A Janete de "Coração Acelerado"
Com uma carreira consolidada, Letícia Spiller
conquistou o público em dezenas de novelas, minisséries e produções de sucesso,
sempre demonstrando versatilidade e presença em cena. Desde sua estreia como Paquita
no Xou da Xuxa até se tornar uma das grandes atrizes
de sua geração, ela coleciona personagens inesquecíveis em títulos como Quatro por Quatro, Uga Uga, Esplendor, Kubanacan, Senhorado Destino, Viver a Vida, Joia Rara, Boogie Oogie, I Love Paraisópolis e OSétimo Guardião, entre muitos outros.
No
ar na reta final de CoraçãoAcelerado, Letícia como a Janete
, uma mulher apaixonada pela música que desafia convenções para seguir seus
sonhos. Após romper com um noivo controlador e deixar sua cidade natal, ela
recomeça a vida longe de tudo, tornando-se mãe solo de Agrado (Isadora Cruz) e
enfrentando novos desafios com coragem, sensibilidade e determinação.
A
personagem rapidamente conquistou o público por sua força, humanidade e emoção,
reforçando mais uma vez a capacidade de Letícia Spiller de dar vida a
mulheres marcantes e inspiradoras. Em cenas musicais da novela, a atriz também
mostrou seu talento ao cantar, trazendo ainda mais autenticidade à trajetória
de Janete.
Em
2014, o e10blog já havia feito um
post em homenagem a atriz ressaltando sua
melhores
personagens até então, mas esse
grande destaque em Coração Acelerado fez a Letícia mas que merecer essa parte 2 do
post de hoje.
Como
o primeiro post dizia “De Paquita a grande Estrela”, vamos relembrar mais
algumas das inesquecíveis personagens dessa irrepreensível profissional.
Lola de Joia Rara (2013)
Lola Gardel era uma das personagens mais carismáticas de Joia Rara (2013).
Vedete e dançarina do tradicional Cabaré Pacheco Leão, ela chamava a atenção
por sua beleza, vaidade, sensualidade e personalidade extravagante. Sempre
muito elegante, usava figurinos coloridos e sofisticados, tornando-se um dos
grandes destaques visuais da novela.
Inicialmente,
Lola sonhava em conquistar estabilidade financeira e ascender socialmente. Seu
desejo de fazer parte de uma família rica fazia com que, muitas vezes, tomasse
decisões impulsivas. Também carregava um antigo envolvimento com Manfred (Carmo
Dalla Vecchia), um relacionamento que ajudava a revelar seu lado mais
ambicioso.
Ao
longo da trama, a chegada da vedete Aurora (Mariana Ximenes) desperta uma
intensa rivalidade entre as duas artistas, tanto nos palcos do cabaré quanto na
vida pessoal. As disputas rendem momentos divertidos, repletos de humor, ciúmes
e provocações, tornando a dupla um dos núcleos mais populares da novela. Com o
passar dos capítulos, porém, a rivalidade dá lugar ao respeito e até à amizade.
Outro
ponto marcante da trajetória de Lola é seu romance com Fabrício (RicardoPereira). Depois de enfrentar desencontros, separações e muitos conflitos, ela
amadurece emocionalmente e consegue construir uma família ao lado do amado,
encerrando sua história de forma feliz com o nascimento do filho do casal.
A
interpretação de Letícia Spiller foi bastante elogiada por equilibrar o
lado cômico e exuberante de Lola com momentos de emoção e crescimento pessoal.
Além disso, a atriz mostrou seus talentos como cantora e dançarina nas
apresentações musicais do cabaré, que se tornaram uma das marcas da personagem.
Gilda
de Boogie Oogie (2014)
Gilda foi uma das personagens mais maduras e discretas da
carreira de Letícia Spiller. Em BoogieOogie (2014), novela das seis da Globo escrita por Rui Vilhena, a
atriz deixou de lado personagens expansivas, como a Lola, de JoiaRara, para viver uma mulher reservada, elegante e emocionalmente
complexa.
Na
trama, Gilda trabalhava na agência de viagens Vip Turismo e mantinha há
muitos anos um relacionamento secreto com seu chefe, Fernando (Marco Ricca),
que, apesar de amá-la, nunca teve coragem de deixar a esposa, Carlota (GiuliaGam). Dessa relação nasceu Rodrigo (Brenno Leone), que cresceu sem saber que
Fernando era seu verdadeiro pai.
Uma
das principais características de Gilda era sua dignidade. Mesmo vivendo um
amor complicado, ela não era uma mulher interesseira ou manipuladora.
Trabalhadora, independente e dedicada ao filho, enfrentava os desafios da vida
com serenidade e mantinha a esperança de que Fernando assumisse a família que
havia construído com ela.
Ao
longo da novela, Gilda passa por uma grande transformação. Ela percebe que não
pode continuar vivendo à sombra de um relacionamento sem futuro e decide seguir
um novo caminho. Acaba se apaixonando por Mário (Guilherme Fontes), com quem
encontra um amor verdadeiro e uma relação baseada em respeito e companheirismo.
Juntos, eles encerram a trama realizando o sonho de abrir uma agência de
viagens, a Star Trip, simbolizando um novo começo para ambos.
Letícia Spiller foi bastante elogiada
justamente por mostrar um lado mais contido da atriz, transmitindo
sensibilidade, elegância e força sem recorrer a grandes exageros dramáticos.
Gilda tornou-se uma personagem querida pelo público por representar uma mulher
que escolheu recomeçar e buscar sua felicidade sem abrir mão de seus
princípios.
Soraya
de I Love Paraisópolis (2015)
Soraya Brenner foi uma das grandes vilãs de I Love Paraisópolis (2015), interpretada por
Letícia Spiller com uma mistura de elegância, humor ácido e crueldade, na
trama do Alcides Nogueira e Mário
Teixeira. Rica, sofisticada e
extremamente ambiciosa, ela era acionista da empresa Pilartex e fazia de tudo
para proteger seus interesses e manter o poder da família.
A
personagem era mãe de Benjamin (Maurício Destri), fruto de seu primeiro
casamento, e de Lourenço e Pedroca, filhos de seu relacionamento com Gabo (HenriCastelli), com quem se casou após ficar viúva. Obcecada em controlar a vida do
filho mais velho, Soraya se opunha ao romance dele com Marizete (Bruna Marquezine) e desprezava a comunidade de Paraisópolis, sonhando em destruir o
local para favorecer seus interesses empresariais.
Maquiavélica,
manipuladora e preconceituosa, Soraya protagonizou diversos momentos marcantes
da novela. Apesar de ser uma vilã, seu jeito extravagante e suas cenas com o
mordomo Júnior (Frank Menezes) renderam momentos cômicos que conquistaram o
público. Letícia Spiller definiu a personagem como "louca",
destacando seu temperamento explosivo e imprevisível.
Ao
longo da trama, a personagem passou por uma transformação. Depois de se separar
de Gabo, Soraya procurou reparar parte dos erros que havia cometido, apoiou o
relacionamento de Benjamin e Mari e enfrentou as consequências de suas
atitudes, sendo condenada por racismo e obrigada a cumprir pena prestando
serviços comunitários. No desfecho da novela, ela ainda passa a conviver com o
diagnóstico de Alzheimer, encerrando sua trajetória de forma emocionante.
Soraya
permanece como uma das vilãs mais lembradas da carreira de Letícia Spiller,
graças à combinação de charme, ironia, exagero e humanidade que a atriz
imprimiu à personagem.
Lenita de Sol Nascente (2016)
Na novela Sol Nascente (2016), do Walther Negrão, em parceria com
Suzana Pires e Júlio Fischer, Letícia Spiller interpretou Lenita, dona
do bar Rota 94, ela era uma mulher independente, moderna, apaixonada por
rock e motocicletas, com um visual repleto de tatuagens e uma personalidade
forte e carismática. Além de administrar o bar, Lenita também se apresentava no
palco, permitindo que Letícia mostrasse seu talento como cantora.
Lenita
carregava um grande drama pessoal: quando era muito jovem, entregou sua filha
para adoção e passou anos convivendo com a culpa dessa decisão. Ao longo da
novela, sua maior missão foi reencontrar a filha, em uma das histórias mais
emocionantes da trama. Esse enredo foi inspirado em um caso real, segundo os
autores da novela.
Na
vida amorosa, a personagem viveu um relacionamento intenso com Vittorio (MarcelloNovaes). O casal conquistou o público pela química e pela cumplicidade,
especialmente quando ele passou a ajudá-la na busca pela filha desaparecida. No
desfecho da novela, Lenita consegue reencontrar a filha, resolve suas
pendências do passado e finalmente encontra a felicidade ao lado de Vittorio.
Com
uma interpretação cheia de força,
sensibilidade e autenticidade, seu
estilo roqueiro, espírito livre e coração generoso, Lenita tornou-se uma das
personagens mais queridas de Sol Nascente,
mostrando uma mulher que enfrentou os erros do passado sem perder a esperança
de recomeçar.
Monique de Os
Dias Eram Assim (2017)
Monique foi uma das personagens da fase madura da carreira de
Letícia Spiller. Em Os Dias Eram Assim (2017), supersérie escrita por Angela Chaves
e Alessandra Poggi, a atriz interpretou uma mulher que simbolizava o
desejo de liberdade em meio às profundas transformações políticas e
comportamentais do Brasil entre as décadas de 1970 e 1980.
Casada
com Toni (Marcos Palmeira) e mãe de três filhos – Caíque (Felipe Simas), Rudá (Kontantinos
Sorris) e Esperança (Kiria Malheiros) –, Monique aparentava ter uma família
perfeita. No entanto, sentia-se presa ao papel tradicional de esposa e mãe,
desejando viver de forma mais intensa e independente. Essa inquietação a levou
a abandonar a família para seguir um estilo de vida alternativo ao lado de um
homem que prometia a liberdade que ela tanto buscava.
Anos
depois, com a abertura política do país, Monique retorna e tenta reconstruir os
laços com os filhos e com Toni. O reencontro é marcado por mágoas, dificuldades
de perdão e conflitos emocionais. Ao longo da história, ela amadurece e passa a
integrar uma relação afetiva pouco convencional ao lado de Toni e Maria (Carla
Salle), refletindo o espírito de mudanças e quebra de padrões que a supersérie
procurava retratar.
LetíciaSpiller entregou uma interpretação sensível e intensa,
mostrando uma mulher complexa, dividida entre o amor pela família e a
necessidade de viver de acordo com seus próprios desejos. Com seu visual
inspirado no movimento flower power e na contracultura dos anos 1970,
Monique tornou-se uma das personagens mais modernas e ousadas da produção.
Marilda de O Sétimo Guardião (2018)
Marilda foi uma das personagens divertidas e excêntricas da
carreira da Letícia Spiller. Na novela OSétimo Guardião (2018), escrita
por Aguinaldo Silva, ela era a elegante primeira-dama da fictícia cidade
de Serro Azul, casada com o prefeito Eurico Rocha (Dan Stulbach) e irmã
da grande vilã da trama, Valentina Marsalla (Lilia Cabral).
A
personagem chamou atenção por sua obsessão pela juventude e pela beleza. O grande
segredo de sua aparência impecável era o acesso clandestino à misteriosa fonte
de águas milagrosas, protegida pelos sete guardiões da cidade. Marilda roubava
a água e chegava a se banhar nela para preservar a juventude, tornando-se
praticamente "viciada" em seus poderes rejuvenescedores.
Esse
aspecto fazia de Marilda um dos símbolos do retorno de Aguinaldo Silva ao
realismo fantástico, gênero que marcou algumas de suas novelas mais famosas. Em
O Sétimo Guardião, o sobrenatural era
tratado com naturalidade, e a fonte de águas mágicas servia tanto como elemento
de mistério quanto como metáfora para a eterna busca pela juventude e pela
vaidade humana.
Apesar
da futilidade e das atitudes exageradas, Marilda não era uma vilã. Ela era uma
mulher cheia de inseguranças, muito ligada aos filhos Geandro (Caio Blat) e
Eurico Júnior (José Loreto), além de desejar, no fundo, reconstruir a relação
com a irmã Valentina. Essa mistura de humor, drama e fragilidade tornou a
personagem bastante humana.
Letícia
Spiller aproveitou o papel para explorar um lado mais
cômico. A atriz chegou a comentar que teve liberdade para construir o sotaque,
os trejeitos e as situações inusitadas de Marilda, recebendo um retorno muito
positivo do público, que frequentemente imitava o jeito da personagem nas ruas.
Marilda
permanece como uma personagem marcante da fase mais recente de Letícia Spiller, unindo charme, humor e fantasia em uma trama que resgatou o estilo
inconfundível do Aguinaldo Silva.
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Fonte:
Texto: Evaldiano de
Sousa
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