“Coração Acelerado” chega ao fim marcada por um elenco espetacular que salvou a história sem planejamento e profundidade
A
chegada de Coração Acelerado, da Izabel
de Oliveira e Maria Helena Nascimento, despertou grande expectativa.
A novela mergulhava no universo da música sertaneja e nos bastidores da
indústria fonográfica, contando ainda com um elenco expressivo e uma trilha
sonora que chamava atenção.
Porém
em seu conjunto, apesar do potencial da proposta, a trama foi perdendo fôlego
com o passar dos capítulos. Alguns conflitos não conseguiram manter a força
inicialmente prometida, enquanto determinados personagens tiveram pouco espaço
para desenvolver suas histórias. Com isso, o ritmo da narrativa se tornou
irregular e a novela acabou dividindo opiniões ao longo de sua exibição
até o final.
Os
conflitos centrais nem sempre tiveram a profundidade necessária e Agrado
(Isadora Cruz) e João Raul (Felipe
Bragança) sofreram principalmente com um
romance alicerçado por separações e
intrigas frágeis. Isadora Cruz e Filipe Bragança fizeram muito pela
relação graças à química que construíram.
Foi justamente quando a novela deixou os protagonistas em
segundo plano e passou a explorar as histórias de Zilá, Janete e Alaorzinho que
a trama ganhou mais força. Leandra Leal, Letícia Spiller e Daniel deOliveira carregavam personagens marcados por um passado de amores, mágoas e
segredos, material dramático que poderia — e deveria — ter recebido maior
destaque desde o início.
Foi a partir de então que, ficou nítido que o elenco era muito maior que a
história, que teve sua última pá de cal jogada quando revelado que João Raul era filho do Ronei (Thomas Aquino)
e Agrado de Alaorzinho. Era até um
entrecho bom, se não tivesse sido jogado simplesmente em um penúltimo
capítulo, sem preparo ou chance alguma mais
de aproveitamento.
Sobre esse elenco, Isabelle Drummond encontrou em Naiane uma
personagem que marcou positivamente sua volta às novelas.
No papel de Agrado Garcia, Isadora Cruz, mostrou segurança ao conduzir uma protagonista
marcada por sonhos, superação e paixão pela música. Mesmo com as críticas
dirigidas aos rumos da história e às oscilações do roteiro, sua interpretação
permaneceu como um dos pontos mais elogiados da produção. A química com outros
nomes do elenco, especialmente nas cenas
com Gabz e Filipe Bragança, ajudou a dar ainda
mais força a esses personagens.
Leandra Leal entregou uma atuação impecável como
Zilá. De volta às novelas após mais de 10 anos, a atriz construiu uma vilã
diferente das tradicionais. Zilá era manipuladora, ciumenta, explosiva e capaz
de atitudes cruéis, mas também revelava fragilidades, traumas e uma enorme
carência afetiva. Essa mistura fez com que o público, muitas vezes, odiasse
suas atitudes, mas entendesse suas motivações. Leandra Leal foi constantemente elogiada. Seu
talento para alternar momentos de humor, tensão e emoção, classificaram Zilá
como uma das personagens mais interessantes da novela. Sua Zilá entrou para a
lista de vilãs marcantes da carreira da atriz e provou, mais uma vez, por que
ela é uma das intérpretes mais talentosas de sua geração.
Janete, personagem da Letícia Spiller, conquistou boa parte do público por
sua trajetória de superação, seu amor pela música e sua personalidade
acolhedora. Sua preparação vocal para interpretar uma personagem ligada
ao universo musical também recebeu comentários positivos, e as cenas em que
Janete canta foram bastante elogiadas, com fãs destacando a naturalidade e o
carisma da atriz. O Roteiro fez a Janete demorar a reagir às armações de Zilá e acabou sendo
excessivamente ingênua em determinados momentos da trama. Alguns conflitos
envolvendo a personagem se prolongaram além do necessário, o que prejudicou o
ritmo da narrativa.
A personagem Duda chegou a Coração
Acelerado como uma das
protagonistas da trama e conquistou muitos elogios graças ao talento, à
presença em cena e à sensibilidade da atriz. Depois do destaque na
complexa Mania de Você, Gabz mostrou mais uma
vez segurança diante das câmeras e confirmou seu potencial como uma das jovens
protagonistas da nova geração da Globo. Por outro lado, a trajetória da
personagem também acabou gerando
críticas. A personagem ficou presa a conflitos repetitivos, especialmente à
rivalidade feminina que dominou boa parte da narrativa. Esse caminho foi
apontado como um dos problemas da novela, com críticas de que o enredo
desperdiçou o potencial de personagens femininas fortes em favor de disputas
que poderiam ter sido resolvidas de maneira mais madura. A abordagem desagradou
parte do público e chegou a ser questionada até por integrantes do elenco.
Escalado para viver o empresário Alaorzinho, Daniel de Oliveira entregou uma atuação
marcada pela sobriedade e pela experiência que já o consagraram na
TV. Ao longo da novela, a forma como o ator conduziu o
drama do personagem, especialmente nas cenas de arrependimento, no reencontro
com Janete e nos embates com Zilá, destacou sua maturidade cênica.
E o mozão do Brasil!? Filipe Bragança dividiu
opiniões do público desde o início de Coração Acelerado. O cantor sertanejo da trama
foi construído como um personagem cheio de conflitos, preso entre o peso da
fama, os traumas familiares e os sentimentos que nunca conseguiu administrar da
melhor forma. A atuação destacou a transmissão das contradições
de João Raul, equilibrando fragilidade, romantismo, ego, insegurança e
amadurecimento ao longo da novela. Foi o papel mais desafiador da carreira do
ator até aqui. Independentemente das críticas ou elogios, uma coisa é certa:
João Raul não passou despercebido. Foi um protagonista imperfeito, intenso e
repleto de camadas, daqueles que provocam discussões e permanecem na memória do
público muito depois do último capítulo.
Fernanda Pimenta
acompanhou a trajetória de Irene e acabou se destacando como uma das grandes
revelações da produção. Antonio Calloni deu novas camadas a Wladimir,
enquanto André Luiz Frambach, na pele de Gael, soube aproveitar muito
bem o espaço que conquistou na trama e ganhou ares de protagonista como par
da Raiane.
Com atores/personagens maiores que a própria novela, Coração
Acelerado passou longe do sucesso de outras produções que tinha a música como pano de
fundo - como Cheias de Charme (2012), (que a Izabel
de Oliveira escreveu junto com Felipe Miguez) com o
fenômeno das Empreguetes, e Rock Story (2016), faltou planejamento, consistência
e aprofundamento nas histórias, que
deixariam a trama com espinha dorsal.
Veja Também:
10 Personagens de Coração Acelerado
| Leticia Spiller |
| Isabelle Drumond |
| eLISA lUCINDA |
| Leandra Leal |
| Daniel de Oliveira |
| Camila Pitanga |
| Claudia Abreu |
| Suely Franco |
Fonte:
Texto: Evaldiano de
Sousa
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