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Novelas Inesquecíveis - Dancin´Days (1978)

“Abram suas asas, solte suas feras”  

        Impossível cantar esse refrão do clássico tema cantado pelas Frenéticase não ser levado imediatamente ao mundo da trama de Dancin´Days,  do autor Gilberto Braga que marcou a teledramaturgia nacional.
        Dancin´Days foi uma espécie de Avenida Brasil nos anos 70. A  mágico mundo das discotecas era o pano de fundo para a rivalidade entre as irmãs Julia Mattos e Yolanda Pratini, vividas magistralmente por Sônia Braga e Joanna Fomm.
        O sucesso da trama elevou Gilberto Braga ao casting de grandes autores da emissora logo em seu primeiro trabalho em horário nobre e transformou Sônia Braga em estrela nacional e internacional.  A Novela foi  matéria de reportagem da revista americana Newsweek  falando sobre o efeito que a  trama causou na sociedade brasileira, ditando regras e lançando moda. Foi a primeira novela brasileira  que o México, pais tradicional em exportação de novelas,  apresentou. Até hoje  Dancin´Days já foi vista em mais de 40 países.  
        A trama  tem como história central a vida de  Júlia Matos (Sônia Braga),  uma ex-presidiária que ganha liberdade condicional após onze anos de prisão, e tenta se reaproximar da filha Marisa (Glória Pires), tendo como principal obstáculo a irmã Yolanda Pratini (Joana Fomm), que criou a menina cercada de luxo e mimos. Yolanda, uma socialite que optou por se casar (com o rico Horácio Pratini, vivido pelo José Lewgoy ) para subir na vida, queria que Marisa e a irmã trilhassem o mesmo caminho. Júlia, corajosa e determinada, tenta, sem muito sucesso, se reestabelecer fora do presídio, enquanto faz das tripas coração para ser aceita pela filha, que a trata com hostilidade e aparente indiferença. Marisa é uma adolescente com temperamento rebelde, que não se importa com a situação.

        Inicialmente chamada de A Prisioneira, baseada em um argumento de Janete Clair,  a trama de Dancyn´Days não parecia ter muitos atrativos,  conforme declarou em recente entrevistas  o autor Gilberto Braga,  na época em que a trama foi reprisada pelo Canal Viva.  A discoteca como pano de fundo foi inserida  bem depois da idealização da novela. Daniel Filho sugeriu o tema tendo como base o sucesso que as discotecas vinham fazendo no exterior e pegando carona no sucesso do filme “Os Embalos de Sábado à Noite” com John Travolta. A Ideia foi crucial para o sucesso da novela que entre uma cena e outra mostrava   as festas que rolavam na boate da trama, e as discotecas se popularizam aqui no Brasil também.
        Para o título da trama, Gilberto Braga pegou o nome emprestado da boate de Nelson Motta, a Frenetic Dancing Days Discothéque. A Discoteca foi mantida pelo produtor musical durante quatro meses do ano de 1976, no recém-inaugurado Shopping da  Gávea no Rio de Janeiro.

        Sônia Braga, que já havia se transformado em estrela nacional em Gabriela (1975), com a Júlia Matos  foi aclamada pela crítica e pelo público, começando abrir  as portas para sua carreira internacional. Com interpretação  contida e quase introspectiva da Júlia em sua primeira fase, foi visceral  na segunda fase em que a personagem volta e brilha triunfal no decorrer da trama. Betty Faria foi a primeira opção pensada para viver a Júlia Mattos, mas a atriz já estava em volta com o programa musical Brasil Pandeiro que apresentou no final da década de 70. Sorte de Sônia Braga que brilhou  se consagrando de vez como grande atriz. Depois de Dancin´Days, a atriz estrelou  ainda a trama de Chega Mais em 1980, e depois mudou-se para os Estados Unidos e começou sua carreira internacional.

        Yolanda Pratini foi entregue a Norma Benguell, que inclusive já havia gravado algumas cenas quando se desentendeu com Daniel Filho e deixou a novela. Joana Fomm, que fazia a personagem Neide, empregada da casa de Celina (Beatriz Segall), assumiu a personagem, iniciando com ela,  o leque de vilãs  que viveria a partir de então.

        A Dobradinha Sônia Braga x Joana Fomm foi outro ponto forte da trama. As irmãs brigaram até o último segundo da novela se reconciliando no final em uma das cenas mais marcantes da novela – a briga de Júlia e Yolanda na boate – uma das clássicas da nossa teledramaturgia.

        Outros nomes do elenco também fizeram de Dancyn´Days um palco de tão bem que estiveram em seus papéis -  como os saudosos Mário Lago, na pele do sofisticado e sonhador Alberico; Yara Amaral, que com sua interpretação magistral salvou a problemática Áurea do suicídio previsto na sinopse da trama, e  junto como Joana Fomm, ganhou o prêmio de melhor atriz do ano pela APCA  e Lourdes Mayer como a simplória Ester.

        Sempre falamos de Sônia Braga e Joana Fomm ao lembrarmos de Dancin´Days, mas a Pepita Rodrigues deu vida uma personagem tão importante quanto as protagonistas da trama. A Carminha representava como ninguém o “povão” dentro da sofisticada história do Gilberto Braga. Sempre preocupado com os devaneios do pai,  o dinheiro do aluguel  no final do mês e seus dramas particulares,  como o relacionamento com Jofre (Milton Moraes) e depois com o Franklin (Cláudio Correa e Castro), que culmina em uma grande decepção na reta final. A Boneca Pepa,  que a personagem tinha e sempre recorria quando precisava desabafar,   numa inserção de merchandising vendou mais de 400 mil cópias segundo o fabricante.
        Assim como a boneca,  o figurino da Júlia  em sua fase rica, em destaque para a calça jogging de cetim e as meias de lurex,  viraram uniforme obrigatório das mulheres na época. O  estilo Júlio Matos  foi copiado e reverenciado nos quatro cantos do Brasil.
        Além das discotecas, a novela também popularizou fora do eixo Rio – São Paulo  ,  os voos de asa delta, que o personagem Beto, vivido pelo saudoso Lauro Corona praticava na trama.

        Assisti Dancyn´Days pela primeira vez na reprise do Canal Viva em  2014, e percebi que a trama teve seus percalços, e apresentada nos dias de hoje talvez não surtisse o mesmo efeito de 1978. As cenas de grandes diálogos logo seriam taxadas de lentas, isso sem falar em alguns entrechos que não condizem com o estilo do Gilberto Braga. Um dos pontos mais graves sem dúvidas é o romance da Júlia e Cacá (Antônio Fagundes). Os dois só se encontram na trama muitos capítulos depois do início, e o romance  nunca foi marcado por uma química, isso devido  muito ao fato do personagem do Fagundes ser tão chato que não  ornava  com a Júlia em nenhuma de suas fases.

        E por falar em personagens chatos alguns merecem um prêmio por isso em Dancyn´Days : A Inês da Sura Berditchewsky; O Ubirajara do AryFontoura; A Marisa da Glória Pires;  O Aníbal do Ivan Cândido e a Celina da BeatrizSegall. Esses dois últimos até morreram nos capítulos iniciais de tão sem função que ficaram na trama.

        A trilha internacional de Dancyn´Days vendeu mais de um milhão cópias  com o compilado de tudo que tocava nas discotecas ao redor do mundo. Curiosamente,   a Nacional com exceção do tema de abertura “Dancin´Days” das Frenéticas, pouco tocou na trama e foi considerada por Gilberto Braga um erro  por parte do produtor Guto Graça Mello.

        Reginaldo Faria,  que deu vida ao Hélio,  estreava na Globo. O Ator até então fazia participações esporádicas em novelas de outras emissoras, mas depois de Dancin´Days fez uma novela por ano praticamente.
        Dancin´Days marcou a estreia na Globo dos atores Cláudio Corrêa e Castro (o Franklin), que vinha da Tupi e Beatriz Segall, a Celina, que voltava às novelas depois de anos afastada.  Lauro Corona (Beto) e Sura Berditchewsky  estrearam na trama.
        A novela marcou  ainda a estreia do saudoso Marcos Paulo como diretor de novelas. Além do Marcos, a novela tinha Dennis Carvalho e Daniel Filho como diretores.

        Dancin´Days  completa 40 anos em julho  próximo,  e  sempre será lembrada como a  novela que serve de referência até hoje , imortalizou interpretações, marcou estilo e pontou  em nossa memória o início da era disco.      
Ficha Técnica:

Novela do Autor Gilberto Braga
Direção Geral: Daniel Filho e Gonzaga Blota
Elenco:
SÔNIA BRAGA – Júlia de Souza Matos / Cristina
ANTÔNIO FAGUNDES – Cacá (Carlos Eduardo Cardoso)
JOANA FOMM – Yolanda Pratini
PEPITA RODRIGUES – Carminha (Carmem Lúcia Melo Santos)
REGINALDO FARIA – Hélio
GLÓRIA PIRES – Marisa
LAURO CORONA – Beto (Paulo Roberto Cardoso)
LÍDIA BRONDI – Verinha (Vera Lúcia)
MÁRIO LAGO – Alberico Santos
YARA AMARAL – Áurea Santos Fragoso
CLÁUDIO CORRÊA E CASTRO – Franklin Cardoso
MILTON MORAES – Jofre da Silva Maia
JOSÉ LEWGOY – Horácio Pratini
ARY FONTOURA – Ubirajara Martins Franco
MAURO MENDONÇA – Arthur Meireles Steiner
SURA BERDITCHEWSKY – Inês
EDUARDO TORNAGHI – Raulzinho
BEATRIZ SEGALL – Celina Souza Prado Cardoso
IVAN CÂNDIDO – Aníbal Fragoso
LOURDES MAYER – Ester
GRACINDA FREIRE – Alzira da Silva Maia Neves
JACQUELINE LAURENCE – Solange Rocha
CLEYDE BLOTA – Emília de Castro Melo
REGINA VIANA – Neide
RENATO PEDROSA – Everaldo
MIRA PALHETA – Bibi Nascimento Leal
SUZANA QUEIRÓZ – Leila
NEUZA BORGES – Madá (Maria Madalena de Jesus)
CHICA XAVIER – Marlene
OSMAR DE MATTOS – Ricardo
REJANE SCHUMANN – Luciana
LUCIANO SABINO – Lulu (Luciano)
e
ABELARDO DE ABREU – Álvaro (porteiro no prédio onde Yolanda mora) 
ANA ZELMA – Marli (secretária de Veiga) 
CARLOS MACHADO como ele mesmo (dos Dzi Croquettes)
CÉSAR AUGUSTO – China (porteiro no prédio onde Alberico mora) 
CLEMENTE VISCAÍNO – fotógrafo que clicou Júlia para Ubirajara, no início
DIANA MORELL – Anita (assistente social que ajuda Júlia quando ela deixa a cadeia)
FERNANDO AMARAL – Dorival Cunha (paquera de Áurea que era casado)
FLÁVIA DE ALMEIDA – Marisa (criança, nas cenas de flashback)
FRANCISCO DANTAS – Setembrino (conhecido de Alberico, no início) 
FRANCISCO NAGEN – Gurgel (gerente do cinema onde Júlia vai trabalhar) 
FREGOLENTE – Veiga (homem rico para quem Alberico oferece um negócio, no início)
GUARACY VALENTE – Alberto Cerqueira de Melo (amigo rico de Cacá que ele apresenta para Maria Lúcia)
IVETE MILOZSKI – Stella (mulher de Veiga) 
JARDEL MELLO – João (paquera de Áurea, no final)
JORGE RAMOS – diretor do presídio onde Júlia esteve presa
JORGE REIS – Alfredo (motorista de Yolanda, no início) 
JOYCE DE OLIVEIRA – Zuleica Santiago (aluga um quarto para Cacá, quando ele rompe com o pai, e torna-se amiga de Yolanda)
JÚLIO LUÍS – Paulo César (filho de Marlene)
LIA FARREL
MARIA LÚCIA DAHL – Maria Lúcia de Andrade (filha de uma socialite amiga de Celina)
MARINA MIRANDA – Divige (Edviges, babá de Edgar, o bebê de Marisa e Beto)
MURILO NERY – Conselheiro Carrazedo (chefe de Cacá em Brasília, no início)
NINO GIONANETTI – professor de sapateado de Marisa e Verinha
ORION XIMENES – Bandeira (atendente no boteco frequentado por Jofre)
PAOLETTE como ele mesmo (dos Dzi Croquettes)
RAQUEL MAZZA – Neuza (trabalha para Hélio e Horácio na discoteca 17)
ROBERTO DE CLETO – Silvio (terapeuta de Cacá)
ROSE ADDARIO – Selma (amiga de Hélio)
RUTH MAIA – Janete
SANDRA CAMPOS – Dirce (presidiária amiga de Júlia)
SELMA LOPES – Jandira (empregada de Áurea)
ZECA – Edu (instrutor na academia de Ubirajara) 
Agnaldo Santana (pai de Marisa, dono de um posto de combustível) 
Ana Maria (amante de Aníbal)
Cilene (empregada no apartamento de Marisa)
Edgar (bebê de Beto e Marisa)
Feitosa (um dos sócios do bar em que Áurea trabalhou)
Júlia (criança, nas cenas de flashback)
Loureiro (detetive contratado por Franklin para seguir Cacá) 
Maria da Penha (empregada na casa dos Cardoso)
Marta (vendedora na loja de Emília e Solange)
Matilde (funcionária da padaria onde Áurea trabalhou) 
Pedro (caseiro na casa dos Cardoso em Atibaia)
Raimundo (dono da bar que contrata Áurea para ficar de olho em Feitosa, seu sócio) 
Ritinha (filha de Madá)
Roberto (mordomo de Júlia)
Dr. Veiga Chaves (psiquiatra que internou Áurea em sua clínica) 
Yolanda (criança, nas cenas de flashback)
Exibição: 10 de Julho de 1978 à 27 de Janeiro de 1979
Capítulos: 174
Fonte:
Texto: Evaldiano de Sousa

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