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“Guerreiros do Sol” termina como um grande projeto que nos levou aos bons tempos da teledramaturgia



        Nesta sexta-feira, 12 de junho, o público acompanhou os desfechos de Guerreiros do Sol, a novela que trouxe para a TV uma história intensa de amor, vingança, poder e resistência no sertão nordestino. Nos capítulos finais, segredos vieram à tona, alianças foram desfeitas e muitos personagens finalmente acertaram as contas com o passado.

Inspirada no universo do cangaço, a trama conquistou os telespectadores com um elenco afiado, belas paisagens e uma narrativa marcada por grandes emoções. Um grande  projeto de teledramaturgia, que nos levou aos bons tempos das novelas e minisséries.  O final reuniu momentos de tensão, reencontros, redenção e esperança, encerrando de forma marcante uma das produções mais comentadas dos últimos tempos.



Escrita por George Moura e Sérgio Goldenberg, com direção de Rogério Gomes, a produção se destacou pela narrativa intensa, repleta de momentos marcantes e cenas de grande impacto. O elenco afinado, os personagens bem construídos, os diálogos consistentes e a belíssima fotografia contribuíram para o resultado final. Acompanhamos  uma obra de alto nível técnico e artístico, evidenciando o robusto investimento do Globoplay — sustentado pela estrutura financeira da  Globo.

O reconhecimento conquistado por Guerreiros do Sol  não aconteceu por acaso. A produção colecionou elogios da crítica e do  público,  e mesmo sem a merecida audiência na Tv Aberta,  demonstrou entusiasmo nas redes sociais ao longo de sua exibição. O elenco reúne grandes talentos e oferece espaço para que cada personagem tenha seu momento de destaque, inclusive aqueles com participações mais breves.



À frente da história, Thomás Aquino e Isadora Cruz assumem o protagonismo com segurança e intensidade, entregando performances marcantes em cenas carregadas de emoção e tensão. Merece destaque especial o trabalho de IsadoraCruz, que vem construindo uma trajetória admirável na televisão. Após emocionar o público como a carismática Candoca, de Mardo Sertão,  arrancar risadas com a irreverente Roxelle, em  Volta por Cima,  e brilhar  atuando e cantando com a Agrado,  de Coração Acelerado, a atriz confirmou mais uma vez seu talento, projeto gravado entre  as duas primeiras personagens,   que reforça sua versatilidade como protagonista.



Alinne Moraes brilhou mais uma vez ao dar vida a Jânia, personagem que valoriza todo o seu talento dramático. Ao lado de Alice Carvalho, forma uma dupla de grande sintonia, responsável por algumas das melhores cenas da trama.



Irandhir Santos impressiona como Arduíno, um vilão cruel e marcante, entregando uma atuação intensa e convincente que desperta a rejeição do público e reforça seu status como um dos maiores atores do país.



NathaliaDill entrega uma atuação marcante como Valiana, construindo uma bela parceria em cena com Rodrigo Lélis, que dá vida ao padre Bida. Dani Barros conquista o público ao revelar, gradativamente, as muitas camadas da sofrida Aniete. Mesmo em participações mais breves, Marcélia Cartaxo, como Generosa, e Cláudio Jaborandy, no papel de Seu Neném, emocionam com sua presença. Theresa Fonseca se destaca ao interpretar Adelzira com grande sensibilidade, enquanto Carla Salle convence como a ambiciosa Soraia. Pedro Wagner mais uma vez demonstra seu talento ao compor o desprezível Pente Fino, um dos personagens mais detestáveis da trama. Também merecem destaque as excelentes atuações de Vitor Sampaio (Sabiá), Larissa Goes (Petúnia), Renato Livera (delegado Laureano) e Alanys Santos (Enedina), que enriquecem ainda mais a história. Já Lucas Galvino protagoniza um dos momentos mais especiais da produção ao prestar uma bela homenagem ao inesquecível jornalista Geneton Moraes Neto.



Seria difícil destacar apenas alguns nomes diante de um conjunto tão qualificado. As participações especiais de Daniel de Oliveira (Idálio), José de Abreu (Coronel Eloi) e Alexandre Nero (Miguel Inácio) deram ainda mais força aos primeiros capítulos, enquanto atores como Ítalo Martins (Milagre), Luis Carlos Vasconcelos (Bosco), Otávio Muller (Coronel Nogueira), Ênio Cavalcanti (Gasolina), Nicollas Paixão (Peixinho) e Larissa Bocchino (Ivonete) contribuíram para enriquecer a trama com personagens marcantes.

Outro ponto interessante foi ver alguns intérpretes em registros bastante diferentes daqueles aos quais o público estava acostumado. Rafael Sieg (Tatarana), Danilo Grangheia (Dr. Marinho), Marco França (Fabiano Sanfoneiro) e Rodrigo Garcia (Cheiroso), frequentemente escalados para viver vilões ou figuras moralmente questionáveis, tiveram a oportunidade de dar vida a personagens íntegros, sensíveis e até afetuosos, contrastando com o clima de brutalidade que permeia a história. Na reta final, a chegada de Tuca Andrada (Heleno) e Mayana Neiva (Linete) acrescentou novos elementos e ajudou a tornar o desfecho ainda mais rico e envolvente.

O talento desse  elenco ganhou  ainda mais força sob a condução segura de Rogério Gomes, diretor responsável por diversas obras que permanecem na memória do público. O cuidado de sua equipe se reflete em cada detalhe da produção, especialmente na fotografia exuberante e nas belas locações espalhadas por estados como Paraíba, Pernambuco, Sergipe e Alagoas. Em tempos de produções cada vez mais concentradas em estúdios, chama a atenção a quantidade de cenas gravadas em ambientes reais, fator que acrescenta autenticidade e impacto às sequências.



Outro aspecto digno de nota é o uso expressivo de figurantes, algo que se tornou raro nas novelas atuais da TV aberta. Embora pareça um detalhe secundário, a presença de um grande número de pessoas em cena contribui decisivamente para a construção de um universo mais vivo e convincente.



A produção também demonstra um esmero especial na trilha incidental, cuidadosamente escolhida para intensificar momentos de emoção, tensão ou aventura. O mesmo capricho aparece na seleção musical, que reúne canções como "Cavalos do Cão", de Zé Ramalho e Elba Ramalho, tema de abertura; "Aboio Avoado", do Lenine; "Mar e Lua", na voz de Mônica Salmaso; "Estado de Poesia", de Chico César; "Assum Preto", do Luiz Gonzaga; e "O Sertão Precisa é Disso", do Alceu Valença. Há tempos uma novela não demonstrava tamanho cuidado na escolha de sua trilha sonora, transformando a música em parte essencial da experiência narrativa.



Guerreiros do Sol resgata muitas das qualidades que consagraram as grandes produções da Globo. Com liberdade criativa para desenvolver a trama sem amarras, os autores constroem uma narrativa envolvente e consistente. A direção capricha nas sequências mais impactantes, enquanto o elevado investimento aparece em cada detalhe, dos cenários às locações, passando pelo amplo elenco e pelo grande número de figurantes. Tudo isso sustenta uma história de forte carga dramática e trajetória bem delineada, remetendo ao padrão de excelência que marcou os momentos mais memoráveis da emissora.

Veja Também:

GUerreiros do Sol


Guerreiros do Sol


ALine Moraes e Alice CDarvalho 



Alinne Moraes



Alexandre nero

Volta Por Cima 

José de Abreu 

Daniel de Oliveira 



Irandhir Santos

Isabelle Drumond



Leandra Leal

Fonte:

Texto: Evaldiano de Sousa


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