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“Saramandaia” termina se consagrando pelas mensagens em forma de metáforas que foram um tapa na cara do Brasil

Foto : http://2.bp.blogspot.com/
         Sempre gostei dessas tramas regionalistas que transformam as cidades fictícias onde se  passam  em um  um microcosmo do Brasil , usando essa transformação para dar um show de crítica social. Foi assim em Roque Santeiro do Dias Gomes em 1985,  várias outras do autor e depois do seus súdito Aguinaldo Silva.
Foto : http://upload.wikimedia.org/w
      Porém,  Saramandaia abusou do direito de criticar e usando de metáforas deu uma tapa na cara do Brasil mexendo em assuntos polêmicos e tabus de uma maneira pertinente. Aliás, as críticas sociais em forma de metáforas  foram o grande destaque da novela, que chamou mais atenção do que o folhetim propriamente dito.
      Ricardo Linhares , autor da trama, inseriu logo nas primeiras cenas de Saramandaia  uma  manifestação dos que lutavam  a favor da troca de nome da cidade liderada por Zélia  Villar (Leandra Leal) , o que acabou coincidindo com a explosão de  manifesto em todo o Brasil no mês de  junho no início das Copas das Confederações. Pronto,  a novela esta predestinada a marcar uma época.
Foto : http://s2.glbimg.com/EmS
      Na trama foram tratados de vários assuntos, mas a preocupação  principal da trama era  passar a mensagem sobre a igualdade entre os seres. Na cidade de Bole-Bole, vários habitantes tinham características esquisitas e isso era interpretado de maneira errônea pelos outros que se julgavam “normais”. Eu vou destacar  uma das cenas  do último capítulo que mais me chamou atenção. Depois de casar Risoleta (Déborah Bloch) e Aristóbulo (Gabriel Braga Nunes), Padre Romeu (Maurício Tizumba) é excomungado da igreja  que não engoliu o fato do Padre ter casado um lobisomem. Uma assunto mais que atual no momento em que o mundo discute a visão da igreja sobre as novas famílias.
Foto : http://imguol.com/c/entretenimento/
       Talvez pela grande ênfase dada às metáforas críticas de Saramandaia, o folhetim acabou virando um  pano de fundo no remake. Casais como João Gibão (Sérgio Guizé) e Marcina (Chandelly Braz), Zelia Villar (Leandra Leal) e Lua Viana (Fernando Belo)  Zico Rosado (José Mayer) e Vitória Villar (Lília Cabral)  mostraram uma total falta de química e  não geraram o menor interesse do grande público. Aliás, José Mayer  e Lília Cabral que sempre brilharam em tramas regionalistas do Aguinaldo Silva viveram seus  piores personagens em Saramandaia. Zico e Vitória eram muito chatos, não foi à toa que o autor resolveu enterra-los no final nas ruínas da casa dos Rosados.
Foto : http://rd1.ig.com.br/w
      Em compensação personagens que tiveram pouco peso na versão de 1976 foram transformados em protagonista neste remake. A Dona Redonda da impecável Vera Holtz e a Risoleta da  Déborah Bloch foram a vilã e mocinha real da trama. As atrizes  roubavam todas as cenas em que apareciam. Mais destaque ainda para Vera Holtz pela  Bitela , a irmã gêmea da Redonda, uma graciosa contrastando   com a intragável que explodiu.
Foto : http://extra.globo.com/incoming/8

       Três cenas de Saramandaia vão povoar para sempre nosso memória afetiva :
·        A Explosão da Dona Redonda;
·        Candinha (Fernanda Montenegro) e Tibério (Tarcio Meira) se entrelaçando e se transformando em árvore; e
·        João Gibão mostrando suas asas para Marcina ao som de “Pavão Mysterioso”. 
Foto : http://s2.glbimg.com/rQ8bt

     Diga-se de passagem, todos os voos do João Gibão foram emocionantes,  e a produção percebendo o acerto nas cenas finalizou a trama com o personagem sobrevoando Saramandaia, tal qual a primeira versão.
       Por falar em “Pavão Mysterioso”  música que consagrou o cantor Ednardo em 1976, não entendi por que a música não foi novamente o tema de abertura. A Música instrumental escolhida para abrir o remake foi deprimente.
         A audiência de Saramandaia ficou muito abaixo do  esperado. Também pudera,  a trama praticamente passou metade da  exibição sem um atrativo para que ficássemos acordados até tarde acompanhando as peripécias dos moradores de Bole-Bole.     
       Diferentemente dos finalmentes  normalisticos das novelas , Saramandaia não teve um “fim” simplesmente. A trama terminou com a mensagem:  “Início de um novo tempo . . .”  Um Desejo de todos os brasileiros e a  esperança de que a humanidade um dia possa  se aceitar e aceitar as diferenças entre si.   
       Saramandaia foi uma novela metáfora  e que se tiver conseguido pelo menos  plantar na cabeça de cada um de nós 10%  do que foi passado o mundo será muito  melhor.

Foto : http://1.bp.blogspot.com/
Fonte : 
Texto : Evaldiano de Sousa

Comentários

  1. Saramandaia foi uma novela agradável de assistir com personagens cheios de magia e surpresas. Adorei a trama do casal mais charmoso da novela: professor Aristóbulo e Risoleta. Gabriel Braga Nunes e Debora Bloch arrasaram!

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