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Novela de uma personagem só, “A Lei do Amor” termina como uma trama que não aconteceu



        Decepção! Infelizmente essa é a primeira palavra que me vem à mente quando penso na trama de A Lei do Amor.  A Novela que marcou a estreia da Maria Adelaide Amaral  em parceria com Vicente Villari ,  em horário nobre, e que  tomando por base os outros trabalhos da autora, considerada uma grande novelista quando se destacou nos remakes e  nas minisséries, tinha tudo para ser a grande salvação do horário,    que desde Avenida Brasil (2012), nunca mais apresentou  uma  trama  que   agradasse por completo  o público e a crítica.   Mas  A Lei do Amor termina como uma novela que não aconteceu.  Nada que foi proposto na trama se firmou , e a  tentativa de salvá-la surtiu efeito contrário. A emenda saiu pior que o soneto.
        Marcada por uma trama mal contada, cheias de furos e soluções para esses furos que os tornaram ainda mais inverossímeis, A Lei do Amor foi  praticamente se transformando em uma novela pior a cada semana.
        Abaixo alguns pontos que foram a gota d´agua para o naufrágio da trama:


·        As drásticas mudanças de perfil  de alguns personagens que viraram verdadeiros Frankstein´s dentro do louco roteiro dos autores. Letícia (Isabela Santoni), Helô (Cláudia Abreu) e Thiago (Humberto Carrão), três dos quatro protagonistas ,  foram os mais transformados. Ficou impossível acreditar em uma Letícia frágil, dependente e chata, se transformar numa mulher segura e empresária bem sucedida; ou a Helô,  de segura e sensata em uma mulher desconfiada e ciumenta.



·        O Entrecho da Isabela/Mariana (Alice Wiegman) foi outra trama desperdiçada em A Lei do Amor. Primeiro a morte totalmente desnecessária, com a desculpa de limpar a barra da Letícia, que o público rejeitava à medida que se apaixonava pela Isabela. Vendo o estrago que tinha feito com a suposta morte da personagem da Alice Weigman, os autores criam uma nova personagem, que foi revelada ser Isabela disfarçada para se vingar de Thiago (Humberto Carrão). Até ai tudo bem, mas o disfarce era tão perfeito que até diploma de  fisioterapeuta  e experiência como tal, a personagem tinha.  Enfim coerente nessa trama mesmo, só o final  do casal  deixado em aberto. Será que eles ficaram juntos?



·        E o estupro  que engravidou a Vitória (Camila Morgado) já grávida? Se pegarmos da memória, a tal festa  do senador Venturini (Otávio Augusto), a única mostrada na trama, em que a Vitória foi acompanhada por Luciene (Grazzi Massafera) onde acontecera o estupro, se não muito me engano a personagem já estava grávida. Claro que isso pode ser explicado com a desculpa de que o Senador deu várias outras festas depois  dessa, mas aí querer que o público adivinhe é um pouquinho demais.

·        Isso sem falar nos personagens importantes que sumiram por total ou em momentos cruciais da trama, como a Bete da Regiane Alves, o Dr. Bruno do Armando Babaiof ou a Aline da Ariane Botelho. Esses dois últimos até retornaram à trama, mas já era tarde.

Sem o que fazer mais com a trama, a solução foi utilizar o velho clichê da mocinha raptada   sofrendo nas mãos da grande vilã da trama. Mas batido do que andar para a frente, mas em se tratando de A Lei do Amor à essa altura nem chegou a ser uma surpresa.  Para uma trama que apresentou uma igreja inflável regada a muito funk gospel ou um filho com fantasia sexual de transar fantasiado da própria mãe!



    Nesse clichê clássico, Magnólia a grande vilã da trama acabou ganhando de presente a última semana para  brilhar ainda mais. Afinal no meio da descaraterização de personagens  e a colcha de retalhos  mal costurada das histórias, a  personagem da Vera Holtz praticamente carregou A Lei do Amor nas costas com as vilanias e seu trabalho impecável na pele da Dona Magnólia. Se a novela foi de alguém foi dela,  que centrou todos os acontecimentos desde a primeira fase e ganhou um final apoteótico levada pelo trem do destino, como diz a abertura.



    No humor vale destacar a esfuziante personagem da Grazzi Massafera. A Luciene,  de periguete do mau se transformou em uma personagem querida e hilária, caindo nas graças do público e se consagrando em um novo papel depois do destaque absoluto em Verdades Secretas, no ano anterior que lhe rendeu uma indicação ao Emmy Internacional.




Com destaques pontuais vale destacar alguns personagens e seus intérpretes que escaparam da metralhadora descontrolada nas mãos dos autores. Assim  a Yara, da Emanuelle Araújo, A Dona Silva da Regina Braga, A Vitória da Camila Morgado, O Senador Venturini do Otávio Augusto, a Gigi da Mila Moreira e  o Hélio Bataglia do estreante João Campos, entre outros fatores marcaram sua participação na trama por serem dentro da incoerente A Lei do Amor personagens que no mínimo sobreviveram à novela.


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    Novela de uma personagem só, A Lei do Amor será lembrada  por muito tempo  como uma das piores tramas apresentadas no horário nos últimos anos. É com pesar que chego a essa conclusão, pois afinal de contas desde as primeiras chamadas sempre torci pela trama, principalmente por ser de autoria de uma das minhas autoras prediletas, mas infelizmente ficou provado que  ela  não estava preparada para assumir  o posto. Maria Adelaide Amaral e Vicente Villari se perderam dentro de A Lei de Amor e apresentaram uma novela tão mal roteirizada e descaracterizada e ficou   bem longe dos padrões globais.


10 personagens que se perderam em “A Lei do Amor”


10 Personagens que mesmo em “A Lei do Amor” se destacaram

Magnólia e Luciene – As duas colunas que sustentam “A Lei do Amor”


Fonte:

Texto : Evaldiano de Sousa 

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