A Josefa de “Dona Beja” na Band
Atualmente no ar como Josefa na novela Dona Beja, na Band, Thalma de Freitas
construiu uma das trajetórias mais versáteis da cultura brasileira. Atriz,
cantora, compositora e produtora, ela se destaca há mais de três décadas por
transitar com naturalidade entre diferentes linguagens artísticas.
Filha
do maestro Laércio de Freitas, Thalma iniciou sua carreira nos palcos
musicais no início dos anos 1990 antes de conquistar espaço na televisão. Ao
longo dos anos, participou de novelas marcantes como Laços de Família (2000),
O Clone (2001),
Kubanacan
(2003) e Caras & Bocas (2009),
tornando-se um rosto conhecido do público brasileiro.
No
cinema, recebeu reconhecimento por sua atuação em Filhas
do Vento (2005) trabalho que lhe rendeu o prêmio de Melhor Atriz
Coadjuvante no Festival de Gramado.
Paralelamente,
desenvolveu uma sólida carreira musical. Com discos elogiados pela crítica e
parcerias com nomes importantes da música brasileira e internacional, Thalma
chegou a ser indicada ao Grammy pelo álbum “Sorte!” de 2019,
consolidando seu prestígio também como cantora e compositora.
Após
anos vivendo nos Estados Unidos, a artista retornou à dramaturgia brasileira
este ano interpretando Josefa em Dona Beja, na
Band/HBOMax. A própria atriz definiu a personagem como um
presente em sua carreira, marcando sua volta às novelas depois de um longo
período afastada do gênero.
Dona de uma carreira multifacetada, Thalma
de Freitas segue sendo um exemplo de artista completa, capaz de deixar sua
marca na televisão, no cinema, no teatro e na música, e essa carreira
brilhante que vamos
relembrar hoje através de suas personagens interpretadas em nossa teledramaturgia.
Dolores de Vira Lata(1996)
A personagem Dolores, interpretada por Thalma de Freitas
em Vira Lata,
marcou a estreia da artista nas novelas da Globo e foi seu primeiro trabalho
exclusivamente como atriz na televisão. A oportunidade surgiu por convite do
diretor Jorge Fernando, que já conhecia Thalma de seus trabalhos nos
musicais.
Escrita
por Carlos Lombardi, Vira Lata foi exibida em 1996 na faixa das sete e tinha
como marca registrada o humor, o ritmo acelerado e os personagens caricatos,
características típicas do estilo do autor.
Embora
Dolores não estivesse entre os personagens centrais da trama, o papel teve
grande importância na trajetória de Thalma por representar sua porta de entrada
na teledramaturgia. A partir dessa experiência, ela construiu uma sólida
carreira na televisão, participando de outras produções.
Caetana de Xica da Silva (1996)
A personagem Caetana, interpretada por Thalma de Freitas
em Xica da Silva, fenômeno em forma
de novela do autor Walcyr Carrasco apresentado pela extinta Rede
Manchete, marcou também um dos primeiros trabalhos da atriz na
televisão. A novela foi um enorme sucesso e ajudou a projetar diversos nomes
que depois se destacariam na teledramaturgia brasileira.
Embora
Caetana não estivesse entre os núcleos centrais da trama protagonizada por Taís Araújo, a personagem fazia parte do rico universo criado por Walcyr
Carrasco para retratar o Arraial do Tijuco do século XVIII, cenário de
disputas pelo poder, intrigas, romances e conflitos sociais.
Para
Thalma, a participação em Xica da Silva teve um significado especial. A novela foi
exibida no mesmo ano de sua estreia na TV e serviu como uma importante vitrine
para a jovem atriz.
Para
Thalma de Freitas, Caetana permanece como um registro importante do
início de uma trajetória artística que a levaria a se destacar tanto como atriz
quanto como cantora.
Marilda de Dona
Flor e Seus Dois Maridos (1998)
A Marilda, da minissérie do Dias Gomes Dona Flor e SeusDois Maridos, exibida pela Globo em 1998 e baseada na célebre
obra de Jorge Amado.
Na
trama, Marilda era uma jovem cantora e grande amiga de Dona Flor, vivida por Giulia Gam. Sonhadora e talentosa, ela iniciava sua carreira artística se
apresentando no cassino clandestino Novo Tabaris, um dos ambientes mais
movimentados do universo paralelo da minissérie.
A
personagem permitiu que Thalma explorasse uma de suas maiores qualidades: a
música. Nas cenas da boate, Marilda interpretava canções marcadas pela
sonoridade baiana, reforçando a atmosfera sensual, festiva e popular
característica das obras de Jorge Amado. Entre as músicas apresentadas
pela personagem estavam "Toda Menina Baiana", de Gilberto
Gil, e outras canções ligadas ao repertório regional.
Marilda
acabou sendo uma personagem pequena em tempo de tela, mas bastante lembrada
pelos fãs de Thalma justamente por unir interpretação e música, duas áreas que
sempre caminharam juntas em sua trajetória artística.
Zilda de Laços de Família (2000)
Na novela Laços de Família,
do Manoel Carlos, a personagem Zilda,
interpretada pela Thalma de Freitas,
era a empregada doméstica da casa de Helena, a
protagonista vivida pela Vera
Fischer. Apesar de ocupar um papel aparentemente secundário, Zilda
conquistou enorme popularidade junto ao público graças ao seu carisma,
espontaneidade e às cenas em que demonstrava personalidade própria.
Uma
de suas marcas registradas era a frase "Cafezinho, Dona
Helena?", que acabou se tornando um dos bordões mais lembrados da
novela. A personagem participava ativamente da rotina da família, observando os
acontecimentos da casa e frequentemente servindo como um elo entre os diversos
núcleos da trama.
Anos
depois, a própria Thalma de Freitas destacou que Zilda foi importante
por fugir, em parte, do estereótipo da empregada doméstica silenciosa e sem voz
comum nas novelas da época. Segundo a atriz, a personagem tinha opiniões,
presença cênica e conquistou reconhecimento do público, tornando-se um dos
papéis mais marcantes de sua carreira.
O
sucesso foi tão grande que Zilda permanece até hoje como uma das personagens
mais lembradas de Laços de Família e ajudou a lapidar a trajetória da Thalma na televisão
brasileira.
Carol de O Clone (2001)
A Carol de O Clone, era uma das figuras mais sensatas e
humanas da novela. Advogada das empresas de Leônidas (Reginaldo Faria) , ela se
envolve amorosamente com Lobato, personagem de Osmar Prado, e acaba
participando de um dos arcos mais emocionantes da trama: a luta contra a
dependência química.
Carol
é apresentada como uma mulher forte, determinada e extremamente generosa. Ao
descobrir o vício de Lobato, ela não o abandona, mas também não aceita suas
recaídas passivamente. Ao longo da história, ela o incentiva a buscar
tratamento, enfrenta suas mentiras e cobra responsabilidade, demonstrando que
amor não significa conivência.
Um
dos aspectos mais interessantes da personagem é justamente o equilíbrio entre
carinho e firmeza. Carol sofre com os problemas de Lobato, mas mantém sua
dignidade e seus limites, tornando-se um importante exemplo de apoio sem
submissão. Esse relacionamento ajudou a reforçar a mensagem de conscientização
sobre drogas que Glória Perez quis transmitir na novela.
Carol conquistou muitos espectadores por sua
personalidade madura, seu bom coração e pela química com Lobato. A
interpretação delicada e convincente de Thalma de Freitas fez da
personagem uma das coadjuvantes mais lembradas de O
Clone.
Dalila de Kubanakan (2003)
Dalila foi uma das personagens interpretadas por Thalma de
Freitas na novela Kubanacan,
trama criada por Carlos Lombardi. A personagem fazia parte do núcleo
cômico e aventureiro da fictícia ilha caribenha de Kubanacan,
cenário da história.
Dalila
era uma jovem bonita, espontânea e apaixonada, que nutria um interesse amoroso
por Esteban, o misterioso protagonista vivido por Marcos Pasquim. Sua
paixão pelo herói rendia momentos divertidos e ajudava a movimentar as tramas
românticas da novela.
A
interpretação de Thalma de Freitas também marcou uma fase em que a atriz
estava bastante presente nas novelas da Globo, após trabalhos de
destaque em Laços de Família e O Clone.
Elvira de Começar de Novo (2005)
Em Começar de Novo,
dos autores Antônio Calmon e Elizabeth Jhin, Thalma de Freitas deu vida à simpática
Elvira, personagem que conquistava o público com seu jeito leve, espontâneo e
cheio de carisma. Mesmo em um núcleo secundário, a atriz marcou presença com
sua atuação natural, reforçando o talento que já havia chamado atenção em outras
novelas da emissora.
No decorrer da trama ela se envolve com o delegado de Ouro
Negro, o Moacir, vivido pelo Gustavo Mello, substituindo a Eurídice, personagem da Isabel Fillardis,
que saiu da trama para assumir um papel em A Lua me Disse, do Miguel Falabella,
a sucessora de Começar de
Novo.
Baiana de Bang Bang (2005)
A Baiana foi uma das personagens mais divertidas e peculiares
de Bang Bang, do Mário Prata. Em meio ao universo inspirado nos filmes de
faroeste que marcava a novela, ela se destacava por ser a única brasileira da
fictícia cidade de Albuquerque.
Trabalhando
como cozinheira no hotel da cidade, Baiana conquistava os moradores com suas
receitas típicas e seu jeito alegre e carismático. Além disso, mantinha vivas
tradições da cultura afro-brasileira, fazendo despachos e jogando búzios, o que
dava à personagem um charme especial e rendia várias situações curiosas na
trama.
Segundo
a própria Thalma de Freitas, interpretar Baiana foi uma experiência
tranquila, já que aquela era a terceira personagem baiana de sua carreira. A
atriz já havia vivido outras figuras com sotaque e costumes da Bahia em
trabalhos anteriores, o que contribuiu para a naturalidade de sua atuação.
Embora
Bang Bang
tenha dividido opiniões e seja lembrada como uma novela bastante
diferente dos padrões tradicionais da Globo, Baiana permaneceu como uma
personagem simpática e marcante, ajudando a trazer leveza e brasilidade ao
cenário inusitado do Velho Oeste criado pela trama.
Berê de Sete Pecados (2007)
Berê, personagem de Thalma de Freitas, em Sete Pecados (2007),
era um dos anjos que acompanhavam a
trama. Ela era a anjo da guarda de Dante, protagonista vivido por Reynaldo
Gianecchini, e tinha a missão de impedir que ele cometesse os sete pecados
capitais que poderiam desviá-lo de seu caminho de bondade.
Assim
como Custódia, interpretada pela suadosa Cláudia Jimenez, Berê fazia parte do
núcleo sobrenatural da novela. Sua função era proteger Dante das armadilhas
criadas por Beatriz (Priscila Fantin) e
pelas forças que tentavam corrompê-lo. No decorrer da história, porém, a
angelical Berenice acaba vivendo um conflito pessoal ao se apaixonar por Régis
Ninja, personagem do Malvino Salvador, o que acrescenta um toque
romântico e humano à sua trajetória.
Magaly de Caras e Bocas (2009)
Na novela Caras & Bocas,
do Walcyr Carrasco, a personagem Magaly, interpretada por Thalma de
Freitas, fazia parte de um dos núcleos mais ligados à causa animal da
trama. Ela era casada com Aluísio (Alexandre Morenno), um veterinário
apaixonado pela proteção dos animais, e atuava ao lado do marido na
administração de uma ONG voltada para o resgate e cuidado de animais,
especialmente cães.
Magaly
era retratada como uma mulher generosa, afetuosa e extremamente dedicada à
causa que abraçava. Assim como Aluísio, tinha uma enorme paixão pelos animais e
dedicava boa parte de sua vida ao trabalho voluntário desenvolvido pela ONG.
Sua personalidade bondosa fazia dela uma figura acolhedora dentro da história.
Além
disso, ela era mãe da jovem Ada, uma menina sensível e sonhadora que também se
envolvia em ações de solidariedade, ajudando a personagem Anita (Daniele
Haloten) na venda de flores e incentivando o romance entre Anita e Anselmo
(Wagner Santisteban). O núcleo de Magaly e sua família ajudava a reforçar uma
das mensagens da novela sobre respeito e cuidado com os animais.
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Fonte:
Texto: Evaldiano de
Sousa
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