitir ou ser responsabilizada por
acontecimentos que ele não controla — uma cena forte que marcou a trama e
simboliza o sofrimento dos escravizados.
Com
uma atuação sensível e impactante, Dhu Moraes transformou Idalina em uma
personagem inesquecível, que emociona não apenas pelo sofrimento, mas
principalmente pela dignidade, pela humanidade e pela força ancestral que
carrega.
Dona Ponza de Encantados (2022 - 2025)
Dona Ponza foi uma das figuras mais carismáticas vividas por Dhu
Moraes na série Encantado’s.
Na
trama, a personagem é a mãe de Eraldo (Luiz Miranda), o dono do supermercado
que dá nome à série, e representa aquela matriarca forte, falante e cheia de
opiniões. Dona Ponza é tradicional, mandona e extremamente ligada à família,
sempre pronta para dar pitacos na vida do filho e dos funcionários do mercado —
quase sempre acreditando que sabe o que é melhor para todo mundo.
Com
seu humor afiado, jeito exagerado e presença dominante, a personagem rende
situações hilárias, mas também carrega afeto e humanidade. Dhu Moraes
imprime à Dona Ponza uma mistura de comicidade e ternura, transformando-a em um
retrato divertido das mães superprotetoras e cheias de personalidade.
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Fonte:
Texto: Evaldiano de
Sousa
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