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“Três Graças” termina com o grande feito de nos fazer voltar gostar de ver novela

 


        Um espetáculo em forma de último capítulo ! É o mínimo que pode  ser dito sobre  o final de Três Graças, nesta sexta (15.05). Aguinaldo Silva e cia nos brindou com uma história  que foi novela  do começo ao fim, provando que o bom folhetim  nunca vai morrer. 

        O último capítulo nem teve grandes reviravoltas ou surpresas, foi apenas a finalização de um grande show,    por  isso não precisava de pirotecnia ou desfechos mirabolantes. 



        Mas  foi  de tirar o fôlego  ver a Gerluce correndo a chacrinha vestida  de noiva, a Arminda voltando triunfal com direito a close  para o diretor Luis Henrique Rios  e a cereja do bolo com Arlette Salles fechando a trama na cena final – mas do que merecido.



        Três Graças apostou em tudo aquilo que o público espera de um grande folhetim das nove: sequestro, acerto de contas, redenção, prisão de vilões, casamento e uma última reviravolta digna do universo de Aguinaldo Silva. O desfecho reuniu emoção, suspense e referências clássicas ao “aguinaldoverso”, movimentando as redes sociais.



        Sophie Charlotte como Gerluce  finalmente teve seu momento de redenção. Depois de enfrentar julgamentos, perdas e acusações, a personagem conseguiu provar suas motivações e encerrou a trajetória ao lado de Paulinho (RômuloEstrela)  em um clássico casamento de novela. O desfecho reforçou a essência popular de “Três Graças”: mulheres marcadas pela dor, mas movidas pela sobrevivência e pela esperança. A Atriz  termina a trama como a melhor protagonistas  dos últimos anos, moldada  pela dificuldades que passou, sem discurso de moralismo, cheia de defeitos, mas cheia de muitas qualidades.



         Lígia, Gerluce e Joélly foram  além do papel de protagonistas; elas encarnanam, em cena, o próprio conceito que batiza a obra. Tal qual a tradicional imagem das Três Graças, existiu entre elas uma ligação marcada por interdependência, contrastes e uma sensação de completude. Dira PaesSophie Charlotte e Alana Cabral não se limitaram  a atuar — são elas que carregaram  e deram  força ao centro emocional da novela.

        As vilãs de Três Graças  carregaram no sangue  o texto -  Lucélia (Daphne Bozanki), Samira (Fernanda Vasconcellos) e Arminda (Grazzi Massafera) foram  da maldade ao delírio e loucura, nos fazendo  reviver  e lembrar grandes vilãs do horário do horário nobre  do mundo de Aguinaldo Silva  - Nazaré Tedesco (Renata Sorrah em Senhora do Destino), Maria Altiva (Eva Wilma e A  Indomada ) e a Tereza Cristina (Christiane Torloni  em  Fina Estampa). 



        Grazzi Massafera merece um parágrafo a parte nessa ala de vilãs.  Com Grazi  em estado de graças, Arminda entrou para a galeria das grandes vilãs da teledramaturgia recente. No capítulo final de Três Graças, a personagem teve um desfecho marcado por intensidade dramática, acerto de contas e a queda de uma mulher consumida pela própria ambição.  Mas  com um final misterioso  - Com direito a close para o diretor. Será que teremos Arminda em uma próxima trama do autor. 

        Outro ponto muito elogiado pelo público foi a dobradinha de Grazi com Murilo Benício, o Ferrete. Os dois dividiram algumas das cenas mais intensas de Três Graças, sustentando embates carregados de tensão, ironia e emoção. A química entre os atores ajudou a elevar ainda mais os conflitos da trama  - a dupla dinâmica de  vilões foi nitroglicerina pura  para a história. 

                Outro ponto que merece destaque absoluto na  trama  é a valorização de Arlete Salles, que como como a Dona Josefa, brilhou merecidamente do início ao  fim da trama.   Fazia tempo que a atriz não ganhava uma personagem tão rica em possibilidades cênicas,  permitindo que explorasse diferentes nuances com leveza e talento.  A  Atriz  teve até mais destaque  do que a personagem  dupla que  fez  em Família é Tudo (2024), na qual era a “protagonista”.



        Nos núcleos secundários, a novela também demonstrou força ao construir personagens cativantes e realmente importantes para a engrenagem da trama -  Vinícius Teixeira (Valdison), Luisa Rosa (a Kellen, a Fofokellen), Enrique Diaz (Pastor Albérico), Andréia Horta (Zenilda) , Eduardo Moscovis (Rogério), Gabriela Loran (Viviane), Marcos Palmeira (Joaquim), Pedro Novaes (Leonardo), Xamã (Bagdá) e Kelzy Ecard (Helga) receberam momentos relevantes e conseguiram imprimir personalidade em suas participações. 



        Dentro desse universo tão pulsante de personagens, a novela ainda conseguiu construir um dos casais mais marcantes da televisão nos últimos anos. Lorena e Juquinha, eternizadas pelo público como “Loquinha”, deixaram de ser apenas um casal querido para virar símbolo de afeto, identificação e pertencimento para muita gente. Gabriela Medvedovski e Alanis Guillen compreenderam que a força da relação não estava somente no romance, mas na maneira sensível, natural e humana com que ele era apresentado.  Sem transformar a história das duas em panfleto ou limitar o conflito à sexualidade, a novela permitiu que Lorena e Juquinha existissem como qualquer casal clássico de folhetim.



        Sem dúvidas  o maior mérito de Três Graças,  mais do que entregar um novelão   emocionante, a novela conseguiu resgatar uma sensação que parecia perdida há tempos. Entre personagens fortes, conflitos humanos, grandes atuações e uma história escrita a três mãos  (Aguinaldo Silva, Virgílio  Silva e Zé Dassilva) que soube conversar com o público do começo ao fim, a trama devolveu ao telespectador o prazer de acompanhar uma novela diariamente, de comentar cenas, criar torcida e esperar ansiosamente pelo capítulo seguinte. No fim, Três Graças encerra sua trajetória com um feito raro e precioso: nos fazer voltar a gostar de ver novela. 



Veja Também:

Três Graças 


Tres Graças 



Sophie Charlotte



Dira Paes

Nossos Autores - Aguinaldo Silva

Grazzi Massafera 



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Fonte:

Texto: Evaldiano de Sousa      

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