Bráulio
Pedroso homenageava as chanchadas dos anos
50, com uma deliciosa comédia em Feijão Maravilha que reuniu no
elenco nomes que fizeram muito sucesso na Atlântida, como José Lewgoy, Ivon
Cury, Mara Rúbia, Eliana Macedo, Adelaide Chiozzo, Walter D´avilla, Oley
Cazarré e Grande Otelo.
A
Trama protagonizada por Lucélia
Santos, passava toda sua ação no Hotel Internacional, um
cinco-estrelas, onde se reunia todos os personagens. Eliana, a personagem da
Lucélia, trabalha na recepção e vive as voltas com as trapalhadas de Anselmo
(Stepan Nercessian), um empresário com contratos que nunca se concretizavam.
Eliana é apaixonada por Anselmo, mas ele não percebe esse amor, pois é
apaixonado pela bela e rica Bibinha (Maria Cláudia). Os dois são amigos
de Benevides (Grande Othelo) e Oscar (Olney Cazarré), carregadores de malas do
hotel. A Jovem recepcionista sempre acaba metida nas confusões que os três
aprontam.
A
Novela correu despretensiosa e acabou consagrando esse estilo comédia-rasgada
para o horário das sete global, e a maioria das tramas
seguintes apostaram nele.
A
homenagem às chanchadas foi o diferencial da trama e claro, deixou
muita gente emocionada ao ver a dupla Grande Othelo e Olney Cazarré vivendo
uma dupla inesquecível, numa explícita a homenagem a Oscarito,
eterno parceiro de Othelo nas chanchadas.
Jose Lewgoy na pele do Vilão Ambrósio, o Sombra, nos
relembrou seus bons tempos de vilão da Atlântida.
Eliana
Macedo e Anselmo Duarte fizeram par romântico em
vários filmes da Atlântida, e cenas destes filmes eram levadas ao ar no
decorrer da novela como se fossem flashbacks dos seus personagens.
Outros
destaques do elenco foram Walther D´avilla e Clarisse
Piovesan, em uma réplica brasileira de Marilyn Monroe inesquecível.
Feijão Maravilha é um dos títulos que a Globoplay
vai resgatar esse mês de janeiro e, para
comemorar essa volta, vamos relembrar
sua trilha sonora no post de hoje.
A
trilha sonora nacional de Feijão Maravilha é um retrato vibrante do Brasil do final dos anos 70, unindo música, humor e a energia
popular que marcaram a novela. Com canções que iam do samba ao soul brasileiro,
a seleção musical ajudava a dar ritmo à história leve e bem-humorada, além de
reforçar a identidade dos personagens e o clima urbano da trama. Mais do que
pano de fundo, a trilha virou parte essencial do sucesso da novela,
permanecendo na memória afetiva de quem viveu aquela época.
Entre
os nomes presentes no disco estão As Frenéticas, responsáveis pelo
contagiante tema de abertura, além de João Nogueira, levando o samba de
raiz para a trama. A seleção ainda contou com vozes e talentos como Ney
Matogrosso, Luiz Melodia, Marizinha, Robson Jorge e Peninha,
mostrando a diversidade musical da época.
Mais
do que uma simples coletânea, a trilha de Feijão Maravilha virou um retrato sonoro
de um Brasil urbano, popular e cheio de personalidade, eternizado em vinil e na
memória dos telespectadores.
“Meus
Momentos”
Intérprete
e Compositor: Marizinha
“Meus Momentos” , da Marizinha, abre o lado A da trilha. A
música foi o tema da personagem Eliana,
a protagonista vivida pela Lucélia Santos na novela. Marizinha
(nome verdadeiro Mariza Corrêa José Maria) é cantora brasileira nascida
no Rio de Janeiro, ligada ao cenário musical dos anos 70 e 80. Ela participou
do Trio Esperança antes de seguir carreira solo e, em 1979, gravou o
compacto com as canções “Meus Momentos” e “Em Cores”, este último
também lançado pela gravadora Odeon/EMI — sendo esse compacto a fonte da
canção que entrou na novela.
“Nada
Importa”
Intérprete:
Robson Jorge
Compositores:
Robson Jorge e Wather D´avila Filho
Com uma sonoridade envolvente e marcada pelo romantismo dos
anos 70, “Nada Importa”, na voz e composição de Robson Jorge, é
uma das canções que ajudaram a dar identidade à novela Feijão Maravilha (1979).
A música foi o tema do personagem Jorginho, vivido pelo Marco Nanini.
Robson
Jorge imprime sua assinatura musical, misturando soul,
pop e MPB de forma elegante — algo que se refletia muito bem nas trilhas
sonoras das novelas da época.
“Samba
Rubro Negro”
Intérprete:
João Nogueira
Compositores:
Jorge de Castro e Wilson
Batista
Clássico absoluto do samba, “Samba Rubro-Negro”, na
voz e na alma de João Nogueira, é muito mais do que uma música: é uma
verdadeira declaração de amor ao Flamengo e à cultura popular brasileira.
“Samba Rubro-Negro” une dois símbolos fortes do Brasil
— o futebol e o samba — mostrando como ambos caminham juntos na
construção da nossa memória afetiva. Um hino que atravessa gerações, mantendo
viva a chama da paixão, da tradição e da musicalidade que só João Nogueira
sabia expressar com tanta classe. Em Feijão
Maravilha foi o tema do personagem Rachid, vivido pelo Ivon Curi.
“Seu
Melhor Amigo”
Intérprete
e Compositor: Guilherme Lamounier
“Seu Melhor Amigo”, do Guilherme Lamounier é uma canção delicada
e profundamente emocional, que traduz com sensibilidade os sentimentos de amor
silencioso, lealdade e entrega afetiva. Guilherme Lamounier, conhecido
por seu talento como compositor e cantor romântico, constrói aqui uma narrativa
em tom de confissão, onde o eu lírico se coloca como alguém sempre presente,
disposto a acolher, ouvir e proteger — mesmo sem ocupar oficialmente o lugar de
um amor correspondido.
A música acompanhou o
casal Miró e Adelaide, os personagens na trama vividos pela ator Marcelo
Picchi e a saudosa Elizangela.
“O
Preto que Satisfaz”
Intérpretes:
As Frenéticas
Compositores:
Gonzaguinha
O Charme da novela já era mostrado em sua abertura.
Produzida por Paulo Netto e Aloysio Legey, foi
utilizado uma técnica de sobreposição de maquetes e chroma key. No
cenário foram reproduzidos alimentos e utensílios de cozinha. Um grupo formado
por um chef de cozinha e por belas cozinheiras dançava e
interagia com grãos de feijão, alho, caixas de fósforos e panelas, entre outros
objetos.
As Frenéticas embalaram essa abertura ao som dessa canção composta pelo Gonzaguinha.
“Tic-Tac
do Meu Coração”
Intérprete:
Ney Matogrosso
Compositores:
Alcyr Pires Vermelho e Walfrido
Silva
Interpretada com a intensidade inconfundível de NeyMatogrosso, “Tic-Tac do Meu Coração” é uma canção que traduz
o amor vivido no limite da emoção. A música usa o batimento do coração como
metáfora do desejo, da ansiedade e da entrega total a um sentimento que
acelera, descompassa e domina. A Canção foi o tema da Madame Fifi, vivida pela saudosa atriz e vedete Mara Rúbia.
“A
Voz do Morro”
Intérprete:
Luiz Melodia
Compositores:
Zé Ketti
“A Voz do Morro” é uma canção que Luiz Melodia
regravou em seu álbum “Mico de Circo” (1978), trazendo sua interpretação
própria para o samba originalmente ligado ao universo dos morros cariocas,
clássico composto por Zé Ketti – uma expressão de orgulho e afirmação
cultural (“Eu sou o samba / A voz do morro sou eu mesmo…”).
Em Feijão Maravilha a música
embalou a dupla Benevides e Oscar, vividos pelos saudosos Grande Otelo e
Olney Cazarré.
“Belo
Sentimento”
Intérprete
e Compositora: Sônia Burnier
“Belo Sentimento”, na voz de Sônia Burnier, é
uma canção marcada pela delicadeza e pela intensidade emocional, típica do
repertório romântico da MPB dos anos 1970. A música se constrói a partir de uma
interpretação suave e ao mesmo tempo profunda, em que Sônia imprime
sensibilidade a cada verso, valorizando a emoção contida na letra.
A música foi tema da bela
Bibinha, personagem vivida na trama pela atriz Maria Cláudia.
“Jogo
Sujo”
Intérprete
e Compositor: Peninha
“Jogo Sujo”, do Peninha é uma daquelas canções que
traduzem com intensidade o lado mais doloroso das relações amorosas. Lançada no
final dos anos 1970, a música traz a
marca registrada de Peninha: letras confessionais, emotivas e
profundamente humanas.
A música entrou na trilha
sonora da novela Feijão Maravilha, também
como tema da personagem Bibinha (Maria Cláudia).
“Sapateado”
Intérprete:
Ronaldo Resedá
Compositores:
Guto Graça Mello e Paulo Coelho
Lançada no clima vibrante do samba e da música popular
brasileira dos anos 1970, “Sapateado”, de Ronaldo Resedá, ganhou
ainda mais destaque ao integrar a trilha sonora da novela Feijão Maravilha. A canção traduz com leveza e
malandragem o espírito descontraído da novela, marcada pelo humor, pela música
e pelo cotidiano carioca.
“Smile”
Intérprete: Lincoln Olivetti
Compositores:
Charles Chaplin, Geoffrey Parsons
e John Turner
A música “Smile”, de Lincoln Olivetti, é um
exemplo sofisticado do talento do maestro, arranjador e produtor que marcou
profundamente a música brasileira, especialmente entre o fim dos anos 1970 e a
década de 1980.
Lincoln Olivetti foi responsável por renovar o som da MPB,
aproximando-o das tendências internacionais sem perder identidade. Em “Smile”,
essa proposta aparece de forma clara: a música transmite otimismo, fluidez e
sofisticação, funcionando quase como uma trilha perfeita para cenas cotidianas
ou momentos de contemplação, algo muito comum nas instrumentais daquele
período.
A Música fecha a
trilha de Feijão Maravilha como tema de amor
dos protagonistas Eliana e
Anselmo, os personagens vividos pela Lucélia Santos e o Stepan Nercessian.
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Fonte:
Texto: Evaldiano de Sousa
Pesquisa: www.wikipedia.com.br www.memoriaglobo.com.br
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