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“Dona Beja” termina na Band marcada pelo fracasso por não funcionar na grade escolhida pelo Canal

 



        A exibição de Dona Beja na Band chega ao fim nesta última sexta-feira (17.07) cercada por uma constatação difícil de ignorar: a novela não conseguiu encontrar espaço na grade da emissora. Mesmo sendo uma produção de alto investimento, estrelada por Grazi Massafera e baseada em um dos maiores clássicos da teledramaturgia brasileira, a trama registrou audiência muito abaixo do esperado e não repetiu o impacto obtido por outras produções nacionais vindas do  streaming.

A Band apostou em um formato diferente, exibindo a novela apenas às quintas e sextas-feiras, em horário tardio, como parte de sua estratégia de integração entre TV aberta e streaming. A iniciativa, porém, não conseguiu criar o hábito de acompanhar a história semanalmente, fator essencial para o sucesso de uma novela.

Isso não significa que Dona Beja seja uma produção sem qualidades. A novela chamou atenção pela reconstituição de época, fotografia sofisticada, elenco de peso e por apresentar ao público uma nova leitura da trajetória de Ana Jacinta de São José. Entretanto, esses atributos não foram suficientes para transformar a obra em um fenômeno na televisão aberta.



        A nova versão de Dona Beja recontou, de forma livre, a trajetória de Ana Jacinta de São José, uma mulher que desafia as convenções sociais do século XIX em Araxá, Minas Gerais. Depois de ser separada de seu grande amor, Antônio Sampaio (David Jr) , Beja retorna à cidade decidida a construir o próprio destino, enfrentando o preconceito da elite local e transformando sua independência em sua maior arma.

        Na versão original exibida em 1986, a personagem foi eternizada por Maitê Proença, em uma novela que marcou época na extinta Rede Manchete. GrazziMassafera,   escolhida para reviver a personagem desta versão,   não poderia  ter sido  melhor. A atriz foi   totalmente entregue a personagem e nos apresentou uma Dona Beja  repaginada , mas  tão  marcante  e  envolvente quando  a primeira.

         Na pele da  ousada vilã Maria, Indira Nascimento brilhou e mostrou todo o amadurecimento do seu trabalho.  A atriz entregou  uma performance intensa, cheia de nuances e presença, conquistando o público justamente por dar vida a uma personagem tão complexa e   provocadora Maria não foi  apenas uma vilã comum: ela misturou ambição, dor e estratégia, tornando cada cena imprevisível e envolvente.



        O Elenco de Dona Beja foi um show a parte – além de GraziMassafera e Indira Nascimento  já citadas -  outros brilharam  tão e quanto  -  David Junior  que conquistou o público como Antônio Sampaio, dividido entre o amor por Beja e os conflitos impostos pela família;  Deborah Evelyn roubou a cena na pele da implacável Ceci, uma das grandes antagonistas da trama, com uma atuação intensa e cheia de nuances; André Luiz Miranda deu vida a João Mendonça, personagem importante no desenvolvimento da história e dos dilemas amorosos da protagonista.

Bianca Bin, Indira Nascimento, Luciano Quirino, Thalma de Freitas, Isabela Garcia, Erika Januza, Tuca Andrada, Werner Schünemann e muitos outros reforçaram o alto nível do elenco, enriquecendo a narrativa com personagens memoráveis.

A escalação de Pedro Fasanaro para viver Severina em Dona Beja esteve entre os assuntos mais comentados antes da estreia da novela. A escolha do ator para interpretar a personagem feminina dividiu opiniões nas redes sociais e gerou debates sobre a proposta artística da produção. Com o desenrolar da trama, porém, Fasanaro conquistou parte do público ao entregar uma interpretação marcante, dando humanidade, sensibilidade e personalidade à personagem.

        O romance entre Fortunado e o Delegado Maurício foi outra abordagem de destaque da novela. Em meio aos conflitos, romances e disputas de poder de Dona Beja, Eduardo Pelizzari e João Villa conquistaram o público ao construir uma relação marcada pela sensibilidade, cumplicidade e autenticidade. Com atuações naturais e grande sintonia em cena, os atores transformaram a intimidade entre seus personagens em uma poderosa ferramenta narrativa, dando vida a um casal que trouxe novas camadas à trama e ajudou a renovar o tom da novela.

O romance entre Beja e Antônio continuou sendo o principal eixo da trama. Separados pelas circunstâncias, eles vivem reencontros, rupturas e conflitos provocados por interesses políticos, pressões familiares e pelo casamento de Antônio com Angélica (Bianca Bin).

A novela também explorou  temas como liberdade feminina, poder, desejo, preconceito, racismo, moralidade e o papel da mulher em uma sociedade dominada pelos homens.

Na reta final, a história ganha ainda mais tensão com um atentado contra Beja, investigações para descobrir o responsável pelo crime, conspirações políticas, a revelação de sua gravidez e novos confrontos envolvendo Antônio, João e os poderosos de Araxá. Esses acontecimentos conduzem a um desfecho marcado por grandes reviravoltas, emoções intensas e pela consolidação da protagonista como uma figura lendária.

        Apesar de toda a expectativa em torno da exibição em TV aberta, a novela não conseguiu repetir o impacto esperado na audiência. Ainda assim, a produção deixa como legado uma releitura sofisticada de um dos maiores clássicos da teledramaturgia brasileira, com elenco de destaque, boa qualidade de produção e uma protagonista inesquecível.

Veja Também:

Dona Beja 



Grazzi Massafera 



Bianca Bin
Otavio Muller
Deborah Evelyn 2



Walcyr Carrasco


Malvino Salvador


Deborah Evelyn 

Fonte:

Texto: Evaldiano de Sousa

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