Nos capítulos desta
semana de Três Graças dois assuntos pertinentes e necessários foram abordados
de forma muito coerente e responsável dentro da trama.
A participação de Luiz Fernando Guimarães:
A presença de Luiz Fernando Guimarães em Três Graças no
capítulo de terça-feira (17.03) foi rápida, mas bastante eficaz ao
acrescentar profundidade a um momento pontual da narrativa. No papel de
Michelangelo, surge primeiro como um observador discreto, assistindo à
distância à leveza do envolvimento entre Juquinha (Gabriela Medvedovski) e Lorena
(Alanis Guillen) à beira da piscina de um clube, até que encontra a
oportunidade de se aproximar e compartilhar um pouco de sua própria trajetória.
O texto construiu um contraste claro entre gerações: de um
lado, um passado atravessado pelo medo, pela repressão e pela necessidade de
ocultar sentimentos; de outro, um presente mais aberto, embora ainda sujeito a
julgamentos. Luiz Fernando Guimarães conduziu essa passagem com
sobriedade, sem recorrer a excessos. Seu Michelangelo não protagonizou um
grande discurso, mas apresentou um depoimento contido, quase despretensioso,
sobre uma vida inteira guiada pela cautela — marcada pela repressão de desejos
diante do medo da violência e da reprovação. Essa escolha conferiu mais
naturalidade à cena, evitando um tom didático.
Houve
ainda um componente extratextual que ampliou a percepção do público. Casado há
quase três décadas com o empresário Adriano Medeiros, com quem tem dois
filhos, o ator manteve por muito tempo sua vida pessoal de forma discreta,
longe de grande exposição.
Ficou
impossível não fazer esse espelhamento
entre a ficção e realidade, o que deixou
a cena, embora pequena, ainda mais importante.
Samuel de Assis e Miguel Falabella brilham em cena forte
e emocionante
O capítulo exibido nesta sexta-feira (20/03) de Três Graças trouxe
uma das passagens mais impactantes da história ao retratar a decisão de João
Rubens (Samuel de Assis) de encerrar seu casamento com Kasper (MiguelFalabella). A cena se destacou também por abordar, com sensibilidade, os
conflitos intensos e complexos vividos por um casal gay, mostrando que essas
relações atravessam desafios tão profundos quanto quaisquer outras. Sem
recorrer a estereótipos, a narrativa tratou o tema com naturalidade e respeito,
reforçando a seriedade dessas vivências.
A sequência em que João põe fim ao casamento com Kasper
ultrapassou o âmbito do drama íntimo e se firmou como um comentário social
forte e indispensável. O texto já se destacava como um dos mais incisivos da
novela, mas ganhou ainda mais força na interpretação de Samuel de Assis.
Ele trouxe uma intensidade contida, uma dor que não precisava de explosões para
se fazer sentir, e justamente por isso cada fala soou ainda mais contundente.
Ao
confrontar o egoísmo de Kasper — que roubou a estátua Três Graças movido
apenas por vaidade, sem considerar em nenhum momento as consequências para o
parceiro —, o embate deixou de ser apenas conjugal e passou a refletir
desigualdades raciais profundas e estruturais.
O
discurso de João carrega um peso necessário ao escancarar essa realidade: “Quando
você é preto nesse mundo, o mundo não espera que você acerte. Ele fica parado
ali de espreita, esperando pelo mínimo deslize seu pra poder te rotular, te
julgar de bandido, de criminoso, de vagabundo”.
Samuel
de Assis tomou conta da cena com segurança absoluta. Mais do
que atuar, ele se apropriou da fala, da dor e da dignidade de João, conduzindo
tudo com uma força que prendia o olhar.
No
desfecho, “Três Graças” revelou maturidade ao tratar um tema sensível
com profundidade e cuidado. Aguinaldo Silva, Zé Dassilva e Virgilio Silva demonstraram
precisão mais uma vez e o segredo
do sucesso da trama.
Veja Também:
| Tres Graças |
| Sophie Charlotte |
| Dira Paes |
![]() |
| Nossos Autores - Aguinaldo Silva |
| Grazzi Massafera |
| Murilo Benicio |
Fonte:
Texto: Evaldiano de Sousa

Comentários
Postar um comentário