A incrível história de amor de Zé Eleutério
(Kadu
Moliterno) e Maria Rita (Cristina
Mullins), ele, o “filho do diabo”, e ela, a
“santinha”, numa pequena cidade chamada Paraíso.
Essa é a temática central da primeira versão dessa trama que voltou no mês
passado pela plataforma da Globoplay.
O
amor que se torna mais acirrado quando Santinha, rezando reclusa em seu quarto,
consegue o “milagre” de salvar Zé Eleutério, que estava aleijado por ter
sofrido uma queda num concurso de peões de boiadeiros. Ela, em pagamento pela
graça recebida, vai para o convento – realizando o grande sonho de sua mãe.
Ele, apaixonado e grato, rapta a futura freirinha.
Com uma história cheia de ganchos, prendeu o telespectador e a trama se
transformou em sucesso no horário das seis consagrando de vez o autor, num
horário onde ele já havia apresentado Cabocla (1979) e voltava a Globo depois
de uma passagem pela Rede Bandeirantes com Pé de Vento (1980) e o grande
sucesso Os Imigrantes (1981).
A trilha sonora de Paraíso , que vamos dissecar no post de hoje , é um verdadeiro retrato da alma do
interior brasileiro. Com produção musical de Guto Graça Mello, o disco
reuniu artistas que traduziram perfeitamente o clima da novela do BeneditoRuy Barbosa, valorizando a vida no campo, a religiosidade, as tradições e o
romantismo da trama.
O
tema de abertura, "Promessas Demais", na voz de Ney Matogrosso, marcou a novela com sua interpretação emocionante. Já clássicos
como "Boiadeiro Errante" (Sérgio Reis), "Varandas"
(Almir Sater), "Minha Paixão" (Milionário & Zé Rico), "Eu,
a Viola e Deus" (Rolando Boldrin) e "Asa Branca"
(Quinteto Violado) ajudaram a criar uma das trilhas mais autênticas da
teledramaturgia brasileira.
Mais
do que um conjunto de belas canções, a trilha de Paraíso tornou-se parte essencial da narrativa,
transportando o público para o universo dos peões, das fazendas e das lendas do
interior. Quase 45 anos depois, continua sendo lembrada como uma das mais belas
seleções musicais das novelas das seis.
Vamos
ao faixa a faixa:
“Boiadeiro
Errante”
Intérprete:
Sérgio Reis
Compositor:
Teddy Vieira
Quando
os primeiros acordes de “Boiadeiro Errante”, na voz marcante de Sérgio
Reis, ecoavam na televisão brasileira, o público era levado para o universo
rural, cheio de paisagens do interior, peões, boiadas e histórias de amor e fé.
A
canção, composta por Teddy Vieira, tornou-se um dos grandes símbolos da
primeira versão da novela, escrita por Benedito
Ruy Barbosa. A música integra parte da trilha sonora nacional da trama e
era o tema dos boiadeiros, ajudando a construir a atmosfera sertaneja que
marcou a novela.
Com
a interpretação de Sérgio Reis, que também participava com ator na trama, vivendo o personagem Diogo, “Boiadeiro Errante” ganhou uma força
especial: sua voz carregava a simplicidade, a emoção e a tradição da música
caipira, traduzindo a vida daquele homem da estrada, que seguia conduzindo sua
boiada e carregando suas lembranças pelo caminho.
Mais
do que uma música de novela, ela representa uma época em que a televisão e a
música sertaneja caminhavam juntas, eternizando imagens de estradas de terra,
cavalos, berrantes e o encanto do interior brasileiro.
“Varandas”
Intérprete:
Almir Sater
Compositores:
Almir Sater e Paulo Simões
Lançada
na trilha sonora "Varandas", de Almir Sater, foi
escolhida como tema da personagem Rosinha, interpretada por Zaira Zambelli.
A canção ajudou a reforçar o clima bucólico, romântico e profundamente ligado à
vida no campo que marcou a obra de Benedito Ruy Barbosa.
Com
sua viola inconfundível e uma interpretação delicada, Almir Sater
transmite em "Varandas" a simplicidade, a contemplação e a
poesia do interior brasileiro. A música combina perfeitamente com a atmosfera
da novela, que valorizava as paisagens rurais, as tradições sertanejas e as
histórias de amor envoltas em crenças populares.
“Minha
Paixão”
Intérpretes:
Milionário e Zé Rico
Compositor:
José Rico e José Raimundo
"Minha Paixão", na interpretação da dupla Milionário
& José Rico, é uma das canções que traduzem com perfeição o estilo
conhecido como sertanejo romântico. Gravada originalmente em 1979, a música foi
composta por José Rico e José Raimundo.
A
letra retrata o sofrimento de um homem que perdeu a mulher amada e vê sua vida
perder o sentido. Nem mesmo a riqueza é capaz de preencher o vazio deixado pela
ausência da pessoa que ama. Em meio à dor, ele tenta afogar a tristeza na
bebida, mas demonstra que ainda alimenta a esperança de um reencontro. Caso o
destino devolva seu grande amor, ele afirma que está disposto a perdoar e
reconstruir a vida ao lado dela.
“São
Sebastião do Rodeiro”
Intérprete
e Compositor: Zé Geraldo
"São Sebastião do Rodeiro", do Zé Geraldo,
é uma das canções mais representativas da fase em que o artista consolidou seu
estilo de rock rural, unindo elementos da música caipira, da MPB e da
religiosidade do interior brasileiro. A música foi lançada no álbum Zé
Geraldo (1981) e contava com a participação especial de Zé Ramalho,
que divide os vocais com o compositor.
A
letra é uma homenagem à cidade de Rodeiro, em Minas Gerais, terra natal de Zé
Geraldo, e ao seu padroeiro, São Sebastião. A canção retrata com
delicadeza a vida no interior, destacando a fé do povo, as procissões, os
cavaleiros, a lavoura e o sentimento de pertencimento de quem vive ou guarda
lembranças da cidade. Em vez de apenas descrever um lugar, a música transmite o
orgulho das raízes e o carinho pelas tradições mineiras.
“Eu,
a Viola e Deus”
Intérprete
e Compositor: Rolando Boldrin
"Eu, a Viola e Deus" é uma das composições
mais representativas de Rolando Boldrin, artista que dedicou sua vida à
valorização da cultura caipira e da música de raiz. A canção foi escrita pelo
próprio Boldrin e lançada em seu repertório no fim da década de 1970,
tornando-se uma das obras mais emblemáticas de sua carreira.
A
música retrata a figura do violeiro que segue sua jornada apenas com a viola e
a fé em Deus. Ao longo da letra, o personagem percorre estradas,
enfrenta dificuldades e guarda lembranças do amor e da vida no sertão. A
composição transmite um sentimento de simplicidade, esperança e ligação
profunda com a terra e as tradições do interior brasileiro.
“Promessas
Demais”
Intérprete:
Ney Matogrosso
Compositor:
Moraes Moreira, Zeca Barreto e Paulo Leminski
"Promessas Demais", na interpretação do NeyMatogrosso, foi lançada em 1982, no álbum “Matogrosso”, e
tornou-se amplamente conhecida por ter sido o tema de abertura da novela.
A
composição é assinada por Moraes Moreira, Zeca Barreto e o poeta Paulo
Leminski, trio que criou uma obra de grande sensibilidade poética. A letra
fala sobre os sentimentos despertados por um amor cercado de expectativas,
mostrando que nem sempre as promessas são suficientes para garantir a
felicidade. Com versos delicados e metafóricos, a canção transmite uma mistura
de esperança, dúvida e melancolia.
A
abertura mostra as aventuras do Zeca, tanto no interior, montado a cavalo, como
na cidade grande onde ele estudava, em cima de uma moto. Kadu Moliterno que
já era considerado um dos galãs jovens da época conquistou ainda mais fãs com
seus cabelos grandes e tingidos de louro.
“Fruta
Boa”
Intérprete:
Telma Costa
Compositor:
Milton Nascimento e Fernando Brant
“Fruta Boa”, na voz delicada de Telma Costa, é
uma daquelas músicas que ficaram intimamente ligadas à memória afetiva da
primeira versão de Paraíso.
A
canção foi composta por Milton Nascimento e Fernando Brant e entrou na
trilha sonora nacional da novela como na faixa 7 do LP.
A
letra utiliza a imagem de uma fruta madura como metáfora para falar de um amor
vivido, experimentado e amadurecido com o tempo. É um amor que conhece tanto a
alegria quanto as dificuldades, mas que continua encontrando sabor na
convivência.
A
interpretação de Telma Costa combina muito bem com essa proposta. Sua voz suave
e expressiva dá à música um caráter íntimo, romântico e ao mesmo tempo
melancólico, valorizando a poesia de Milton Nascimento e Fernando Brant.
“Orquestra
Divina”
Intérprete
e Compositor: Guilherme Lamounier
“Orquestra Divina”, do Guilherme Lamounier, é
uma daquelas canções que ficaram guardadas na memória afetiva dos fãs de Paraíso.
A
letra transmite uma mensagem de simplicidade, esperança, fé e amor pela vida. A
ideia de que todas as coisas da natureza fazem parte de uma mesma criação — do
“beija-flor” ao “bem-te-vi” — reforça uma visão quase espiritual da existência.
O violão aparece como símbolo de uma vida descomplicada, enquanto o amor e a
amizade são apresentados como aquilo que realmente importa.
“Simplesmente”
Intérprete:
Roupa Nova
Compositores:
Milton Nascimento e Fernando Brant
Há
músicas que, quando começam a tocar, imediatamente nos levam de volta a uma
época, a uma história e a personagens que ficaram guardados na memória. “Simplesmente”,
na interpretação marcante do Roupa Nova, é uma dessas canções.
Lançada
na trilha sonora de Paraíso e ajudou
a criar a atmosfera romântica e interiorana da trama.
A
canção, composta por Milton Nascimento e Fernando Brant, ganhou nos
arranjos e na interpretação do Roupa Nova uma sonoridade delicada e
emocionante, mostrando por que a banda se tornou uma das grandes presenças das
trilhas de novelas brasileiras.
“Menino
Nu”
Intérpretes:
Casinho Terra
Compositores:
Casinho Terra e Fred
Nascimento
Quem
acompanhou a novela Paraíso, certamente
guarda na memória a delicadeza de sua trilha sonora. Um desses sucessos é
a canção “Menino Nu”, na voz de Casinho Terra.
A
música, tema da personagem Aninha (Simone Carvalho), ajuda a construir a identidade e o clima de algumas
de suas cenas.
Com seu jeito singelo e
envolvente, “Menino Nu” representa muito bem aquela sonoridade
brasileira do início dos anos 1980, quando as novelas tinham o poder de
transformar canções em verdadeiras lembranças afetivas.
“Oé
Oé Faz o Carro de Boi na Estrada”
Intérprete
e Compositor: Jorge Ben
Tem
músicas que parecem carregar dentro delas um pedaço da história e da cultura
brasileira. “Oé Oé, Faz o Carro de Boi na Estrada”, de Jorge Ben,
é uma dessas canções que nos transportam para um Brasil rural, simples e cheio
de identidade.
Com
seu jeito único de misturar samba, soul, samba-rock e elementos da cultura
popular, Jorge Ben transforma o som do carro de boi em uma experiência
musical cheia de ritmo, brasilidade e memória.
O
famoso “oé, oé” da canção cria uma atmosfera quase cinematográfica,
trazendo à imaginação as estradas de terra, o interior do Brasil e o
tradicional carro de boi seguindo lentamente pelo caminho.
“Asa
Branca”
Intérprete:
Quinteto Violado
Compositores:
Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira
“Asa Branca”, do Quinteto Violado é uma das
interpretações mais marcantes do clássico de Luiz Gonzaga e Humberto
Teixeira, composto em 1947. A canção retrata a seca nordestina, a partida
do sertanejo em busca de melhores condições e a esperança de um dia retornar à
sua terra.
A
versão do Quinteto Violado ganhou destaque em 1972, quando o grupo
lançou seu primeiro LP, “Quinteto Violado em Concerto”. Essa gravação
foi tão importante para a trajetória do conjunto que o disco chegou a ser
lançado no Japão com o título “Asa Branca”. A interpretação também
recebeu elogios do próprio Luiz Gonzaga.
O
grande diferencial está nos arranjos instrumentais, que dão uma nova dimensão à
composição de Gonzaga e Teixeira. O Quinteto Violado tinha como proposta
valorizar a música nordestina, misturando instrumentos tradicionais e elementos
da música popular brasileira.
Mais
do que uma simples regravação, “Asa Branca” pelo Quinteto Violado
representa um encontro entre tradição e inovação. É a força da música
nordestina apresentada por um grupo que ajudou a levar os sons e a cultura do
Nordeste para o Brasil e também para o exterior.
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Fonte:
Texto: Evaldiano de
Sousa
Pesquisa: www.wikipedia.com.br www.memoriaglobo.com.br
Vídeos: You Tube

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