A trilha internacional de O Astro (1977) é um daqueles discos que ajudam a explicar a força que
as novelas da Globo passaram a ter também no mercado fonográfico.
Lançado pela Som Livre, o álbum reuniu 14 faixas que passeavam pelo
soul, disco, pop e baladas românticas, criando uma sonoridade sofisticada e
muito característica do final dos anos 1970.
A novela da autora Janete Clair teve um
magnetismo tão grande, que até os exageros usados propositalmente pela
produção, como o turbante do Francisco Cuoco,
ou a caracterização da família árabe de Salomão Hayalla, soou como
principais atrativos da produçao.
O Astro obteve índices de
audiência maiores que as transmissões dos jogos de futebol da Copa do
Mundo da Argentina de 1978.
Um dos pontos mais fortes da novela sem dúvidas foi a morte do Salomão
Hayalla (Dionísio Azevedo) e a investigação de quem seria o assassino que
fez a novela virar notícias nos quatro cantos do país.
O Assassinato de Salomão causou curiosidade até no então
presidente Ernesto Geisel. Em 1978 a profissão de ator estava sendo
regulamentada no Brasil, e Daniel Filho entre outros atores e
diretores foram a Brasília representando a classe artística. Geisel chamou
Daniel de lado e perguntou: Afinal de contas quem, matou Salomão
Hayalla? Daniel Filho rapidamente respondeu : “Isso
é segredo de Estado, e de segredo de estado o senhor entende, não é?
Entre os grandes destaques da trilha estão “Don’t Let Me Be Misunderstood”, na
versão do Santa Esmeralda, tema de Herculano (Francisco Cuoco); “Easy”,
dos Commodores; “Only the Strong Survive”, com Billy Paul;
“We’re All Alone”, na voz de Rita Coolidge, ligada ao casal Lili
(Elizabeth Savalla) e Márcio (Tony Ramos); além de “The Name of the Game”, do
ABBA, e “Love for Sale”, do Boney M. entre outros.
O sucesso da novela se refletiu diretamente nas vendas do LP.
A trilha internacional de O Astro ultrapassou
a marca de 850 mil cópias vendidas, tornando-se, naquele momento, a trilha de
novela mais vendida da história, superando o recorde anterior de Estúpido Cupido.
Outro
detalhe interessante é que o disco trazia na capa Francisco Cuoco,
intérprete de Herculano Quintanilha, reforçando a associação entre o
álbum e o grande protagonista da trama.
É
um LP que praticamente transportava o ouvinte de volta ao universo de
Herculano, Amanda (Dina Sfat), Márcio, Lili e companhia — com os grandes
sucessos internacionais que marcaram o Brasil de 1977 e 78.
Vamos
voltar a essa época dissecando essa
trilha?
“Don´t Let Me Me Misunderstood”
Intérpretes:
Santa Esmeralda
Compositores:
Bennie Benjamin/ Gloria Caldwell/ Sol Marcus
Lançada em 1977, a gravação do Santa Esmeralda
transformou completamente a canção, originalmente composta por Bennie
Benjamin, Sol Marcus e Gloria Caldwell, acrescentando uma irresistível
mistura de disco music, flamenco e ritmos latinos. A interpretação contou com o
vocalista Leroy Gómez, que se tornou a voz mais lembrada dessa formação
do grupo.
Na
novela, a música foi escolhida como tema do Herculano Quintanilha, o misterioso
e carismático vidente interpretado pelo
saudoso Francisco Cuoco. A batida envolvente, os arranjos
grandiosos e a atmosfera sensual combinavam perfeitamente com o personagem,
ajudando a construir sua imagem de homem sedutor, enigmático e cheio de
segredos.
A
força da gravação era tanta que a versão original do álbum chegava a cerca de 16
minutos, ocupando praticamente todo um lado do LP. Para as rádios e outros
formatos, foram lançadas versões mais curtas.
“Easy”
Intérpretes:
Commodores
Compositores:
Lionel Richie
Na primeira versão de O Astro,
exibida em 1977, “Easy“ fazia parte da trilha internacional e era
associada ao personagem Alan, vivido na trama original pelo ator Stepan
Nercessian, que era o filho do protagonista.
Mais
de três décadas depois, a canção ganhou uma nova vida no remake de 2011. Na
releitura do Alcides Nogueira e Geraldo Carneiro, “Easy” voltou à
história como tema de Herculano Quintanilha (Rodrigo Lombardi) e Amanda
(Carolina Ferraz), o casal central da trama. A Globo destaca que a música foi
uma das canções resgatadas da primeira versão justamente para criar uma ponte
musical entre as duas produções.
E
houve uma diferença interessante: para 2011, a música apareceu em uma nova
gravação, feita após a saída de Lionel Richie dos Commodores.
“Only
The Strong Survive”
Intérprete: Bill Paul
Compositores:
K. Gamble/ L. Huff/ J. Butler
Lançada originalmente em 1977, a gravação de Billy Paul
integra o álbum “Only the Strong Survive”, da Philadelphia
International Records. A canção foi composta por Kenny Gamble, Leon Huff
e Jerry Butler, nomes fundamentais da soul music e da chamada sonoridade da
Philadelphia International.
A
letra traz uma mensagem de superação diante de uma decepção amorosa: alguém que
sofre com o fim de um relacionamento recebe o conselho para se levantar, ser
forte e seguir em frente. É justamente daí que vem o título: “somente os
fortes sobrevivem”.
“For
Once In My Life”
Intérprete:
Freddy Cole
Compositores:
Ron Miller/ John LaBarbera
“For Once in My Life”, na interpretação de Freddy
Cole, é uma das faixas mais românticas e sofisticadas da trilha
internacional de O Astro (1977). A música aparece como tema do universo de Herculano (Francisco Cuoco) e
Amanda (Dina Sfat), reforçando o lado afetivo e sedutor da relação dos
personagens.
A
canção foi composta por Ron Miller e Orlando Murden e ganhou inúmeras
gravações ao longo dos anos. A versão mais conhecida mundialmente é a de Stevie
Wonder, mas a interpretação de Freddy Cole traz uma atmosfera muito
diferente: mais elegante, suave e intimista, valorizando o romantismo da letra.
“I´m
Sagittarius”
Intérprete:
Roberta Kelly
Compositores:
Giorgio Moroder e Pete Bellotte
Outro sucesso da trilha
da novela que ajudaram a construir a atmosfera
sofisticada da trama estava em “I’m
Sagittarius”, na voz de Roberta Kelly.
Lançada
em plena era da disco music, a canção trazia o ritmo dançante e envolvente que
dominava as pistas de dança naquela época. Com sua batida contagiante e o vocal
característico de Roberta Kelly, a música ganhou ainda mais força ao ser
incorporada à trilha internacional de O Astro.
A
escolha combinava perfeitamente com o universo da novela, marcado por mistério,
ambição, sedução, poder e astrologia. O próprio título da música — “I’m
Sagittarius” (“Eu sou Sagitário”) — dialogava de maneira curiosa com
o universo místico e astrológico presente na história.
Roberta
Kelly, cantora norte-americana que fez bastante sucesso
na era disco, ficou conhecida por outros hits dançantes, como “Trouble-Maker”
e “Zodiac”, consolidando seu nome entre as vozes femininas daquele
período.
Em O Astro,
“I’m Sagittarius” acompanhava as apresentações de Herculano e tornou-se
mais uma daquelas músicas que ultrapassaram a função de simplesmente acompanhar
as cenas: ajudou a registrar musicalmente uma época, trazendo para a novela o
som vibrante das discotecas e a atmosfera internacional que marcou as trilhas
sonoras da Globo nos anos 1970.
“You´re
Too Far Away”
Intérprete
e compositor: David Castle
Herculano e Amanda
ganharam mais essa faixa como tema romântico. Lançada por David
Castle, “You’re Too Far Away” é uma balada romântica que carrega
aquele clima típico das canções internacionais que embalaram histórias de amor
na televisão brasileira.
Com
uma melodia suave e uma interpretação carregada de sentimento, a música fala
sobre a distância e a saudade de alguém que está longe — uma temática perfeita
para acompanhar momentos de paixão, desencontros e relações marcadas pelo
desejo de estar perto.
A canção ganhou um lugar especial entre os fãs
das trilhas internacionais de novelas, justamente por traduzir em música aquele
sentimento universal de amar alguém que parece estar distante.
E
quem viveu a época das grandes trilhas sonoras internacionais sabe: bastavam os
primeiros acordes para a memória viajar no tempo!
“Loneliness”
Intérprete
e Compositor: Joe John Daniel
Poucas músicas instrumentais conseguem ficar tão associadas a
um personagem de novela quanto “Loneliness”, do Joe John Daniel,
tema do Márcio, personagem vivido pelo Tony Ramos na trama.
Com
uma sonoridade melancólica e envolvente, “Loneliness” traduzia
perfeitamente o universo emocional de Márcio, personagem marcado por conflitos,
sentimentos intensos e uma personalidade bastante complexa. A música funcionava
como uma espécie de extensão dos momentos mais introspectivos e dramáticos do
personagem.
“We´Re
All Alone”
Intérprete:
Rita Coolidge
Compositores:
B. Scaggs
Poucas canções representam tão bem o romantismo sofisticado
dos anos 1970 quanto “We’re All Alone”, na delicada interpretação de Rita
Coolidge. A música foi escrita por Boz Scaggs e apareceu
originalmente no álbum “Silk Degrees”, de 1976.
A
versão de Rita Coolidge foi lançada em 1977, no álbum “Anytime...Anywhere”,
da A&M Records. Com sua voz suave, interpretação intimista e arranjo
envolvente, ela transformou a composição em uma das grandes baladas românticas
daquela década.
O
sucesso foi enorme: “We’re All Alone” chegou ao 7º lugar na Billboard
Hot 100 e também teve excelente desempenho no Reino Unido, onde alcançou o
Top 10.
Em
O Astro a
música foi tema da Lili, a personagem
vivida pela Elizabeth Savalla.
“Citations Ininterrompues (HEY JUDE, DAY TRIPPER, GET
BACK, BACK IN THE USSR, I WANT TO HOLD YOUR HAND, LADY MADONNA, HELP,
YESTERDAY, YELLOW SUBMARINE, LUCY IN THE SKY WITH DIAMONDS, MICHELLE, WITH A
LITTLE HELP FROM MY FRIENDS, PENNY LANE, OB-LA-DI OB-LA-DA)
Intérpretes:
Café Créme
Compositores:
Vários
“Citations Ininterrompues”, do grupo Café Crème,
é uma daquelas gravações que unem duas épocas musicais de maneira muito
curiosa: o universo dos Beatles dos anos 1960 e a explosão da disco
music dos anos 1970.
Lançada
em 1977, a faixa é, na verdade, um grande medley que reúne trechos de
vários clássicos dos Beatles em sequência, entre eles Hey Jude, Day Tripper,
Get Back, Back in the U.S.S.R., I Want to Hold Your Hand, Lady Madonna,
Yesterday, Yellow Submarine, Ob-La-Di, Ob-La-Da, Lucy in the Sky with Diamonds,
Michelle, With a Little Help from My Friends e Penny Lane.
O
interessante é que essas músicas não aparecem simplesmente como covers
completos. Elas são costuradas umas às outras, criando uma espécie de “viagem
acelerada” pela carreira dos Beatles. O arranjo recebe uma roupagem
dançante, típica da disco music, transformando melodias que o público já
conhecia em algo mais festivo e voltado para as pistas de dança.
O
projeto foi produzido por Laurent Rossi, e o Café Crème ficou
conhecido justamente por seus medleys de músicas dos Beatles. O grupo
explorou bastante essa fórmula durante 1977, período em que a música disco
estava em enorme evidência.
“Love
For Sale”
Intérprete: Boney M
Compositores:
Cole Porter
Lançada em 1977, “Love for Sale” faz parte do álbum
homônimo, o segundo de estúdio do Boney
M. A música é uma releitura, em ritmo disco, do clássico “Love for Sale”,
composto por Cole Porter para o musical “The New Yorkers”, de
1930.
Na
interpretação do Boney M., a canção ganha uma roupagem completamente
diferente da atmosfera sofisticada e jazzística das versões tradicionais. O
grupo transforma a composição em uma produção dançante, envolvente e carregada
de elementos típicos da disco music dos anos 1970, com arranjos orquestrais,
vocais marcantes e uma batida contagiante.
“Bird
Songs”
Intérprete
e Compositor: Chrystian
“Bird Songs”, do Chrystian é uma daquelas canções
internacionais que ficaram muito ligadas à memória afetiva. Lançada por Chrystian em 1978, a música
fazia parte do compacto “Bird Songs / She's My World”, lançado pela Som
Livre.
A
música ficou especialmente
marcada por sua presença na trilha internacional de O
Astro, como tema de amor da Lili e Márcio, personagens vividos por ElizabethSavalla e Tony Ramos.
“The
Name Of The Game”
Intérpretes: Abba
Compositores:
Benny Andersson, Björn Ulvaeus e Stig
Anderson
“The Name of the Game”, do ABBA, é uma das
canções mais sofisticadas da fase clássica do grupo sueco. Lançada em 1977, foi
o primeiro single de “ABBA – The Album” e chegou ao 1º lugar no Reino
Unido.
A
música chama atenção por ter um clima mais intimista e romântico do que alguns
dos grandes sucessos dançantes do ABBA. A letra fala sobre alguém que
começa a se abrir emocionalmente para uma pessoa nova e, ao mesmo tempo,
demonstra insegurança.
“Dreamin´”
Intérprete:
Liverpool Express
Compositores:
Kinsley e Craig
“Dreamin’”, do Liverpool Express, é uma
daquelas canções românticas e suaves que traduzem muito bem o clima pop dos
anos 1970. Lançada como single em 1977, a música foi composta por Billy
Kinsley e Roger Scott Craig, integrantes do grupo, e chegou ao 40º
lugar da parada britânica.
A
letra gira em torno de um amor desejado e ainda vivido principalmente na
imaginação. O eu lírico sonha com a pessoa amada, imaginando momentos de
intimidade e felicidade ao lado dela. É justamente essa mistura de romantismo,
saudade e fantasia amorosa que dá à música seu tom tão delicado.
Musicalmente,
“Dreamin’” apresenta o Liverpool Express em uma fase bastante
característica de seu pop melódico. O single foi lançado pela Warner Bros.
em maio de 1977, tendo “Beauty of the Bitch” no lado B.
Curiosamente,
a música na novela O Astro foi
tema da tresloucada Clô Hayala, a inesquecível personagem vivida pela não menos
inesquecível Teresa Rachel.
“Destiny”
Intérprete
e Compositor: Julian Grey
“Destiny”, interpretada por Julian Grey, fecha o LP internacional da novela, como a faixa nº
14. A canção tem uma atmosfera
melancólica, romântica e bastante envolvente, combinando perfeitamente com o
universo sentimental da novela.
Na
trama, “Destiny” é o tema da Jôse,
personagem interpretada por Sílvia Salgado, embalando os momentos
românticos dela com o Márcio
Hayalla, vivido por Tony Ramos.
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Fonte:
Texto: Evaldiano de
Sousa
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www.wikipedia.com.br
Vídeos: You Tube



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