Quem Ama Cuida chegou a sua semana mais importante - O assassinato do Arthur Brandão (Antônio Fagundes) que vai desenrolar todos os acontecimentos a partir de então e, claro só vamos saber quem é o assassino no último
capítulo, isso se ele não tiver
vivo, enfim . . . novela . . podemos
voar.
Claro que um “Quem Matou?” nas novelas não é nenhuma novidade, o Gilberto Braga
que o diga, mas Walcyr Carrasco e Claudia Souto trouxeram um grande diferencial em Quem Ama Cuida –
o prólogo que antecedeu toda a aura desse assassinato – o preparo para apresentar a catarse sem deixar furos.
O que chama atenção é
a maneira como a novela conduziu sua trajetória até este momento. Em uma época
marcada por tramas cada vez mais apressadas, os autores optaram por um caminho menos comum: permitir
que a narrativa amadurecesse no seu próprio ritmo.
Ao
longo de 12 capítulos, a história investiu na construção cuidadosa de seus
conflitos e personagens, algo que muitos folhetins atuais acabam deixando em
segundo plano. Assim, o público não chegou aos acontecimentos decisivos apenas
conhecendo os protagonistas e suas histórias, mas compreendendo suas
motivações, dilemas, emoções e a forma como enxergam o mundo. Isso torna cada
reviravolta mais envolvente e cada emoção muito mais significativa.
Outro
exemplo desses detalhe da boa construção dos entrechos de Quem
Ama Cuida está
justamente no núcleo romântico da trama.
Até
aqui, Pedro e Adriana, os protagonistas
vividos pelo Chay Suede e Letícia Colin, não trocaram declarações de amor, não se
beijaram e sequer vivem um relacionamento. Ainda assim, a novela já convenceu o
público de que existe algo sendo construído entre eles.
Trata-se
de uma estratégia clássica da dramaturgia: despertar a torcida antes mesmo da
formação do casal. Em vez de apresentar um romance pronto, os autores investem
na expectativa, alimentando aos poucos o desejo do espectador de acompanhar
essa aproximação enquanto cada personagem segue enfrentando seus próprios
desafios.
A
direção da Amora Mautner
demonstra total compreensão da ritmo proposto pela narrativa. Há uma harmonia rara
entre a escrita e a direção, fazendo com que a novela jamais pareça apressada
para alcançar o próximo grande acontecimento. A câmera contempla os
personagens, os diálogos fluem naturalmente e cada cena recebe o tempo
necessário para que emoções e conflitos se revelem de forma orgânica.
A
identidade visual segue idem. Tudo na produção convida o espectador a se
envolver com a história sem atropelos. Com enquadramentos criativos e uma
linguagem visual que foge do convencional, Amora imprime personalidade à obra e
reforça a sensação de novidade. O resultado é uma novela que constrói sua
própria marca e afasta Quem Ama Cuida da ideia de ser apenas mais um título na faixa
das nove – provando que a trinca Walcyr
/ Cláudia / Amora - se complementa e foi um grande acerto sem sombra de dúvidas.
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Fonte:
Texto: Evaldiano de Sousa
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