A Candinha de “Dona Beja” na Band e a Rainha Niara de “A Nobreza do Amor” na Globo
A
trajetória artística de Érika Januza é um dos mais belos exemplos de
perseverança, talento e representatividade da televisão brasileira
contemporânea. Nascida em Contagem, Minas Gerais, a atriz construiu uma
carreira sólida e diversificada, conquistando espaço em novelas, séries, cinema
e programas de televisão, tornando-se uma das artistas mais respeitadas de sua
geração.
O
grande público conheceu Érika Januza em 2012, quando ela protagonizou a
série Subúrbia, produção dirigida por
Luiz Fernando Carvalho, que revelou sua força dramática e abriu as
portas para uma carreira promissora. Desde então, a atriz acumulou trabalhos
marcantes em produções como Em Família (2014),
Sol Nascente (2017), O Outro Lado do Paraíso (2018), Amor de Mãe (2019)",
além de séries de sucesso como Arcanjo Renegado (2020).
Atualmente,
Érika vive um dos períodos mais especiais de sua trajetória profissional ao
estar simultaneamente em duas grandes produções. Na Globo, ela interpreta a rainha Niara em A Nobreza do Amor , novela das seis que
apresenta uma narrativa inédita ao explorar a realeza africana e suas conexões
com a cultura brasileira. A personagem representa poder, liderança e
ancestralidade, reforçando a importância da representatividade negra na
teledramaturgia nacional.
Paralelamente,
a atriz também pode ser vista como Candinha na nova versão de Dona Beja, exibida pela Band após sua
estreia no streaming. A personagem enfrenta as violências, desigualdades e
preconceitos do Brasil do século XIX, oferecendo à atriz a oportunidade de
retratar uma mulher marcada pela resistência e pela luta por dignidade. O papel
é amplamente elogiado pela crítica e pelo público, consolidando mais uma vez a
versatilidade de Érika diante de personagens complexas e desafiadoras.
A
simultaneidade entre Niara e Candinha evidencia a amplitude artística de Érika
Januza. Enquanto uma personagem simboliza poder e realeza, a outra expõe as
cicatrizes históricas da exclusão e do racismo estrutural, permitindo à atriz
transitar entre universos completamente distintos com sensibilidade e
profundidade.
Ao
longo de mais de uma década de carreira, Érika Januza consolidou-se não
apenas como uma grande intérprete, mas também como um importante símbolo de
representatividade e transformação social na televisão brasileira. Seu talento,
dedicação e compromisso artístico fazem dela uma das atrizes mais relevantes de
sua geração, e seu atual momento profissional reafirma que sua trajetória ainda
reserva muitos capítulos de sucesso.
Vamos
reverenciar Érica Januza relembrando suas melhores personagens na tv.
Conceição de Subúrbia (2012)
A
trajetória de Érika Januza na televisão começou de forma inesquecível.
Em 2012, a atriz mineira fez sua estreia na TV interpretando a protagonista Conceição,
da aclamada série Suburbia, criada
por Luiz Fernando Carvalho e Paulo Lins. Escolhida entre cerca de
duas mil candidatas, Érika chamou a atenção por seu talento e naturalidade,
mesmo sem experiência anterior na dramaturgia televisiva.
Na
trama, Conceição é uma jovem que deixa o interior de Minas Gerais, fugindo da
pobreza e das dificuldades dos fornos de carvão, para tentar construir uma nova
vida no subúrbio do Rio de Janeiro. Ao longo da história, a personagem enfrenta
preconceitos, violência, desafios sociais e vive uma intensa história de amor
com Cleiton, interpretado por Fabrício Boliveira.
Suburbia foi
um marco por retratar com sensibilidade e realismo a vida da população negra e
periférica, abordando temas como racismo, desigualdade social, identidade e
cultura popular, especialmente o universo dos bailes funk dos anos 1990. A
série também se destacou pela linguagem cinematográfica e pela valorização de
novos talentos.
A
atuação de Érika Januza foi amplamente elogiada pela crítica e pelo
público, transformando sua estreia em um verdadeiro cartão de visitas para uma
carreira que, anos depois, se consolidaria como uma das mais importantes de sua
geração.
Alice de Em
Família (2014)
Em
Em Família
(2014), Érika Januza brilhou como Alice, uma jovem forte,
corajosa e determinada, que enfrentou grandes desafios ao descobrir a dolorosa
verdade sobre sua origem - ser o fruto
do estupro que sua mãe sofreu. Criada ao lado da prima Luiza (BrunaMarquezine), Alice transformou sua dor em força e decidiu lutar por justiça,
ingressando na polícia e protagonizando uma das tramas mais intensas da novela
do Manoel Carlos.
Ao
longo da história, a personagem emocionou o público com sua busca pela verdade,
sua coragem diante dos traumas familiares e sua intensa história de amor com o
policial Vitor (Gustavo Machado). Com uma atuação sensível e marcante, Érika
Januza consolidou seu talento e conquistou definitivamente seu espaço na
teledramaturgia brasileira.
Até
hoje, Alice é lembrada como uma personagem inspiradora, símbolo de superação,
coragem e justiça, além de representar um importante marco na carreira da atriz.
Júlia de Sol Nascente (2016)
A personagem Júlia, interpretada por Érika Januza na
novela Sol Nascente, de Walther Negrão, fazia parte do núcleo caiçara da trama e se destacou por sua
personalidade forte, alegre e batalhadora.
Júlia
era a irmã mais nova de Vanda (Cinara Leal) e integrava a comunidade de
pescadores liderada por Chica (Tatiana Tibúrcio), vivendo do trabalho no mar e
valorizando a união e a amizade. A personagem representava a força e a
independência das mulheres caiçaras, mostrando-se sempre disposta a enfrentar
as dificuldades com coragem e otimismo.
Na
trama ambientada na fictícia Arraial do Sol Nascente, Júlia participou de
diversas histórias envolvendo amizade, amor e os conflitos da comunidade
pesqueira, contribuindo para dar mais diversidade e humanidade ao núcleo
popular da novela. A interpretação de Érika Januza chamou a atenção pela
naturalidade e pelo carisma, consolidando mais um importante trabalho da atriz
na televisão após seu destaque em Em Família.
A
participação de Érika Januza em Sol
Nascente reforçou sua
versatilidade como atriz, dando vida a uma personagem simples, trabalhadora e
cheia de personalidade, que conquistou a simpatia do público.
Raquel de O Outro Lado do Paraíso (2017)
Em
O Outro Lado do Paraíso (2017), do autor Walcyr Carrasco, Érika Januza deu vida
à inesquecível Raquel, personagem que conquistou o público por sua força,
dignidade e trajetória de superação.
Moradora
de um quilombo no Jalapão, Raquel sonhava em estudar e construir uma vida
melhor. Ao longo da trama, enfrentou o racismo e o preconceito social,
especialmente por parte de Nádia, sua patroa, enquanto ela foi doméstica,
vivida pela magistral Eliane Giardini, mas jamais perdeu sua essência,
sua coragem e sua determinação.
A
grande virada da personagem emocionou o público: após anos de estudo e
dedicação, Raquel retornou como juíza, tornando-se um dos maiores símbolos de
superação da novela e protagonizando algumas das cenas mais memoráveis da obra.
Com uma interpretação
sensível e poderosa, Érika Januza transformou Raquel em uma personagem
emblemática, cuja trajetória continua sendo lembrada como um importante retrato
da luta contra o preconceito e da força da perseverança.
Marina de Amor de Mãe (2019)
Em Amor de Mãe (2019-2021),
de Manuela Dias, Érika Januza deu vida à determinada Marina Castro, uma
jovem tenista que lutava para conquistar espaço no esporte sem abrir mão dos
seus sonhos e da própria identidade.
Com
uma atuação sensível e cheia de verdade, Érika construiu uma personagem que
representava a força, a perseverança e os desafios enfrentados por tantas
mulheres que precisam equilibrar amor, carreira e realização pessoal. Ao longo
da trama, Marina emocionou o público com sua trajetória de superação,
independência e busca pela felicidade.
Além de se destacar nas
quadras, Marina mostrou que acreditar em si mesma é fundamental para vencer os
obstáculos da vida. Mais uma personagem marcante na brilhante trajetória de Érika
Januza na televisão brasileira.
Sarah de Arcanjo Renegado (2020)
Na
aclamada série Arcanjo Renegado, do Globoplay
e exibida também pela Globo, Érika
Januza deu vida à intensa e corajosa Sarah Afonso, uma personagem marcada
pela força, pela dor e pela superação. Irmã de Mikhael, protagonista
interpretado por Marcello Melo Jr., Sarah começa sua trajetória como
esposa de um policial e mãe dedicada, enfrentando os desafios e as incertezas
de uma família ligada à segurança pública.
Ao
longo das temporadas, Sarah vive perdas devastadoras e transforma sua dor em
determinação, ingressando na carreira militar e construindo uma trajetória de
coragem e resistência. A personagem se tornou um dos grandes destaques da série
por representar mulheres que enfrentam diariamente as consequências da
violência e da luta pela justiça.
Com
uma atuação intensa e emocionante, Érika Januza entregou uma de suas
interpretações mais marcantes, mostrando toda a complexidade de Sarah: uma
mulher forte, humana e inspiradora, que conquistou o público a cada temporada.
Laila de Verdades
Secretas 2 (2021)
Interpretada
com grande entrega por Érika Januza, Laila viveu uma das histórias mais
dolorosas e marcantes de Verdades Secretas 2,
do autor Walcyr Carrasco. Casada
e apaixonada por Ariel, o personagem vivido pelo Sérgio Guizé, a modelo
sonhava em consolidar sua carreira, mas acabou se tornando vítima da obsessão
pela magreza e dos padrões cruéis do mundo da moda.
Manipulada
por Blanche (Maria de Medeiros), Laila passou a consumir remédios para
emagrecer sem o devido acompanhamento médico, acreditando que precisava se
encaixar em um padrão estético para alcançar o sucesso. Aos poucos, a
personagem mergulhou em um processo devastador de dependência química,
enfrentando crises de ansiedade, insônia, surtos psicológicos e um profundo
sofrimento emocional.
A
trajetória de Laila serviu como um importante alerta sobre os perigos da
automedicação e da busca desenfreada pelo corpo considerado "ideal".
Sua derrocada, marcada por perdas, manipulações e sofrimento, transformou a
personagem em um dos retratos mais fortes e trágicos da novela.
Com
uma atuação intensa e emocionante, Érika Januza deu vida a uma
personagem que expôs as consequências físicas e psicológicas da pressão
estética, deixando uma das interpretações mais impactantes de sua carreira.
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Fonte:
Texto: Evaldiano de
Sousa
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