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Meus Personagens Favoritos da Monah Delacy

Uma Vida Dedicada à Arte e à Teledramaturgia Brasileira



Há nomes que fazem parte da própria história da dramaturgia brasileira, e Monah Delacy é, sem dúvida, um deles. Com uma trajetória artística iniciada ainda em 1948, quando começou como rádio-atriz e também estreou no teatro, a veterana construiu uma carreira admirável que atravessa gerações e reúne trabalhos marcantes no teatro, cinema e televisão.

Ela iniciou sua trajetória artística no rádio, atuando como rádio-atriz a partir de 1948. No mesmo ano, também subiu aos palcos pela primeira vez, contando com o apoio de Alfredo Mesquita. Em 1950, integrou o elenco das peças O Demorado Adeus, Treze à Mesa e A Moratória. Uma década depois, em 1960, fez sua estreia no cinema no filme Esse Rio que Eu Amo, dirigido por Carlos Hugo Christensen.



Na teledramaturgia, Monah Delacy esteve presente em produções importantes que ajudaram a formar a memória afetiva do público. Em Irmãos Coragem (1970), viveu Dona Deolinda; em Uma Rosa com Amor (1972), foi Catarina Rosa Batateira; e marcou presença em Gabriela(1975) como Deusolina Leal, a Dadá. Também brilhou em sucessos como Pai Herói, Plumas & Paetês, O Homem Proibido, Champagne e A Gata Comeu, onde interpretou Graziela Rosenthal.

A lista de grandes trabalhos continua com Dona Beija, Explode Coração, O Amor Está no Ar, O Quinto dos Infernos e Senhora do Destino, novela em que deu vida a Leny Gouveia.

Uma trajetória que demonstra a versatilidade e a longevidade de uma atriz que nunca deixou de emprestar seu talento a personagens das mais diferentes características.

Mas sua importância para a arte vai muito além da televisão. Monah Delacy também possui uma sólida trajetória no teatro e no cinema e foi aluna da primeira turma da Escola de Arte Dramática da USP. Ao longo da vida, também se dedicou à pintura e à formação de novos talentos, tornando-se uma verdadeira referência artística.

Em sua vida pessoal,  a atriz foi casada com o ator Geraldo Matheus Torloni, união que durou até o falecimento dele, em 29 de outubro de 2023. O casal teve dois filhos: Marcio Torloni, que seguiu outro caminho profissional, e a atriz Christiane Torloni. Avó do ator e  diretor  Leonardo Torloni Carvalho, ela também compartilhou sua vasta experiência com as novas gerações ao ministrar aulas de interpretação na Casa de Arte das Laranjeiras.

Monah Delacy representa uma geração de artistas que ajudou a construir a televisão brasileira. Dona de uma carreira iniciada nos tempos do rádio, com mais de 76  anos de arte e  97 de vida,  chegou às grandes produções da televisão,  é uma dessas presenças que atravessam o tempo e permanecem vivas na história da nossa cultura. Uma grande dama da dramaturgia brasileira que vamos  homenagear  agora dessecando suas   mais importantes  personagens na tv. 

 

Deolinda de Irmãos Coragem (1970)



        Depois de algumas  participações  pontuais no teleteatro Grande Teatro Tupi (1952/1957) e nas novelas Sangue e Areia (19670 e Acorrentados (1969), em Irmãos Coragem (1970), um dos maiores clássicos da teledramaturgia brasileira, Monah Delacy interpretou Dona Deolinda, esposa de Jorginho, o prefeito de Coroado, vivido por B. de Paiva. O casal era pai de Margarida, personagem de Leda Lúcia.

Dona Deolinda fez parte do núcleo político da fictícia Coroado, cidade dominada pelos desmandos do poderoso Coronel Pedro Barros (Gilberto Martinho). Em uma trama marcada pela luta dos irmãos João (Tarcisio Meira ), Jerônimo (ClaudioCavalcanti) e Duda Coragem (Cláudio Marzo) contra as injustiças, a personagem integrou o rico universo criado por Janete Clair.

A presença de Monah Delacy em Irmãos Coragem é um dos primeiros capítulos da extensa e importante trajetória da atriz na televisão brasileira. Revisitar Dona Deolinda é também recordar uma obra que fez história na  Globo, conquistou o público e se tornou um verdadeiro marco da nossa teledramaturgia.

 

Dadá de Gabriela (1975)



Na primeira versão de Gabriela, exibida pela Globo em 1975, Monah Delacy integrou o grande elenco da trama como Dadá, esposa do Coronel Amâncio Leal (Castro Gonzaga), aliado de Ramiro Bastos (Paulo Gracindo) e, portanto, opositor de Mundinho Falcão (José Wilker).

Ambientada em Ilhéus, na Bahia, a novela acompanhava uma cidade marcada pelas transformações sociais, políticas e econômicas, tendo como pano de fundo a chegada de Gabriela, a inesquecível personagem de Sônia Braga, que mudaria a vida de Nacib, vivido por Armando Bógus.

Em meio ao elenco grandioso e às inúmeras histórias que movimentavam a cidade, Monah Delacy participou de uma produção que se tornou um dos maiores clássicos da teledramaturgia brasileira.

 

Augusta de VejoA Lua no Céu (1976)



        Na novela Vejo a Lua no Céu (1976),  Monah Delacy interpretou Augusta, esposa de Jacinto, personagem vivido por Ítalo Rossi. A personagem suportava resignadamente os desmandos do marido, refletindo a condição feminina em uma sociedade marcada pelo domínio dos homens e pela submissão das mulheres.

Ambientada no Rio de Janeiro da década de 1910, a novela foi escrita por Sylvan Paezzo, baseada no conto homônimo de Marques Rebelo, e acompanhava as histórias e conflitos de diferentes famílias.

Ao lado de Jacinto, Augusta fez parte de um dos núcleos da trama, que também se cruzava com a trajetória de Fernando, o jovem vivido por Eduardo Tornaghi, acolhido pelo casal após ser expulso de casa e perder o emprego.

 

Das Graças de A Sombra dos  Laranjais (1977)



Em 1977, Monah Delacy viveu um dos personagens mais interessantes de À Sombra dos Laranjais, novela exibida pela Globo: Das Graças, uma artista do Gran Circo Internacional marcada por um passado de escolhas, arrependimentos e sentimentos que nunca foram completamente apagados.

Das Graças era uma mulher que procurava transmitir a imagem de uma profissional bem-sucedida, chegando a inventar que era disputada por empresários do teatro. Por trás dessa fachada, porém, existia uma mulher sofrida, que carregava um passado do qual não gostava de falar e que fazia de tudo para não despertar a piedade dos outros.

No passado, ela havia vivido uma grande paixão com Tomé Caldas, personagem de Ary Fontoura. Os dois chegaram a ter uma filha, mas Das Graças abandonou Tomé e também a própria bebê, deixando marcas profundas na vida do artista. Anos depois, o reencontro dos dois faz antigos sentimentos voltarem à tona.

Mas a grande reviravolta estava justamente na identidade dessa filha: Zulmira (Ísis Koschdoski), criada por Marta (Beatriz Lyra)  e Tomé, sem conhecer sua verdadeira origem. Das Graças reencontra a filha já adulta, enquanto Tomé também desconhece que é, na realidade, o pai da jovem.

Monah Delacy emprestou humanidade e complexidade à personagem, equilibrando a aparência de mulher independente e segura com as dores de alguém que carregava consigo as consequências das decisões do passado.

 

Eugênia de Pai Herói (1979)



Em 1979, Monah Delacy integrou o elenco de uma das novelas mais marcantes da teledramaturgia brasileira: Pai Herói, da Janete Clair. Na trama, exibida pela Globo, a atriz interpretou Eugênia Limeira Reis.

Eugênia era uma mulher da sociedade e tia-avó de Carina (Elizabeth Savala), fazendo parte do sofisticado núcleo ligado à família Limeira Brandão. Mãe de César Reis (Carlos Zara), ela procurava zelar pela importante coleção de obras de arte que o filho havia herdado do pai.

A personagem estava inserida justamente em um dos núcleos mais importantes da história, marcado por relações familiares complicadas, ambições, conflitos e interesses. César, homem vaidoso e ambicioso, acaba se casando com Carina, inicialmente movido também por interesses financeiros, e posteriormente se torna um dos grandes antagonistas da trama.

Com seu talento e presença marcante, Monah Delacy ajudou a dar personalidade ao núcleo familiar de Pai Herói, em uma novela que conquistou o público com a saga de André Cajarana (Tony Ramos) em busca da verdade sobre o passado do pai e com o romance de André e Carina (Elizabeth Savalla).

 

Esther  de O Amor está o Ar (1997)


Em O Amor Está no Ar, novela exibida pela Globo, do autor Alcides  Nogueira, Monah Delacy deu vida a Esther, uma personagem que enfrentou uma das histórias mais emocionantes da trama.

Esther, matriarca dos Schnaider,  descobriu um tumor maligno no seio e, diante do impacto da doença, passou por um período de profunda depressão. A personagem precisou lidar não apenas com o medo e as incertezas provocados pelo diagnóstico, mas também com as transformações emocionais que vieram depois.

A trajetória de Esther ganhou novos caminhos quando ela passou a frequentar um grupo de apoio, encontrando na convivência com outras pessoas forças para recuperar, pouco a pouco, a vontade de viver e lutar contra a doença.

Com sua interpretação sensível e experiente, Monah Delacy transformou Esther em uma personagem que representou a fragilidade humana diante de uma situação difícil, mas também a capacidade de reconstruir a esperança.

Mais uma vez, a atriz mostrou a força de seu trabalho na televisão, emprestando verdade e emoção a uma personagem que enfrentava uma batalha silenciosa e extremamente humana.

 

Dona Sofia de Dance, Dance, Dance (2007)

       


Em 2007, a atriz Monah Delacy integrou o elenco de Dance Dance Dance, dos autores Juana Uribe e Yoya Würsch, novela musical exibida pela Band, interpretando Dona Sofia Ivanitch, a personagem marcada pelo amor à dança e pela importância que exerce na vida da protagonista.

Na trama, Dona Sofia é a avó de Sofia Ivanitch, personagem vivida por Juliana Baroni. É dela que a jovem herda não apenas o nome, mas também o talento e a paixão pela dança. Criada pela avó, Sofia alimenta o grande sonho de se tornar dançarina e atriz e conquistar seu espaço nos musicais da Broadway.

É com o apoio e o incentivo da avó que Sofia deixa o interior e parte para São Paulo, determinada a estudar na Fundação Verônica Marques, uma das mais conceituadas escolas de dança do país. A presença de Dona Sofia, portanto, representa um elo importante entre o passado da família e os sonhos que a neta deseja realizar.

Dance, Dance, Dance  foi a última novela,  até então ,   em que Monah participou.  Depois  da trama, a atriz  só  participou de três  episódios da série  Companhia do Teatro Brasileiro em  2023. 

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Fonte:

Texto: Evaldiano de Sousa

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