Em
um momento em que a televisão aberta disputa cada vez mais a atenção do público
com as plataformas de streaming, “Quem Ama Cuida”
surge como um exemplo de que o tradicional folhetim ainda pode encontrar novos
caminhos sem perder sua essência.
A
trama combina ingredientes clássicos de uma novela — drama, romance, conflitos
familiares, segredos, personagens marcantes e grandes reviravoltas — com uma
linguagem visual e narrativa que dialoga com o espectador acostumado ao consumo
de séries e novelas pelas plataformas digitais.
“Quem Ama Cuida”
não parece ter sido pensada apenas para o telespectador que acompanha a novela
diariamente pela televisão. Ela também funciona para quem prefere assistir aos
capítulos posteriormente, pelo streaming, criando uma experiência diferente de
consumo da mesma história.
A
produção aposta ainda em uma identidade visual cuidadosamente construída. Cenários,
figurinos, caracterização e direção não aparecem apenas como elementos
decorativos, mas ajudam a definir os personagens e a atmosfera da narrativa.
Ao
mesmo tempo, a novela preserva aquilo que faz do folhetim brasileiro um dos
formatos mais populares da televisão: a capacidade de criar histórias que
despertam curiosidade e fazem o público querer descobrir o que acontecerá no
capítulo seguinte.
É
justamente nessa mistura entre a tradição da novela e a linguagem contemporânea
do streaming que “Quem Ama Cuida” encontra seu espaço.
Essa
aproximação com a linguagem das séries, aliás, não é uma novidade na trajetória
de Amora Mautner, que dirige Quem Ama
Cuida. Em A Regra do Jogo (2015), a diretora já havia
experimentado uma estrutura que buscava aproximar a novela do universo das
séries , com capítulos organizados em blocos e identificados por subtítulos,
além de uma utilização mais cinematográfica dos espaços e do chamado “caixa
cênica”, criando uma identidade visual mais fechada e estilizada. A
proposta era justamente experimentar uma narrativa mais contemporânea, que
pudesse dialogar com o novo comportamento do público e com a estética que
começava a ganhar força nas produções de streaming.
Mais
do que simplesmente adaptar a novela aos novos tempos, a produção de Quem Ama Cuida mostra
que TV aberta e streaming não precisam ser concorrentes absolutos. Podem ser
diferentes portas de entrada para uma mesma história e alcançar públicos que
possuem hábitos distintos de assistir televisão.
No
fim, a experiência reforça uma velha verdade da teledramaturgia: tecnologia,
plataformas e formatos podem mudar, mas uma boa história continua sendo capaz
de prender o público.
E
Walcyr Carrasco e Amora Mautner em “QuemAma Cuida” parecem vir entendendo isso muito bem.
Veja Também:
| Bastidores de QUEM AMA CUIDA |
| Amora Mautner |
| Walcyr Carrasco |
| Tony Ramos |
| Agatha Moreira |
| Leticia Collin |
Fonte:
Texto: Evaldiano de
Sousa

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