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Novelas inesquecíveis : Bebê a Bordo (1988)

A Trama que marcou o estilo  do autor Carlos Lombardi


  
         Há pouco mais de  25 anos no horário das sete , o Brasil inteiro foi testemunha do nascimento de Heleninha em plena Avenida Paulista no trânsito engarrafado dentro de um carro. Era a novela Bebê a Bordo do autor Carlos Lombardi que entrava no ar. A cena acima citada finalizou o primeiro capítulo e é  uma das mais lembradas da trama.

Heleninha
Foto  : teledramturgia 
         A novela  contava a história da bebê Heleninha responsável por despertar as mais diversas sensações, dentro da sua completa inocência. Parecia  ser o destino da pequena Heleninha desde o seu nascimento, que acontece dentro do carro de Tonico Ladeira ( Tony Ramos ) , quando a quase mamãe Ana (Isabela Garcia)  pega uma estratégica carona para fugir da polícia. Estava selada a união de Ana e Tonico. De motorista a parteiro, Tonico fica irremediavelmente     ligado a Heleninha, ainda mais quando  Ana  desaparece.
         A novela marcou o estilo do autor Carlos Lombardi , que apesar de ser ter escrito sozinho Vereda Tropical em 1985 , ainda estava sob supervisão de texto do Sílvio de Abreu. Mas foi mesmo em Bebê a Bordo, que o Brasil inteiro pode conferir os ingredientes que autor usaria magistralmente  em seus outros trabalhos de sucesso ( Perigosas Peruas/1992, Quatro por Quatro/1994, Vira Lata/1996 , Uga-Uga/2000, O Quinto dos Infernos/2002 e Kubanacan/2003). Corpos desnudos  descamisados, textos com pinceladas de humor ácido e sarcásmo, cenas de ação além da agilidade instantânea dos acontecimentos.

Ana e Tonico
Foto : teledramaturgia.com 
         Foram grandes os destaques do elenco  encabeçados por Tony Ramos  que fazia seu primeiro personagem cômico na tv. Foi uma mudança total do estilo e chocou positivamente os telespectadores que viram ele na pele do Cristiano dois anos antes no remake de Selva de Pedra (1986) da Janete Clair. Tonico  passou por todas as situações possíveis e mais engraçadas em cenas, de fazer o parto da Ana dentro de um carro , até ficar pelado em plena praia.

Foto : teledramaturgia.com 

         Isabela Garcia foi catapultada ao posto de grande estrela granças a Ana , uma personagem que já fugia dos padrões das mocinhas normais , ela não era  nem tão indefesa muito menos inocente. Graças a personagem  Isabela  ganhou outras protagonistas nos anos seguintes  nas novelas :  O Sexo dos Anjos (1989), Lua Cheia de Amor ( 1990) e Sonho Meu (1993).


Foto : http://1.bp.blogspot.com/

         Guilherme Leme e Guilherme Fontes que vinham de pequenos papéis em novelas anteriores , fizeram dos irmãos  Rico e Rei  persoangens inesquecíveis em sua carreira. Os dois irmãos que foram abandonados quando crianças pelo pai e pelo irmão mais velho viviam em uma fábrica abandonada , e graças ao jeitão largado enlouqueciam as mulheres da trama. Eles usavam como acessórios duas bandanas na cabeça que viraram moda no pais na época.

Foto : www.google.com.br/
         Maria Zilda , que defendeu na trama a solteirona Angela, deu um show de interpretação no contra ponto da personagem, que tinha sonhos eróticos com um homem desconhecido,  onde dava vazão a todas as suas fantasias sexuais reprimidas. Para sua surpresa   o tal homem dos sonhos que ele julgara não existir aparece em seu bairro de carne e osso. Era  o Tonhão  ( José de Abreu ). A Música tema da personagema “Mordida na de Amor” versão da banda Yahoo para “Love Bites” da Def Lepard , virou um magahit naquele ano , e elevou a banda ao topo do sucesso.
         Débora Duarte deu vida a machona Joana Machadão, uma personagem que fazia questão de mostrar que  não tinha nada de mulherzinha não, e que podia brigar páreo à páreo com os homens. No meio da trama ela se apaixona por Tonhão , que morre em um acidente ocasionado por Ana. Depois do ocorrido, Machadão passa a ser a principal pedra no sapado de Ana com intuito de vingar a morte do seu grande amor. Lembro-me que na época do morte do Tonhão , eu não acreditava que um dos protagonistas teria morrido realmente,  e esperei o resto da trama  que ele reaparecesse, o que não aconteceu.

Foto : www.google.com.br/
         Tal qual fez com Heleninha, Ana também foi abandonada pela mãe quando criança. Hoje sua mãe é a rica socialite Laura , vivida pela saudosa Dina Sfat. Como num estratégia do destino a Heleninha acaba vindo parar nas mãos de Laura , que resolve lutar pela menina , numa espécie de compensação pelo que fizera com a filha no passado. A Laura foi o ultimo papel de Dina Sfat na TV , que morreu de cancêr em março de 1989 um mês depois do término da trama. 

         Cinco crianças se revezaram na papel de Heleninha , em diferentes fases do crescimento do bebê. Mas foi a menina Beatriz Bertú ( da última fase )  que conquistou a todos  -  elenco , produção e os telespectadores.
Foto : http://ego.globo.com/Gente/
         Ao contrário do que se esperava, Bebê a Bordo teve finais tristes : Laura consegue a guarda de Heleninha , e por isso Ana acaba não se entendendo com a mãe. Ana , Rico e Rei planejam uma fuga com a bebê e capotam o carro, que cai de uma ponte. Rico e Rei que haviam casado um dia antes , são dados como mortos , e suas mulhetes Sininho ( Carla Marins ) e Raio de Luar ( Silvia Buarque) acretitam ser viúvas. Ana leva um tiro na fuga , e renuncia o amor de Tonico. Rico e Rei conseguem pegar Heleninha e fogem para o Paraguai aguardando Ana. A última cena da novela e com a Heleninha olhando um quadro com a pintura do rosto da mãe ao som de “Mordida de Amor”.
         Confesso que quando assistir Bebê a Bordo , pela primeira vez custei para me acostumar com a agilidade da trama, que era uma  novidade para época , o que até me soou como uma certa desordem dos capítulos. Hoje lembrando esse grande sucesso vejo a importância que ele teve para consolidar essa tipo de trama tão bem vinda  no horário das sete.  A novela chegou a dar 60 pontos de audiência em seus melhores dias. Carlos Lombardi foi um mestre em escrever  a trama, conseguindo manter o interesse do público diário pela novela , e usando como arma uma  inocente bebê que era estrategicamente entregue a cada núcleo fazendo uma interligação natural  entre os personagens.
       Vendo as brigas de Donana (Jussara Freire)  com Otávio (Felipe Cardoso)  na atual trama do autor no ar ,  me veio a cabeça os embates entre a Ana e Laura , também  mãe e filha na trama. Se amavam,  porém não podiam se encontrar.  Esses dramas familiares, mesclando ódio, amor e ressentimentos também são outra característica das tramas do Lombardi.
      Falar de Bebê a Bordo  depois de tanto tempo de sua exibição,  me trouxe muitas  lembranças boas dos tempos em que ainda não  entendia o que era uma boa novela, mais inoconsientemente  já sabia apreciar um novelão.

Ficha Tecnica :
Bebê a bordo
Novela de Carlos Lombardi
Direção Geral : Roberto Talma
Exibição : 13 de junho de 1988 à 11 de fevereiro de 1989
Capítulos : 209

Foto : http://2.bp.blogspot.com

Fonte :
Texto : Evaldiano de Sousa
Fotos : Google

Pesquisa : Teledramaturgia.com e wikipédia.com 

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