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Novelas Inesquecíveis - Morde e Assopra (2011)

Robôs e Dinossauros   do Walcyr Carrasco que há 15 anos  figuravam no horário da sete  



        Exibida em 2011, Morde eAssopra completou mês passado 15 anos desde sua estreia na Globo. Mesmo tendo alcançado bons índices de audiência e grande repercussão, além de seguir viva na memória do público — especialmente nas redes sociais, onde rende inúmeros memes até hoje — a novela do Walcyr Carrasco nunca ganhou uma reprise na emissora.

        Morde e Assopra se destacou como uma das novelas de maior audiência do horário das 19h na década passada. Na Grande São Paulo, a trama alcançou média de 30 pontos, ficando praticamente no mesmo nível de sucessos como Cheias de Charme (2012) e Ti Ti Ti (2010). Por isso tão estranho a não reprise até hoje.



        Protagonizada por Adriana Esteves, Mateus Solano, Marcos Pasquim e  Flávia Alessandra, o  enredo que misturava dinossauros e robôs acabou não alcançando o mesmo reconhecimento crítico de outras novelas. Apesar de ter conquistado boa audiência e o público em geral, Morde e Assopra não foi bem recebida pelos especialistas e críticos. Além disso, a produção também passou por alguns problemas ao longo de sua exibição.

        Além disso, a novela teve um começo difícil para conquistar o público, o que levou o autor a promover mudanças na história para melhorar a audiência. Personagens que não agradaram acabaram sendo retirados, enquanto alguns coadjuvantes passaram a ganhar mais destaque na trama.



        Dulce (Cássia Kiss) acabou se destacando como uma das figuras centrais da trama. Vendedora de cocadas e de origem simples, ela fazia grandes sacrifícios para pagar os estudos do filho, Guilherme (Klebber Toledo), que sequer concluiu a formação. Para completar, o jovem ainda esconde a própria mãe na tentativa de ascender socialmente e conquistar uma herdeira rica.



        Outra figura que chamou bastante atenção foi Naomi (Flávia Alessandra), uma androide desenvolvida pelo cientista Ícaro (Mateus Solano), inspirada na aparência da mulher que ele perdeu e jamais esqueceu. Em um dos momentos mais icônicos da trama, ao ser acusada de assassinato, ela surpreende a todos ao assumir publicamente que não é humana, revelando sua verdadeira natureza robótica.



        As tramas paralelas acabaram roubando o destaque do casal principal, Júlia (Adriana Esteves), uma paleontóloga, e Abner (Marcos Pasquim), fazendeiro dono da propriedade em que a moça acredita haver fósseis de uma espécie rara de dinossauro. O par vivia entre tapas e beijos.

        A Produção passou para uma situação delicada antes mesmo da estreia da novela.  Além de gravar em Marília, no interior de São Paulo, a equipe da novela também viajou até o Japão para registrar as primeiras sequências da história. O imponente Monte Fuji foi escolhido como pano de fundo para um terremoto de grandes proporções que atinge um sítio paleontológico — cena registrada meses antes da estreia.



Curiosamente, cerca de duas semanas antes do primeiro capítulo ir ao ar, um dos terremotos mais devastadores da história recente atingiu o Japão, criando uma coincidência marcante entre ficção e realidade. Mesmo diante da comoção mundial, a Globo optou por não alterar a trama. A emissora defendeu que novelas não têm o compromisso de reproduzir a realidade fielmente e garantiu que a cena seria exibida com respeito, exatamente como foi planejada, sem avaliar se poderia soar inadequada naquele momento.

O autor Walcyr Carrasco comentou que, ao escrever a sequência, chegou a se preocupar com a verossimilhança de um terremoto de grande magnitude, já que o país costuma registrar abalos com menor intensidade.

Além das gravações no Monte Fuji, a produção passou cerca de duas semanas registrando cenas em plantações de arroz, templos e restaurantes japoneses. O capítulo de estreia trouxe imagens de Tóquio e de moradores locais, e antes do início da trama, o ator Mateus Solano leu uma mensagem dedicando a novela ao Japão, em solidariedade às vítimas do terremoto e tsunami que atingiram o país em março de 2011.

“Esta novela foi gravada no final de 2010, antes da tragédia que abalou o Japão. Lamentamos profundamente os acontecimentos recentes. Todos nós da equipe de Morde e Assopra dedicamos nossa solidariedade ao povo japonês que nos recebeu tão bem e desejamos que a harmonia volte a reinar na terra do sol nascente”, dizia o comunicado lido pelo ator, que vivia um dos protagonistas da história.

Na sequência, foi exibida a primeira cena da novela, um terremoto, da qual participaram os atores Adriana Esteves, Paulo Vilhena e Bárbara Paz.



Os autores Walcyr Carrasco e Aguinaldo Silva acabaram envolvidos em uma situação desconfortável por conta das tramas de Mordee Assopra e Fina Estampa. Aguinaldo afirmou que Carrasco teria se inspirado em uma ideia que ele comentou durante um jantar entre os dois, pouco antes da estreia das novelas. Segundo ele, tratava-se da história de um jovem estudante de Medicina que sentia vergonha da própria mãe — enredo presente em sua novela com os personagens vividos por Caio Castro e Lília Cabral.

No entanto, Carrasco acabou desenvolvendo um núcleo bastante semelhante em Morde e Assopra, com Guilherme (Klebber Toledo) e Dulce (Cássia Kis). Como a novela das sete foi ao ar antes da produção das nove, a situação gerou a impressão de que teria sido Aguinaldo quem se inspirou na história exibida primeiro.

A trajetória da ingênua doceira Dulce (Cássia Kis), desprezada pelo próprio filho, o ambicioso Guilherme (Klebber Toledo), acabou ganhando um peso muito maior do que se previa no início da trama. Muito desse destaque veio da entrega de Cássia, que construiu a personagem com delicadeza e emoção — ainda que, em alguns momentos, resvalasse na caricatura, sem perder a força dramática.

A resposta do público foi imediata, impulsionando os índices de audiência. Para equilibrar a narrativa e não desvirtuar a história principal, o autor aproximou a protagonista “oficial”, Júlia (Adriana Esteves), desse núcleo, fazendo dela uma espécie de ponte na relação conturbada entre mãe e filho.

Outro ponto que chamou atenção foi o romance turbulento entre Guilherme e a mimada Alice (Marina Ruy Barbosa). Ao descobrir a origem humilde do namorado, ela o rejeita com desprezo, chegando a chamá-lo de “vira-lata”. A situação se inverte quando Alice descobre que também tem origens simples: sua verdadeira mãe, Lílian (Narjara Turetta), era empregada em sua própria casa. Um típico recurso folhetinesco que ajudou a prender de vez o público à história.

Além de Cássia Kiss, que roubou a trama e a transformou num palco, destacaram-se também André Gonçalves, como o gay estereotipado Áureo, responsável pelos momentos mais hilários da novela; Vanessa Giácomo, como Celeste, frequente companheira de cena de Áureo; Jandira Martini, como Dona Salomé, a sovina mãe de Celeste; e Vera Mancini, como a engraçada Cleonice, empregada de Salomé que fica rica.



A Novela foi a primeira da atriz Flávia Garrafa e do ator Anderson di Rizzi. Primeira novela na Globo do ator Joaquim Lopes.

Mesmo atenuando a trama  dos robôs e dinossauros, Walcyr  retornou a história com  a Robô  Naomi (Flávia Alessandra), criação do cientista Ícaro (Mateus Solano), cópia de uma mulher de verdade, a sua amada. A Naomi verdadeira retornou e passou a haver uma disputa folhetinesca entre a humana e a máquina pelo amor de Ícaro.  O Auge das  personagens foi o julgamento de Naomi, quando essa se revela no fórum para praticamente todos os personagens da  novela ser verdadeiramente  uma máquina  - Flavia Alessandra apareceu na cena careca com metade da cabeça composta de eletrodos.

Assim como ocorreu na trama oitentista do Lauro César MunizTransas e Caretas (1984), Morde e Assopra  tinha seu próprio  robô  de verdade. O robô Zariguim era amigo de Ícaro e teve participação importante na criação da robô Naomi. Além de auxiliar na construção da andróide, ele a ajudou a descobrir os seus “sentimentos”.

A abertura da novela  destacava os dois principais eixos da trama — a paleontologia e a robótica — por meio de uma animação em 3D leve e bem-humorada, que ilustrava a relação de amor e conflito entre um dinossauro e uma robô.

O sucesso foi tanto que os personagens saíram da tela e chegaram ao comércio: a Globo Marcas lançou bonecos de pelúcia inspirados no dinossauro Cyber e na robô Dina.

Morde e Assopra foi a primeira novela do horário das sete da Globo a ser transmitida com closed caption – embora as novelas das 18 e 21 horas já usassem este recurso anteriormente. O processo permite a deficientes auditivos captarem em forma de legendas o que não se ouve na tela.

Morde e Assopra não escapou das nuances próprias da obra de Carrasco em novelas anteriores: sequências de pastelão com direito a torta na cara e gente sendo arremessada, casamentos desfeitos no altar, núcleo caipira caricato, com algum animal de estimação (uma minivaca, no caso) e humor ingênuo e infantil. E dramalhão folhetinesco.

Morde e Assopra segue viva na memória do público como uma novela ousada, que apostou na mistura improvável entre ciência, romance e humor. Mesmo com críticas ao tom irregular e aos excessos da trama, a obra de Walcyr Carrasco conquistou audiência, revelou personagens marcantes e entregou momentos que até hoje são lembrados com carinho. Quinze anos depois, permanece como um exemplo de que arriscar — mesmo dividindo opiniões — também é parte essencial do sucesso na teledramaturgia.

 

Ficha Técnica:



Novela do Autor Walcyr Carrasco

Direção Geral: Pedro Vasconcellos e Rogério Gomes

Elenco:

ADRIANA ESTEVES – Júlia
MARCOS PASQUIM – Abner
MATEUS SOLANO – Ícaro
FLÁVIA ALESSANDRA – Naomi / Naomi robô
CÁSSIA KISS – Dulce
ARY FONTOURA – Isaías Alves Junqueira (Zazá)
ELIZABETH SAVALA – Minerva
JANDIRA MARTINI – Salomé
VANESSA GIÁCOMO – Celeste
ANDRÉ GONÇALVES – Áureo
KLEBBER TOLEDO – Guilherme
MARINA RUY BARBOSA – Alice
BÁRBARA PAZ – Virgínia
PAULO VILHENA – Cristiano
CAIO BLAT – Leandro
CARLA MARINS – Amanda
OTAVIANO COSTA – Élcio / Elaine
GABRIELA CARNEIRO DA CUNHA – Raquel
ANDERSON DI RIZZI – Sargento Xavier
JOAQUIM LOPES – Josué
WALDEREZ DE BARROS – Hortência
PAULO JOSÉ – Plínio
PAULO GOULART – Dr. Eliseu
VERA MANCINI – Cleonice
LUÍS MELO – Oséias
ANDRÉ BANKOFF – Tiago
RODRIGO HILBERT – Fernando
NÍVEA STELMANN – Lavínia
CAROL CASTRO – Natália
SÉRGIO MARONE – Marcos
MAX FERCONDINI – Wilson
MICHEL BERCOVITCH – John Lewis
CISSA GUIMARÃES – Augusta
EROM CORDEIRO – Padre Francisco
MARISOL RIBEIRO – Melissa
NEUSA MARIA FARO – Palmira
SANDRA BARSOTTI – Dora
NARJARA TURETTA – Lílian
RICARDO VANDRÉ – Moisés
FLÁVIA GARRAFA – Carolina
SUZY RÊGO – Duda Aguiar
CRISTINA MUTARELLI – Pink
ARY FRANÇA – Dorival
MIRIAM LINS – Irene
GUILHERME GONZALEZ – Efraim
EMILIANO QUEIROZ – Deodato
ILDI SILVA – Lídia
JULIANA SCHALCH – Lara
BÁRBARA SILVESTRE – Inês
MAURO GORINE – Roney
DHU MORAES – Janice
CELSO BERNINI – Bira
BRUNA SPÍNOLA – Abelha (Maria Eduarda)
CHAO CHEN – Akira
LUANA TANAKA – Keiko
MIWA YANAGISAWA – Tieko
COSME DOS SANTOS – Bento
DANIELA FONTAN – Marli
JUREMA REIS – Maria João
ALINE PEIXOTO – Márcia
MÁRCIO TADEU DE LIMA – Herculano
KARLA KARENINA – Anecy
THIAGO LUCIANO – Everton
DIONÍSIO NETO – Dr. Aquiles
FERNANDO RONCATO – Renato
KEFF OLIVEIRA – Caco
GUILHERME NASRAUI – Daniel
CAMILA CHIBA – Hoshi
MARCOS MIURA – Shiro
KEN KANEKO – Hinoue
VERÔNICA ROCHA – Selma
RAEL BARJA – Tutu
ANTÔNIO FIRMINO – Igor
OSWALDO LOT – Zé Paulo

as crianças
KLARA CASTANHO – Tonica
JOAQUIM AMORIM – Nelsinho
HENRY FIUKA – Rafael
CAROL MURAI – Kimmy

e
ANA ROSA – Dinorá (trabalha na fazenda de Abner, mãe de Josué e Daniel, mulher de Nivaldo, irmã de Salomé)
BIJU MARTINS
CACÁ AMARAL – Diogo Figueiredo (pai de Guilherme)
CAMILO BEVILÁCQUA – padre que substitui Padre Francisco
CARLOS SATO – escavador
CAROLINE ABRAS – Tânia (auxiliar de Júlia que se envolve com Guilherme)
CÁSSIO PANDOLFI – juiz no julgamento de Naomi
CLÁUDIA OHANA – Alzira (falecida mulher de Abner)
CLÁUDIO JABORANDY – Nivaldo (marido de Dinorá, pai de Josué e Daniel)
CLÁUDIO TOVAR – Eugênio Santorini (responsável pelo Museu de Cera de Santorini)
CLEITON MORAES – amigo de Guilherme
CRISTINA AMADEO – juiza que dá a Dulce a guarda do filho de Márcia
CRISTINA SANO – Tomie (tia de Keiko no Japão)
DANIEL UEMURA – escavador
DIOGO BRANDÃO
DOUGLAS DE SÁ
EDUARDO DI TARSO
EIJI OKUDA – cientista japonês
ERIK MARMO – Davi (fotógrafo que vai a Preciosa fotografar Duda Aguiar nua)
GIAN BERNINI – amigo de Guilherme
HÉLIO RIBEIRO – Lerner (representante do financiador das pesquisas de Júlia)
HENRIQUE CÉSAR – Padre Aloísio (morre no inicio da novela)
ISAAC BERNAT – advogado responsável pela transferência da casa de Ícaro para Salomé
JADE SEBA – Gisele
JANDIR FERRARI – Dr. Juarez Rosa (promotor do julgamento de Naomi)
KARLA NOGUEIRA
LAÉRCIO FONSECA
LEANDRO RIBEIRO – Heitor (motorista de Isaías e Minerva)
LUAN SANTANNA como ele mesmo
LUCIANA BARBOSA
MANOEL ELIZIÁRIO
MARCELO PORTINARI – funcionário do Museu de Cera de Santorini
MÁRCIA CABRITA – Madame Xuxu (dona do bordel onde Marcos leva Cristiano)
MARCOS TAKEDA – tradutor
MÁRIO HERMETO – Dr. Juarez Rosa
MÁRIO JORGE ANDRADE – dublador de Zariguim
MICHEL DUMMAR
MURILO ELBAS – patrão de Guilherme quando ele trabalha como varredor de ruas
PAULO GIARDINI – oftalmologista de Ícaro
PAULO REZENDE
POLLIANA LACERDA
RAFA DE MARTINS – professor na manifestação em frente á prefeitura
RAPHAEL VIANA – Tadeu (médico que cuida do caso de Rafael, filho de Ícaro)
ROSINA LOBOSCO
SHIMON NAMIAS – juiz do julgamento de Guilherme
SYLVIA MASSARI – mãe de Júlia no último capítulo
TARCÍSIO FILHO – Pimentel (delegado titular de Preciosa, acaba assassinado e é substituído por Wilson na delegacia)
VINÍCIUS SOARES
WALCYR CARRASCO como ele mesmo, na plateia da boate assistindo ao show de Áureo e Élcio, no último capítulo
WILLIAM VITTA – vende um papagaio para Efraim
ZÉCARLOS MACHADO – pai de Júlia no último capítulo

Exibição: 21  de Março a 15 de Outubro de 2011

Capítulos: 179

 

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Cassia Kiss 


Flavia Alessandra 


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Fonte:

Texto: Evaldiano de Sousa

Pesquisa: www.wikipedia.com.br  www.memoriaglobo.com.br


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