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Trilha Sonora Eterna – Vale Tudo (1988)



        Mas do que uma trilha, o post de hoje  vai relembrar  a trilha sonora de um marco da teledramaturgia nacional do final da década de 80, e por mais que venham “Avenidas Brasil”  ou “A Força do Quereres”, Vale Tudo , do GilbertoBraga sempre será lembrada como aquela trama que serve de parâmetro em todos os sentidos. É exemplo de um bom texto, uma direção impecável, ganchos de tirar o fôlego e um elenco que Benza Deus!

        O que dizer de personagens como Odete Roitmann (Beatriz Segall), Maria de Fátima (Glória Pires) e Marco Aurélio (Reginaldo Faria)? Vilões que até hoje  são sempre citados entre os melhores.

        Não tem como fechar os olhos e não  relembrar  uma ou outra entre  as várias cenas que marcaram Vale Tudo, como a morte da Odete Roitmann, o acerto de contas da Raquel  com a filha no dia do casamento desta,  e aquele sonoro “Mooooonnnstroooooo!” que só a nossa Regina Duarte tem  gabarito para proferir. Além da “Banana” que o   Marco Aurélio   deu para o Brasil no último capítulo.

        É a personificação do clássico novelão/folhetim  com a corrupção e a falta de ética conduzindo a trama e deixando no ar a pergunta  que mesmo quase 30 anos depois, infelizmente ainda é uma indagação pertinente : “Vale mesmo ser honesto no Brasil de Hoje?”.



        Para acompanhar a trama que literalmente parou o Brasil com personagens inesquecíveis e com o  “Quem Matou Odete Roitmann?” o mais famoso da teledramaturgia  nacional, foi selecionado grandes nomes  da MPB  como Maria Bethânia, passando por Caetano Veloso , Cazuza e Verônica Sabino. Não se poderia arriscar, a trilha nacional da novela tinha que ser tão impactante quanto a própria,  e assim foi!



        O LP que tinha Antônio Fagundes na capa fazendo às vezes do galã Ivan, seu personagem na trama, abria com a clássica versão da Gal Costa para “Brasil”,  do  Cazuza, Nilo Romero e George Israel (do Kid Abelha). A Música abria os capítulos da trama todas as noites nos lembrando com seus refrãos metafóricos a situação em que o Brasil vivia na época, e que infelizmente se estende até os dias de hoje ainda. “Brasil mostra a tua, quero ver quem paga pra gente ficar assim”. Inesquecível e sem dúvidas  o melhor tema de abertura da década. “Brasil” se tornou hino contra a corrupção e por dias melhores depois de Vale Tudo.



        Outra música que tocou incessantemente na trama, e mesmo assim não dava para enjoar, foi “Tá Combinado”  o tema  do casal Raquel e Ivan,  os personagens da Regina Duarte e Antônio Fagundes, na voz da Maria Bethânia. Que música maravilhosa e na  interpretação  da Bethânia nem precisa de mais explicações, não é!?



        Raquel,  a inesquecível personagem da Regina Duarte era um baluarte à honestidade, e mesmo indo ao extremo para se manter íntegra aos seus princípios, nunca foi uma personagem chata e com o seu “Sangue de Jesus tem Poder!” jogou na  cara de muita gente através da novela frases e atitudes que  viviam engasgadas. Para acompanhar a trajetória da personagem que de vendedora de sanduiches na praia virou grande empresária do ramo alimentício,  CaetanoVeloso gravou o clássico “Isso Aqui o Que É”, outra faixa do disco nacional da trilha que se transformou em hino.



        “Faz parte do Meu Show”  a balada do Cazuza, em uma das melhores letras que ele já escreveu, embalou o casal Solange e Afonso, vividos pela Lídia Brondi e Cássio Gabus Mendes. Por causa das armações da Fátima (Glória Pires), o casal praticamente  só ficou junto nos primeiros capítulos e no último, mas a música  é tão forte que não tem com ouvi-la e não lembrar  dessa bela história de amor que ganhou a capa da trilha internacional e saltou a ficção. Depois da trama,  Lídia Brondi e Cássio Gabus Mendes atuaram em Tieta (1989) e Meu Bem MeuMal (1991). Depois do término dessa última, eles se casaram e eu só não comemorei muito,   por causa da decisão da Lídia de abandonar a Tv para cuidar do marido e da família.



        A Maria de Fátima da Glória Pires, acabou passando mais tempo como esposa do Afonso em Vale Tudo, e para os bons, embora falsos, momentos do casal, a voz indefectível do Ritchie em “À Sombra da Partida”  foi presença constante.



        Búzios e o centro do Rio de Janeiro eram as principais locações de Vale Tudo. Passei a trama inteira sonhando em passar um final de semana na pousada da Laís (Christina Prochaska). Dois grandes nomes da MPB foram escalados para cantar os temas  dessas locações: João Bosco com “Terra Dourada” embalava as cenas da novela em Búzios e Gonzaguinha com “É” foi o tema das cenas e acontecimentos do Centro do Rio.



        Leila, a personagem da Cássia Kiss, muito antes de matar a Odete Roitmann no último capítulo da trama, ganhou como tema a música “Ponto Cardeais” do Ivan Lins para embalar seu romance com Renato (Adryano Reis) , e depois com Marco Aurélio (Reginaldo Faria).



        Maria de Fátima e César, os personagens da Glória Pires e do Carlos Alberto Ricelli,  são sem dúvidas o casal de apaixonados mais sacana e sem escrúpulos da história da teledramaturgia nacional. Enganaram quem puderam, seduziram que quiseram e deram um show de química poucas vezes visto na tv. Para celebrar dois personagens tão enigmáticos e de crucial importância no sucesso de Vale Tudo dois temas distintos que diziam muito do perfil de cada um. A Fátima,  sempre visceral em suas maldades,  foi embalada pelo pop rock do Barão Vermelho em “Pense e Dance”. Já o César,  que na trama usou toda sua veia de galã canastrão sensualizando com aquela sunga mais cavada que , só  Deus na causa,  ganhou a balada romântica “Besame” da Jane Duboc.



        Heleninha Roitmann foi o grande personagem da Renata Sorrah. Que entrega dessa atriz ao viver uma personagem que poderia ter inspirado pena ao telespectador, mas  quando nas crises,  completamente bêbado ela se aproximava do público de uma forma tão sensível e visceral, que só uma atriz do quilate da Sorrah par dar vida.  A Heleninha virou assunto em todas as rodas de conversa e até hoje é sinônimo de quem gosta de exagerar no álcool. Verônica Sabino e sua voz inconfundível  em  “Todo Sentimento” embalou o drama da personagem por toda a trama.



        Fábio Vila Verde que interpretou o jovem Thiago na trama, ganhou como tema “Um Mundo Só Pra Nós (Eye in The Sky)  da Banda Gáz, formada por um grupo de rapazes, uma espécie de NX Zero da época. A banda fez uma via-crúcis por todos os programas de auditório da final da década, mas depois do sucesso da música na novela desapareceu. Nem na internet achei nada sobre que fim levou a banda.



        Ivan, o galã dúbio vivido pelo Antônio Fagundes na trama, foi embalado pelo voz do Nico Resende com “Penso Nisso Amanhã”.  Uma música com um refrão chiclete e que, infelizmente,   acabou não sendo muito tocada na novela.



        Léo Gandelman   com a instrumental “Sem Destino” fechava o LP da trama como tema do núcleo dos ricos de Vale Tudo, encabeçado pela inesquecível   Tia Celina , vivida pela Nathalia Timberg  e os que a rodeavam.

Fonte:
Texto: Evaldiano de Sousa

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