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Minisséries - Balanço 2019


Se Eu Fechar os Olhos Agora (Globo) – Assédio (Globo)



        Este ano foi complicado para a tv aberta, as plataformas de streaming cada vez mais roubaram   público e elenco das emissoras abertas   deixando ainda mais  nítido que a junção entre essas plataformas e seus canais abertos, o caso da Globo e Globoplay , agora Grupo Globo  é a solução natural.
        Só a Globo apresentou minisséries este ano, ambas apresentadas primeiramente  na Globoplay  ou outras plataformas para testar sua popularidade e em  seguida jogadas na tv aberta.
        A Emissora apresentou duas obras de um requinte  e produções incontestáveis, porém marcados pela audiência minguante,  embora  principalmente no caso de Assédio, quando apresentado na plataforma de streaming da emissora tenha sido o grande bum do ano.
        Se Eu Fechar os Olhos Agora, do Ricardo Linhares,  baseado no livro homônimo do escritor e jornalista Edney Silvestre, apresentou um roteiro de mistério e elenco afinadíssimos  que a transformaram  numa produção muito acima do esperado. Apresentada inicialmente em 2018 na Now (Plataforma on demond da Net e Claro) que pagou pela exclusividade, apesar de gravada e já  pronta em 2018, só chegou a Globo em abril deste ano. 
        Assédio, minissérie da Maria Camargo,  livremente inspirada no livro A Clinica : A Farsa e os crimes de Roger Abdelmassih , do Vicente Viladarga,  foi a primeira  produção da Globo feita especialmente para a Globoplay  que  depois de lançada na plataforma em horas se transformou em sucesso, por isso o estranhamento de não ter seguido a mesma linha quando apresentada na tv  aberta entre maio e julho deste ano.

Se Eu Fechar os Olhos Agora (Globo – 15 a 30 de Abril de 2019)

        Se Eu Fechar os Olhos Agora, minissérie do autor Ricardo Linhares, baseada  no livro de Edney Silvestre,  embora a minissérie já tenha sido apresentada na plataforma do Now , a trama chamou atenção pelos mistérios do seu roteiro que encanta a cada novo capítulo e faz  o telespectador vibrar a cada reviravolta apresentada na resolução da morte de Anita (Thainá Duarte) – e sem querer dar spoiler  -   o desfecho é genial.
         Mesmo sem popularidade, a minissérie é uma das melhores produções  deste ano, e nem o fato de já ter sido  apresentada em outras plataformas  tirou o valor de Se Eu Fechar os Olhos Agora, embora  tenha ficado devendo em audiência.
        Outro ponto forte da trama foi seu  elenco afiadíssimo. Aliás os protagonistas infantis vividos pelos atores Xande Valois (Eduardo)  Gabriel D´aleluia  (Paulo Roberto)  foram a grande revelação e destaque da produção. Embora ainda sobre o rótulo de “atores-mirins”, Se Eu Fechar os Olhos Agora mostrou que eles são atores com “A” maiúsculo. Dois astros que merecem todos os aplausos. Impressionantes o quanto foram irrepreensíveis à frente dos papéis, com interpretações críveis e seguras.
         Mariana Ximenes (a Adalgisa), Débora Falabella (Isabel)  Lidi Lisboa  (Irmã Maria Rosa)  foram o destaque do elenco feminino, cada uma com perfis complexos,  conseguiram imprimir o que as personagens pediam e brilharam dramaturgicamente com interpretações simplesmente  viscerais.
         A Minissérie apresenteou   trabalhos impecáveis dos veteranos Antônio Fagundes (Ubiratan Duarte), Jonas Bloch (Dom Tadeu),  Milton Gonçalves (Paulo Roberto) e Betty Faria (Hanna Rizoreck).
        Acho que o único pecado da trama foi a escalação de Murilo Benício e Gabriel Braga Nunes para  os personagens Adriano e Geraldo. Não prejudicaram em nada o conjunto da obra, mas também não mostraram nada de novo ou interessante.  
        O roteiro envolto nos mistérios da trama revelado e recriado a cada nova sequência, fez da trama um grande thriller de suspense  que atiçou  a curiosidade, ficando impossível imaginar perder o próximo episódio, e transformou  Se Eu Fechar os Olhos Agora em uma produção requintada, enriquecendo as obras globais apresentadas  na tv aberta.


Assédio (Globo – 03 de Maio a 12 de Julho de 2019)

          A  obra escrita por Maria Camargo e dirigida por Amora Mautner, é a primeira original da Globo a entrar no seu catálogo de streaming, a Globloplay.
        A entrada foi triunfal, a minissérie  mostou  um amadurecimento da teledramaturgia global que pela primeira vez apresenta uma história polêmica, com o principal protagonista ainda vivo sem se preocupar com as ramificações que isso pudesse causar.
        O  verbo  “causar” é digamos o melhor empregado sobre a produção. Impossível ficar inerte ao assistir as cenas tão grotescas e revoltantes que a minissérie retrata com tamanha realidade. A direção não poupou em nenhum momento o telespectador, e talvez por isso não tenha prejudicado o andamento da história,  que pede essa realidade e a  falta de pinceladas de imaginação. É tudo bem explícito.
        O elenco recheado de estrelas foi sem dúvidas o principal trunfo de Assédio. Atrizes totalmente entregues às suas personagens   são o diferencial do produto. No primeiro episódio destaque para a sempre perfeita Adriana Esteves. Ela dar vida a Stela, que intitula o  episódio, e numa interpretação  ímpar  mostra mais uma vez a grande estrela que é. Impossível não se emocionar ou sentir a dor da sua personagem ao ver seu grande sonho de ser mãe ser transformado em uma tragédia sem precedentes.
        No elenco feminino vale destacar ainda as atuações de Paolla Oliveira (Carolina), Jéssica Ellen (Daiane) e  Elisa Volpatto que vive a repórter Mira, responsável pela união das mulheres na denúncia ao médico, uma cara pouco conhecida da TV aberta. Antes Elisa só havia feito participação no seriado Doce de Mãe (2012 e 2014).
         Mariana Lima, que na trama interpreta a Senhora Glória Sadala, esposa de Roger, vive uma drama à parte dentro da minissérie. Além de ter que engolir calada todas as traições e crimes sexuais do marido, acompanha isso tendo que   curar-se  de um câncer. A Caracterização e interpretação da atriz nas várias fases da doença é impressionante, e isso tudo além de protagonizar uma nudez frontal inesquecível e contextual.
        Mas o dono da minissérie  é  incontestavelmente Antônio Calloni. Que trabalho impecável do ator à frente do Roger Sadala,  o Doutor Vida. Uma interpretação visceral e sob medida de um personagem complexo, controverso e com um viés difícil, que poderia facilmente cair numa caricatura. Mas o Calloni fez com uma propriedade única.
        Assédio é uma minissérie forte, incômoda e  sombria,  porém muito importante como cunho social e um passo importante para a teledramaturgia nacional,  uma pena que por diversos fatores que em nada tem a haver com a qualidade da trama, sua apresentação em Tv aberta tenha ficado aquém do esperado. 
        Globo fez  pouquíssima divulgação dos episódios e talvez essa falta de propaganda tenha prejudicado seu  desempenho, além   do excesso de series já consagradas em temporadas anteriores  (Sob Pressão e Carcereiros)  apresentadas no mesmo período.

Veja Também:
Assédio - Entrada triunfal da Globo nas plataformas de Streaming 

Minisséries - Balanço 2018
Séries - Balanço 2018 
Novelas - Balanço 2018 
Novelas - Balanço 2018 
Fonte :
Texto : Evaldiano de Sousa

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