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Balanço das Novelas 2016 (Parte 1)


        Chegou aquela hora  do ano de fazer o balanço das novelas. Em 2016, o gênero completou 65 anos, e escolheu exatamente esse  ano para inovar ou chocar o público. Se o intuito era apenas esse, conseguiu. O público voltou a se chocar com beijos de pessoas do mesmo do sexo (homens e mulheres)  e a violência da vida real retratada no horário nobre, o que levou algumas tramas a serem rejeitadas por essas características,  caso de  A Regra do Jogo, no início do ano;  e em meados de Abril antes mesmo de estrear Liberdade, Liberdade começou a sofrer uma campanha negativa  nas redes sociais por causa de um já anunciado beijo e transa entre dois homens. 
        Mas  alguns horários resolveram beber  de velhas fórmulas,  os eternos romances “contos de fadas” como mostrados em Totalmente Demais , apresentada no horário das sete e considerada  grande sucesso do ano.
        O Humor inocente e pastelão também foi relembrado com a volta de Walcyr Carrasco ao horário das seis, que transformou Êta Mundo Bom em outro sucesso do ano.
        Enfim, foi mais um ano difícil para a teledramaturgia que conseguiu sucesso pontuais, cercados por tramas que tiveram que se  rebolar para se manterem dignas.
        Eu separei o post sobre o balanço das novelas em duas partes.  Nesse primeiro vou falar das tramas que saíram do ar em 2016.

Além do Tempo (Globo – 13 de Julho de 2015 à 16 de Janeiro de 2016)

        Além do Tempo, trama da autora Elizabeth Jhin, terminou aos 16 dias do mês de janeiro, ou seja  sua reta final foi ao ar em 2016 e continuou sendo considerada um “novelão”, título que ela já havia conseguido em 2015 com uma trama inovadora, que contou a história em duas fases, mas com o diferencial dessas fases serem praticamente metade da trama cada uma. Foi um risco, pois o público quando já estava acostumado com os personagens no século 19, a história teve uma passagem de tempo de mais de 150 anos e mostrou esses mesmo personagens em novas vidas nos dias atuais.  Seguindo numa linha reta,  a novela foi pouco a pouco conquistando público com seu  texto impecável, direção de cinema e atuações irrepreensíveis.   Alguns veículos apontavam o sucesso de Além do Tempo devido a aura do século 19 que pincelava os  romances e os entrechos  e que  com a virada do século  a trama atualizada sem esse pano de fundo do século passado pudesse  se esvair. Ledo Engano!
        O Elenco de Além do Tempo tem praticamente 80% de participação nesse sucesso da trama, veteranas que se renovaram com personagens e atuações dignas de um Oscar como Nívea Maria, Julia Lemmertz, Ana Beatriz Nogueira, Louise Cardoso         e Irene Ravache que se entregou de corpo e alma à Vitória  nos brindando com uns dos seus melhores momentos na Tv. Alinne Moraes e Paolla Olivera, as protagonistas da história, brilharam de igual para igual  no duelo central da trama. Poucas vezes vimos duas estrelas se equivaleram tanto como protagonistas   de uma novela.


Cúmplices de Um Resgate (SBT - 03 de Agosto de 2015 à 13 de Dezembro de 2016)

        Cúmplices de Um Resgate,  versão do SBT da novela mexicana Complices al Rescate, produzida pela Rosy Ocampo para a Televisa em 2002 e apresentada pelo SBT no mesmo ano, escrita por Íris Abravanel, começou em 2015 mais com 357 capítulos exibidos passou praticamente o ano todo de 2016 no ar. A trama foi mais uma da linha que o SBT vem seguindo para agradar o público infantil das  tv´s abertas, como faz desde o remake de Carrossel em 2012. A Receita continuou dando certo. A novela foi um grande sucesso, conquistou um público cativo e elevou a status de grande estrela da casa  a atriz Larissa Manoela, a protagonista que deu vida as gêmeas Manuela e Isabela.

A Regra do Jogo (Globo - 31 de Agosto de 2015 à 12 de Março de 2016)

        A Regra do Jogo, novela do autor João Emanuel Carneiro, deixou o ano de 2016 em 12 de março, e teve a incumbência de trazer de volta para o horário das oito o público afugentado por Babilônia (2015), isso além da trama ser a seguinte do autor depois do sucesso de Avenida Brasil em 2012. Infelizmente não deu certo. Não foi rejeitada como Babilônia, mas não conseguiu atrair um grande público, que desta vez foi afastado devido a violenta trama apresentada. João Emanuel Carneiro pesou na mão, e A Regra do Jogo talvez tivesse funcionado melhor se apresentada em forma de seriado. Uma pena que em seu conjunto da obra a trama não tenha funcionado, mesmo com uma direção cirúrgica da Amora Mautner e o bom texto e roteiro. Em resumo a trama teve muitas ramificações, muitos núcleos paralelos que prejudicaram o andamento dos capítulos que se dividiam em FACÇÃO/HUMOR/NÚCLEO MACACA/FACÇÃO.  Com tantas informações o autor acabaria esquecendo  alguma coisa, e em A Regra do Jogo  o romance foi “sacrificado” e consequentemente a novela. Prova disso foi o sucesso que a cena exibida no penúltimo capítulo com o Romero finalmente declarando seu amor à Atena e lhe pedindo em casamento ter sido um sucesso nas redes sociais. 
        Não posso deixar de falar do elenco de A Regra do Jogo. Nomes como Tony Ramos, Cássia Kiss Magro, Alexandre Nero e Giovanna Antonelli (que não foi a nova Carminha, mas foi um espetáculo) foram a alma da trama.
       
Totalmente Demais (Globo - 09 de Novembro de 2015 à 30 de Maio de 2016)

        Totalmente Demais  foi a trama de estreia da dupla Rosane Svartman e Paulo Halm, e considerada a melhor do ano em todos os aspectos. O Público se apaixonou pelo conto de fadas modernos que  se transformou em viral nas redes sociais. Há tempos um último capítulo de novela das sete era tão aguardado como foi o de Totalmente Demais. O Público queria saber com que Elisa (Marina Ruy Barbosa) ficaria no final : Artur (Fábio Assumpção) ou Jonas (Felipe Simas)? O que deixou bem claro que o grande trunfo da trama foi esse romance entre o príncipe, a ruivinha e o sapo. O Capítulo mudou até os padrões globais, tendo esse último apresentado na  segunda-feira e não sexta como é comumente nas produções de teledramaturgia da emissora.
        Se Eliza e Jonatas foram coroados com o grande final em Paris, seus intérpretes também não tem do que reclamar. Marina Ruy Barbosa e Felipe Simas foram impecáveis vivendo o casal romântico. Sem nenhum recurso de trejeitos ou caricaturas, ambos   foram a alma da trama e a novela deu um novo status em suas carreiras. 
        Mesmo com o romance Jonatas/Elisa/Arthur como eixo da novela,  as tramas paralelas também foram cruciais para o sucesso de Totalmente Demais. Neste campo vale destacar a história de Germano (Humberto Martins)  e Lili (Viviane Pasmanter) ; o núcleo de Curicica encabeçado pela Rosangela (Malu Galli) e Florisval (Ailton Graça); o drama da adoção vivido pela Carolina (Juliana Paes);  Estelinha e Maurice , numa participação mais do que especial da Glória Menezes e Reginaldo Faria; o Max (Pablo Sanábio) andando de mãos dadas na rua com seu novo pretendente no último capítulo, que para o horário valeu por um beijo gay,  e claro a Cassandra, da Juliana Paiva, que em muitos momentos roubou as cenas cômicas da trama. O sucesso da personagem lhe rendeu inclusive um seriado de 10 capítulos escritos especialmente para ser apresentado no Globo Play.
        Juliana Paes viveu uma personagem difícil na trama. Inicialmente era uma vilã tão pincelada que parecia aquelas bruxas da Disney, o que só acentuava o conto de fadas da novela. No decorrer da trama o carisma e talento da atriz foi dando o tom certo à Carolina que terminou perdoada e num final feliz com Arthur.
        A Explicação para o  sucesso de Totalmente Demais talvez seja ainda  muito procurada no decorrer dos anos. Será que foi sucesso por ser uma trama simples? Por ser um conto de fadas moderno? Por ter focado no romance? Ou porque fez desse romance o ponto de partida? Enfim muitas perguntas ainda ficarão no ar , mas o fato que Paulo Halm e Rosanne Svartmann conseguiram transformar a  já fadada história de amor  recheada de  melodrama em uma novela  impossível de perder e impossível  de ser esquecida. Um literal “novelão”!

Êta Mundo Bom (Globo - 18 de Janeiro à 27 de Agosto de 2016)

        Êta Mundo Bom deixou muitos órfãos quando se encerrou em agosto deste ano. A trama que marcou a volta do autor Walcyr Carrasco no horário que lhe consagrou como grande novelista, foi o grande sucesso de audiência do ano. Walcyr até anunciou nas entrevistas de estreia que não iria apresentar nada de novo, era o mesmo “feijão com arroz”  que ela já havia apresentado em outros trabalhos no horário como O Cravo e a Rosa (2000) e Chocolate com Pimenta (2003), mas foi exatamente esse “feijão com arroz”,  devorado pelo público como um manjar dos deuses,  que transformou Êta Mundo Bom numa êta novela boa.
        No elenco destaque para Flávia Alessandra, na pele da vilã Sandra, que inicialmente foi comparada com a Cristina de Alma Gêmea (2005), mas a atriz  logo mostrou que a Sandra tinha vida própria e foi aclamada novamente  como  vilã do autor; Elizabeth Savalla, que transformou a principal crítica à sua personagem, o tom elevado, no  maior charme da Boca de Fumo, digo a Cunegundes! E  Sérgio Guizé sem dúvidas será eternamente o nosso Candinho. O Ator entrou no personagem de tal forma que com certeza Mazaroppi , que imortalizou o personagem nos cinemas,  se sentiria orgulhoso.
        Êta Mundo Bom criou outro sentido para a palavra “Cegonho”. A personagem Mafalda, interpretada magistralmente pela Camila Queiroz, apelidou o órgão genital dos seus pretendentes,  vividos pelo Anderson di Rizzi e Kléber Toledo,  de Cegonho. E essa busca “pela ave”  foi um dos destaques da história. Uma pena que no final a Mafalda tenha ficado com Zé dos Porcos (Anderson di Rizzi), minha torcida era para o Romeu. Mas o cara teve sorte, ficou com a Mafalda na vida real.
        Entre os percalços da trama,  o fato da protagonista   Filomena, vivida pela Debora Nascimento, não ter emplacado. A Personagem foi enfraquecendo e perdendo espaço para coadjuvante Maria, vivida pela Bianca Bin, que acabou tomando às vezes de protagonista, sendo o principal alvo da vilã Sandra, e responsável por descobrir todos os segredos e vilanias da trama.
        Apesar de não mostrar nada de novo, e encher a trama com casamentos que não aconteceram, planos   sempre falíveis dos vilões e muita torta na cara, além das tramas que andavam em círculos,  Êta Mundo Bom nos remeteu aquelas clássicas novelas do horário da década de 80 em que nos tornávamos público cativo, sentadinhos à frente da tv naquele horário certinho. Mesmo com a possibilidade de vermos a trama em várias outras plataformas, como o próprio Globo.play da emissora, o gostinho de vê-la na tela da tv tinha  um sabor  mais do que especial.

Velho Chico (Globo – 14 de Março à 1º. Outubro de 2016)

        Depois da rejeição as tramas fortes e realistas apresentadas no horário anteriormente (Babilônia e A Regra do Jogo) a Globo resolveu inovar e trouxe para o horário nobre, quebrando até a fila de sucessão, uma trama rural que marcou a volta  do estilo  e do autor Benedito Ruy Barbosa ao horário nobre global.
        Assim Velho Chico estreou em março mostrando ao telespectador um espetáculo em forma de novela que contaria  sua história às margens do Rio São Francisco  com fotografia, direção, texto e elenco em total sintonia.  As duas primeiras fases de Velho Chico   nos fizeram acreditar que a Globo tinha acertado, que o horário nobre da emissora estava salvo. Ledo engano! Infelizmente ao chegar em sua terceira fase, que fazendo justiça, não perdeu em nada para as duas primeiras, a trama   e seu  ritmo lento começou a cansar  aquele público que reclamou da agilidade dos acontecimentos das tramas anteriores.
        Um dos  pontos fortes da novela foi seu elenco que escolhidos a dedo, deram a veracidade em interpretações viscerais ao texto do Benedito. A primeira fase  foi marcada pelo trabalho impecável do Rodrigo Santoro(Afrânio), Rodrigo Lombardi (Capitão Ernesto Rosa), Carol Castro (Iolanda), Cyria Coentro (Piedade), Fabíola Nascimento (Eulália) e Chico Diaz (Belmiro dos Anjos). Impossível esquecer as intepretações da Selma Egrei como a Dona Encarnação, Lucy Alves (Luzia), a grande revelação da trama; Irandhir Santos (Bento) , Dira Paes (Beatriz); Zezita Gomes (Piedade) , Marcelo Serrado         ( Carlos Eduardo), alçado a grande vilão  no final da trama e Christiane Torloni, que foi fiel à Iolanda por toda a trama e nos brindou com uma crível interpretação e um show “literalmente” , quando precisou dar vida ao lado musical da personagem.
        No elenco de jovens e estreantes Lucas Veloso foi a grande revelação dosando humor e irreverencia com seu personagem homônimo. Mas não posso deixar de citar Giullia Buscácio (Olívia);  Gabriel Leone, Renato Góes e Júlio Dallavia, O Santo e a Tereza da primeira e segunda fases; e os estreantes em novelas Marienne de Castro (Dalva) e Lee Taylor, que foi impecável como o Martin, uma pena que o ator foi tão mal aproveitado.
        O Trio de protagonistas também defendeu com maestria seus personagens, embora com perfis difíceis   devido à grande carga dramática que eles traziam das fases anteriores. Antônio Fagundes (Afrânio)  e Camila Pitanga (Tereza) , apesar de terem sido bombardeado de críticas, principalmente o Fagundes devido a discrepância entre o Afrânio da terceira fase e das anteriores vivido pelo Rodrigo Santoro e o figurino exagerado com direito a peruca,  conseguiram chegar ao tom dos seus personagens na reta final da novela.
        Uma pena que na reta final a arte saltou a ficção e a emblemática história de  vida e morte às margens do Rio São Francisco tenha nos levado Domingos Montagner,  imortalizado para sempre nas águas do Velho Chico.
        A perda do protagonista da trama em um  acidente nas locações das gravações da novela comoveu o Brasil que ficou sem entender se era verdade ou gravação de novela. Perdemos o  grande talento do ator Domingos Montagner, mas a  novela  não perdeu seu Santo. Na trama,  o personagem continuou vivo com os atores contracenando diretamente para a câmera como se o olho de Santo e do Montagner fosse a lente.
        Velho Chico foi uma trama tão requintada  que  tinha que ser vista  por uma ótica mais teatral e menos novelística, talvez assim fosse marcada pelo sucesso. 


Liberdade, Liberdade (Globo – 11 de Abril à 04 de Agosto de 2016)

        Liberdade, Liberdade, trama do autor Mário Teixeira, causou polêmicas e burburinhos antes mesmo da sua estreia. Primeiro pela troca de autores, quando foi anunciada a saída de Márcia Prates, e depois quando descoberto que a trama iria apresentar a primeira transa entre dois homens da história da teledramaturgia.
        Porém nem isso tirou o brilho da trama  e do texto do Mário Teixeira que soou tão contemporâneo que se fechássemos os olhos poderíamos jurar que a trama não era de  uma época tão distantes assim,  com mensagens de fé,  luta e busca por seu direitos e respeito pelas desigualdades. Poderia ser mais atual? 
        Até mesmo a cena  que causou tanta polêmica e rejeição antes mesmo de ir ao ar foi um surpresa para o público, e a teledramaturgia brindada com uma das cenas mais emblemáticas da trama mostrando todo o tesão,  e porque não o amor,  que nasceu entre os personagens de Caio Blat e Ricardo Pereira. Tudo mostrado com muita sutileza e respeito ao assunto.
        No elenco destaques para nomes que fizeram um trabalho impecável a frente de seus personagens como o caso de Andrea Horta, na pele da Joaquina, a filha do Tiradentes; Mateus Solano, o vilão Rubião;  Maitê Proença, que na pele da Dionísia, viveu várias nuances  até chegar o final em dupla perfeita com o bandoleiro Mão de Luva, numa interpretação impecável do Marco Ricca. O personagem inclusive ganhou um spin-off com o término da trama  exibido pela Globo Play.  E não posso deixar de fazer menções honrosas para:  Lília Cabral (A Virginia), Bruno Ferrari (Xavier) que marcou a volta do ator a Globo, Dalton Vigh (Raposo Viegas), Zezé Polessa (Ascensão) , Nathália Dill (Branca), Caio Blat (André), Ricardo Pereira (Tolentino), Sheron Menezes(Bertoleza), Juliana Carneiro da Cunha (Alexandra) e Joana Solnado (Anita). 
         A autor resolveu levar  a história central de Liberdade, Liberdade em banho-maria  no início, a trama sobre a verdadeira identidade Rosa, que na verdade era Joaquina, e para isso criou várias tramas paralelas. Essas tramas  criadas para segurar a história da filha de Tiradentes para a reta final tiveram  seu charme e acrescentaram muito à novela. Foi o caso do romance do André (Caio Blat) e Tolentino (Ricardo Pereira), as loucuras de Branca Farto (Nathália Dill), a dupla Duque de Ega (Gabriel Braga Nunes) e Alexandra (Juliana Carneiro da Cunha) que pretendiam dar um golpe na coroa e  a participação luxuosa da Princesa Carlota Joaquina, tudo providencial e que se tornaram essencial para o desenrolar dos acontecimentos.  A história principal da Joaquina pode até ter sido prejudicada pela demora em se tornar realmente principal, mas em nenhum momento essas tramas paralelas   foram apenas meras “barrigas” para o desfecho final. Elas foram escritas de forma tão natural e acopladas ao texto, que acabaram ganhando vida própria  e merecido destaque.

Haja Coração (Globo – 31 de Maio a 08 de Novembro de 2016)

        Daniel Ortiz voltou ao  horário das sete depois do sucesso de Alto Astral em 2014, e escolheu reescrever o remake de um dos grande sucesso do Silvio de Abreu, Sassaricando apresentado na Globo em 1987.  Haja Coração não foi um remake propriamente dito, o autor usou a trama original do Silvio como inspiração, mudou a ordem de importância das tramas transformando a Tancinha e Fedora, personagens da Mariana Ximenes e Tatá Werneck , em protagonistas da novela e apresentou sua novela.   Ambas as personagens que eram  coadjuvantes em Sassaricando, na época vividas pela Cláudia Raia e Cristina Pereira, se transformaram em grande destaque da novela, chegando até suplantar a trama principal.
        Haja Coração  teve altos e baixos até se firmar como sucesso, muito disso devido aos órfãos de Totalmente Demais, a trama anterior no horário que foi um fenômeno, mas o autor continua sua linha de raciocínio pincelando a trama com doses de humor, popularidade e romance.
        A escalação da  Mariana Ximenes para viver a Tancinha, o que me fez ter um certo receio sobre como a atriz daria vida a uma personagem que até hoje estava imortalizada na interpretação exageradamente magistral da Cláudia Raia, foi o grande acerto de Haja Coração. Mônica Iozzi e Paolla Oliveira fora as primeiras atrizes pensadas para viver a personagem.
        Uma pena que a outra protagonista, vivida pela Tatá Werneck tenha perdido o fôlego no decorrer da trama. A Fedora parecia ter caído como uma luva para a atriz, mas a temática das redes sociais na qual a personagem era ligada 24 horas por dia acabou cansando logo, e quando isso foi percebido e a Fedora abandonou as Fedoretes já era tarde demais. Inicialmente na dobradinha com a Grace Gianoukas, a personagem até rendia, mas a suposta morte da Teodora, levou junto a alma da personagem, e para o telespectador sobrou o de sempre,   a Tatá fazendo graça. Nem mesmo  a participação  especialíssima  da Cristina Pereira,  que viveu a Fedora de Sassaricando, como a Tia Safira,  salvou o núcleo dos Abdalla que foi definhando e ganhou força apenas nas últimas semanas com o retorno da Teodora.
        O Romance foi o grande trunfo de Haja Coração com o público comprando outro  conto de fadas no horário com a história de amor entre Shirley (Sabrina Petraglia) e Felipe (Marco Pitompo), e o triângulo amoroso levado até o último capítulo com a Tancinha divididinha  entre o Beto (João Baldassarini) e Apolo (Malvino Salvador).
        Haja Coração nos brindou com grandes personagens   e   intérpretes que parece que foram feitos sob medida. O que dizer da Bruna má da Fernanda Vasconcellos, sem dúvidas seu melhor momento na tv desde a Nanda de Páginas de Vida (2006); A Teodora da Grace Gianoukas que foi a grande estrela do núcleo cômico, assim como a Ellen Rocche na pele da Leonora Lammar, que mesmo com a personagem anteriormente vivida pela Irene Ravache,  e tendo como companheira de cenas ninguém menos que Malu Mader e Carolina Ferraz, conseguiu se sobressair e mostrar um ótimo  e inesquecível trabalho.
        Outra que também brilhou na trama foi a Ágatha Moreira, que praticamente viveu três personagens: A Camila má, de antes do acidente; A Camila boazinha, pós acidente e a última Camila , o meio termo entre as duas. Com o perfil bem diferente da original de Sassaricando, ela foi bem mais interessante dramaturgicamente falando, e consagra a atriz em mais um trabalho.
        Haja Coração cumpriu sua função, foi uma novela sob medida que  consagrou mais uma vez Daniel Ortiz.


Malhação – Seu Lugar no Mundo (Globo – 17 de Agosto à 02 de Agosto de 2016)

        O Vigésimo ano da Malhação  teve com subtítulo “Seu Lugar no Mundo”  e ficou no ar quase 1 ano. Começou em agosto de 2015 e terminou em agosto de 2016. A Autoria continuou a cargo de Emanuel Jacobina que voltou a escrever a trama desde 2011. O Autor foi o primeiro a escrever a novela em sua temporada inicial em 1995.
        Essa temporada foi marcada por um relevante sucesso e seus protagonistas Nicolas Prates e Marina Moschen ganharam tanta empatia junto ao público que foram escalados para personagens importantes em próximas produções da Globo tão logo terminaram sua participação na trama teen.
        Lucas Lucco e Nego do Borel também fizeram um trabalho bonito na temporada e ganharam muito destaque. A Globo inclusive queria que além do Nego, que continua na temporada atual, Lucas Lucco também continuasse. Mas o desejo de se dedicar ainda mais a carreira de cantor fez com que o cantor desistisse de seguir com o hilário Uódson, seu personagem na trama.
        A reta final desta temporada foi marcada por uma  tragédia. O Personagem Filipe, vivido pelo ator Francisco Vitti foi morto, o que transformou a relação com Nanda (Amanda de Godói), sua namorada na novela,  que já havia tomado o público com a química entre eles, em uma das mais importantes a partir de então. O Sofrimento da personagem que perdeu o namorado,   rendeu  à Mariana de Godói a  passagem para a próxima temporada e seu desempenho  ganhou muitos elogios o que a levou inclusive ser um das  indicadas para melhores do ano no Troféu do  Domingão do Faustão.  

Fonte:

Texto : Evaldiano de Sousa 

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                  Pioneira da televisão no Brasil, Laura Cardoso foi a estrela do   Documentário Tributo desta   semana, exibido nesta sexta   (26.04), mas uma das grandes homenagens da Globo e Globoplay aqueles que fizeram   a história da nossa tv.         Laura Cardoso    atuou em  teleteatros, séries e novelas  desde a década de 50, lapidando o gênero. É uma das profissionais mais atuantes com  inúmeros prêmios ao longos desses mais de 74  anos de carreira.         O Tributo nos mostrou   uma Laura Cardoso serena e pronta para novos trabalhos, e isso   conforta meu coração. Foi uma homenagem merecida e muito importante   para dar a atriz o status de grande profissional que ela sabe é, mas que muitos precisam   ver assim documentado para não esquecer. Veja Também: Laura Cardoso  Fonte: Texto: Evaldiano de Sousa        

Trilha Sonora Eterna - Sinhá Moça (2006)

         A Segunda versão de  Sinhá Moça   (2006), trama do autor  Benedito Ruy Barbosa ,  estreou no início do ano   no  Canal Viva,  substituindo a reprise de  Escrito nas Estrelas  (2010), a partir das 15:30.         Protagonizada por  Débora Falabella ,  Danton Mello   e um grande elenco, a novela tem direção geral de  Ricardo Waddintgon e é considerada um dos grandes sucessos do horário nos anos 2000.         Remake da novela exibida em 1986 com a história dos personagens Sinhá Moça ,   Rodolfo   e Barão de Araruna, vividos por LucéliaSantos, Marcos Paulo e Rubens de Falco na ocasião – agora interpretados por Débora Falabella, Danton Mello e Osmar Prado . Baseada no romance de Maria Dezonne Pacheco Fernandes (lançado em 1950), a história já tivera uma versão cinematográfica, produzida pela Vera Cruz em 1953, dirigida por Tom Payne e Oswaldo Sampaio , com Eliane Lage (Sinhá Moça), Anselmo Duarte (Rodolfo) e José Policena (Barão de Araruna). A Trilha Sonora de Sinh

“No Rancho Fundo” emociona público com a mudança da Família Leonel para o Hotel São Petesburgo

        A trama do  Mário Teixeira continua sendo a menina dos olhos da Globo . A “continuação” de Mar do Sertão , acertou a fórmula e reconquistou o público que correu de Elas por Elas .   Nesta semana a novela chegou em uma das fases aguardadas, a reviravolta da família Leonel que graças a Tubaína se tornam milionários.         A Cena em que a família sai do rancho rumo ao grande Hotel São Petsburgo, que fechou o capítulo desta sexta(17.05),    emocionou o público com   a junção   da sequencia da novela com o take da abertura que conta a história da família.         É Fato que essa fórmula   de apelo popular, quase folclórico, vem se tornando uma boa saída para ao horário das seis, que sempre   que   investiu   nesse viés viu essas novelas se   transformarem em sucesso,   como foram O Cravo e a Rosa (2000), Êta Mundo Bom   (2016) e a própria Mar do Sertão , ou seja é a simplicidade somada a criatividade provando que nunca sai de moda. Veja Também: No Rancho Fundo null Deb