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Novelas Inesquecíveis – Vitória Bonelli (1972)

 

        Há 45 anos a Rede Tupi apresentava no seu horário das 19 horas uma das mais aclamadas produções da casa e considerada um momento único da teledramaturgia nacional.
        Vitória Bonelli foi uma verdadeira obra-prima em forma de telenovela onde tudo deu certo girando em total sintonia. Texto, imagem, direção, produção e elenco  tão conectados que parecia que se entendiam só com o olhar, e isso foi totalmente transferido para a tela seduzindo e encantando o telespectador. A novela apresentou muitos momentos memoráveis com alguns capítulos que aconteciam apenas com dois atores em cena.
        A novela saiu da cabeça memorável de Geraldo Vietri  que criou a personagem título pensando exatamente em sua intérprete Berta Zemmel. Ele declarou em entrevistas que  a figura, os gestos, a voz e claro o talento dramático da atriz  o inspiraram a criar Vitória Bonelli, e só ela teria todos os predicativos para fazer uma personagem tão forte.

        Berta Zemmel que fez pouquíssimos trabalhos na tv,  aceitou Vitória Bonelli, além da insistência de Vietri, pela grandiosidade que a personagem representava,  não só dentro da teledramaturgia como para a sociedade em geral. A personagem acabou sendo o grande papel  da sua carreira.

        Vitória Bonelli (Berta Zemmel) é uma mulher firme, decidida e de grande personalidade. Por uma série de circunstâncias, fica enclausurada durante vinte anos em seu quarto, vivendo fora da realidade, num mundo particular. De repente, sai do seu refúgio para enfrentar um ambiente hostil, vivendo através dos problemas de seus quatro filhos – Tiago (Tony Ramos), Mateus (Carlos Alberto Ricelli), Lucas (Flamínio Favero) e Verônica (Anamaria Dias).
Vitória irá protegê-los usando toda a sua garra na luta para vencer a depressão econômica que se abateu sobre a família. O marido, Jaime Bonelli (Raul Cortez), homem que enriquecera através de meios duvidosos, morreu durante uma festa em sua mansão quando tentava conseguir mais dinheiro emprestado de seu círculo de amigos para livrar-se das dívidas. Com a derrocada financeira, a família Bonelli perde tudo e Vitória luta para sobreviver e conscientizar os filhos dessa nova realidade. A princípio eles não aceitam a situação e revoltam-se contra a mãe. Para piorar, Verônica aceita-se casar com Wálter (Carlos Augusto Strazzer), filho dos Moglianni, principais credores dos Bonelli.
Apesar da força de sua verdadeira personalidade, Vitória Bonelli é uma mulher tímida que sempre viveu à sombra do marido. Vivendo no conforto, ela ocupava-se apenas de cuidar de seus filhos, levando uma vida tranquila e burguesa. Com a reviravolta na situação econômica da família, Vitória deixa seu casulo e converte-se numa verdadeira matriarca, tomando para si a responsabilidade de salvar a situação.
A trama presenteou os telespectadores com momentos inesquecíveis dos atores Raul Cortez, que como Jaime Bonelli marcou o primeiro capítulo da novela. Dina Lisboa e Yara Lins,  na pele da Feiticeira Esmeralda  e Madame Moglianni respectivamente, roubaram a cena. Yara afirmou em entrevista que o temperamento da sua personagem se assemelhava ao de Vietri.

        Mas Tony Ramos fez de Vitória Bonelli seu palco. Na pele do Tiago mostrou todo o seu talento se firmando de vez como o grande ator que se transformava.
Na trama de Vitória Bonelli, Berta Zemmel proferiu pela primeira vez a palavra “Bunda” em uma novela.  A Cena aconteceu quando Vitória flagra o filho Tiago (Tony Ramos) tentando acender um fósforo para incendiar a mansão. Depois de um sermão, a mãe ordena que, ou  ele risca o fósforo e faz o que prometeu, provando que já é um homem feito, ou desiste provando que ainda é uma crianção, e como criança ela vai descer suas calças e ele  apanhar na Bunda! A Cena foi negociada diretamente por Vietri e os censores que entenderam a situação, e liberaram o “grande palavrão”, desde que ele fosse dito apenas uma vez.

Ousado como poucos, Geraldo Vietri abordou de forma bem atrevida para época o tema da homossexualidade envolvendo  Mateus, o filho de Vitória, vivido pelo Carlos Alberto Ricelli. No primeiro capítulo, o garotão é levado pelo próprio pai ao encontro de um amigo (Benjamim Cattan), a quem ele devia muitos favores e dinheiro. O Pai dizia ao filho nas entrelinhas que ele deveria ser atencioso e cordial com seu amigo, um homem mais velho que mantinha um casamento de fachada com uma mulher. Toda essa cena ocorria através de um aquário, que representava a máscara do personagem do Cattan.

Cada capítulo de Vitória Bonelli se iniciava com um monólogo do ocorrido no capítulo anterior um das novidades criadas para a trama. Outra trunfo da produção da novela eram as gravações de externas, em sua maioria feitas  por uma equipe de cinema.

A novela marcou a estreia dos atores Amilton Monteiro e Carlos Nunes.
Com o texto ágil e enxuto, Vitória Bonelli mostra Geraldo Vietri em seu melhor momento como autor e diretor. A novela densa e eficaz   deu status de grande emissora a Rede Tupi naquela década,  que chegou até ofuscar as produções globais. Com o público embriagado pela trama, a Tupi teve dias de glória durantes os 10 meses em que a novela ficou no ar ,  se transformando em referência para teledramaturgia.
Ficha Técnica:
Novela do Autor Geraldo Vietri
Direção Geral: Geraldo Vietri
Elenco:
BERTA ZEMMEL – Vitória Bonelli
TONY RAMOS – Tiago
CARLOS ALBERTO RICCELLI – Mateus
FLAMÍNEO FÁVERO – Lucas
ANNAMARIA DIAS – Verônica
CARLOS AUGUSTO STRAZZER – Wálter
IVAN MESQUITA – Sr. Moglianni
YARA LINS – Madame Mercedes Moglianni
NORAH FONTES – Mãe Ana
CARMEM MONEGAL – Carla
ETTY FRASER – Pina (Hipólita)
RUTHINÉIA DE MORAES – Néia
AMILTON MONTEIRO – Dudu (Eduardo) 
CLÁUDIA MELLO – Dora
PAULO FIGUEIREDO – Julian
DINA LISBOA – Esmeralda
SYLVIA BORGES – Pérola
LEONOR NAVARRO – Safira
GRAÇA MELLO – Carlo
ELIZABETH HARTMANN – Ivone
GIAN CARLO – Hugo 
SÉRGIO GALVÃO – Clóvis Jurandir
MARCOS PLONKA – Divino
MARIA VIANA – Maria
CLENIRA MICHEL – Dona Pura
FELIPE LEVY – Galante
SEBASTIÃO CAMPOS – Sr. Rodrigues (amigo de Jaime a quem ele devia dinheiro) 
LÍDIA COSTA – Madame Rodrigues 
XANDÓ BATISTA – Sr. Pardini (amigo de Jaime a quem ele devia dinheiro) 
MARIA APARECIDA ALVES – Madame Pardini
OSMANO CARDOSO – Sr. Lopes (amigo de Jaime a quem ele devia dinheiro) 
Madame Lopes
Sr. Felipelli (amigo de Jaime a quem ele devia dinheiro) 
Madame Felipelli
VERÔNICA TEIJIDO – Hortência
ÚRSULA PEREIRA – Angélica
CARLOS NUNES – Diego 
MUÍBO CÉSAR CURY – Miranda 
DALVA DIAS 
UCCIO GAETA 
MARTHUS MATHIAS 
DÁRCIO DELLA MONICA 
CUBEROS NETO 
NEUZA BORGES 
LÍLIAN NOVAES 
ANTON ERNEST RUNGE 
e
RAUL CORTEZ – Jaime Bonelli
WÁLTER FORSTER – Dr. Fontana
AMÁLIA RODRIGUES 
AGNALDO RAYOL 
LUIZ CARLOS ARUTIN – Pedro Sanches (cúmplice de Jaime em suas negociatas)
BENJAMIN CATTAN – Sr. Charque (amigo de Jaime a quem ele devia dinheiro) 
MIGUEL ROSEMBERG – oficial de justiça que avisa a família de Vitória qie eles perderam tudo
Exibição: 13 de Setembro de 1972 à 14 de Julho de 1973
Fonte:
Texto: Evaldiano de Sousa

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