A Emília de “Além do Tempo”, a Neia de “Rock Story” e a Jacyra de “O Rei do Gado” na Globoplay Novelas
Poucas
atrizes conseguem transitar com tanta força pelo teatro, cinema e televisão
como Ana Beatriz Nogueira. Com mais de quatro décadas de carreira, ela
construiu uma trajetória marcada por personagens intensos, complexos e
inesquecíveis.
No
ar em três reprises na Globo e na Globoplay Novelas - A Emília de “Além do Tempo”, a Neia de “RockStory” e a Jacyra de “O Rei do Gado”
, Ana Beatriz Nogueira é a estrela
do post, seu segundo nesta seção, mas que merecido claro. O primeiro você pode curtir AQUIantes.
Sua
estreia profissional nos palcos aconteceu em 1984, e, dois anos depois,
ela chegou à televisão na minissérie Santa Marta Fabril (1984), e na novela Mania de
Querer, ambas na extinta TV Manchete. No cinema, veio um
dos momentos mais importantes de sua carreira: o filme Vera (1987), que lhe rendeu o Urso de Prata
de Melhor Atriz no Festival de Berlim, colocando seu talento em destaque
também internacionalmente.
Na
televisão, Ana Beatriz colecionou trabalhos que ficaram na memória do público. Como
em O Reido Gado (1996), viveu Jacira; em AnjoMau (1997), interpretando a Duda; e em Celebridade(2003), brilhou como a ambiciosa Ana Paula, uma das
personagens mais marcantes de sua carreira.
E
a lista de sucessos não para por aí! A atriz também esteve em A Casa das Sete Mulheres (2003), Caminho das Índias (2009), Insensato Coração (2011), A Vida daGente (2011), Salve Jorge (2012), Saramandaia (2013),
Em Família (2014), Além do Tempo (2015), Rock Story (2016)
e O Sétimo Guardião (2018).
Nos
últimos anos, continuou mostrando sua versatilidade em produções como Um Lugar ao Sol (2021), Todas as Flores (2022)
e Mania de Você (2024). Em 2026,
encarou ainda um novo formato ao participar da novelinha vertical Nas Profundezas do Amor, do Globoplay,
interpretando Madalena.
A
trajetória de Ana Beatriz Nogueira também é marcada por desafios de
saúde. Em 2009, durante as gravações de Caminho
das Índias, a atriz foi diagnosticada com esclerose múltipla, após
apresentar problemas de visão. Mesmo com o diagnóstico, continuou trabalhando
no teatro e na televisão.
Em
2022, enfrentou outro desafio ao descobrir um câncer de pulmão em estágio
inicial, tratado por meio de cirurgia. Já em 2024, durante as gravações de Mania de Você, precisou se afastar da novela
por recomendação médica, após passar mal com o forte calor dos estúdios, que
poderia agravar os sintomas da esclerose múltipla.
Apesar
das dificuldades, Ana Beatriz Nogueira segue dedicada à arte e à
carreira, mostrando sua força e paixão pela profissão.
Ana Beatriz Nogueira é daquelas atrizes que não precisam de exageros para
dominar uma cena. Seu talento está justamente na capacidade de
transformar cada personagem em alguém com personalidade, conflitos e vida
própria.
Uma
carreira construída com teatro, cinema, televisão e que
merece sempre aplausos.
Nos
post de hoje vamos dissecar algumas dessas personagens inesquecíveis que a atriz viveu nesses últimos anos.
Selma de Em Família (2014)
Em
2014, Ana Beatriz Nogueira voltou a uma novela de Manoel Carlos
para interpretar Selma, uma mulher forte, protetora e profundamente ligada à
família em “Em Família”.
Selma
era irmã de Chica (Natália do Vale) e Juliana (Vanessa Gerbelli), esposa de
Itamar (Nelson Baskerville) e mãe de Laerte, personagem do Gabriel Braga
Nunes. Extremamente protetora com o filho, ela responsabilizava Helena
(Julia Lemmertz) por boa parte das tragédias que marcaram a vida de Laerte.
Ao
longo da trama, Selma passou por uma transformação dramática. Depois da morte
do marido, a personagem começou a apresentar esquecimentos e alterações de
comportamento, até ser revelado que sofria de demência frontotemporal, doença
degenerativa que afetava principalmente o comportamento.
AnaBeatriz Nogueira encontrou na personagem uma
oportunidade para trabalhar diferentes nuances: da mãe extremamente protetora à
mulher fragilizada pelas consequências da doença. Selma acabou se tornando um
dos personagens mais dramáticos de sua trajetória na televisão.
O
público não deixou de perceber algumas escalações consideradas questionáveis em
relação às idades dos atores e de seus personagens em Em Família. Um exemplo Ana Beatriz Nogueira
como mãe de Gabriel Braga Nunes. Na vida real, a diferença de
idade entre os dois atores era de cerca de quatro anos — uma escolha que também
chamou a atenção do público.
Ainda
assim, Ana Beatriz Nogueira entregou uma interpretação intensa e cheia
de emoção, especialmente nas cenas em que Selma começou a perder gradualmente a
autonomia e a percepção da realidade.
Emília de Além do Tempo (2015)
Em
Além do Tempo, novela de Elizabeth
Jhin, uma das reprises em que a atriz está no ar, Ana Beatriz Nogueira teve um dos grandes
desafios de sua carreira: interpretar Emília em duas fases completamente
diferentes da história, separadas por cerca de 150 anos.
Na
primeira fase, ambientada no século XIX, Emília é uma mulher sofrida, forte e
determinada. Dona de uma taberna em Campobello, ela vive marcada pelos
conflitos com a poderosa Condessa Vitória (Irene Ravache), que nunca aceitou
seu relacionamento com Bernardo (Felipe Camargo). Extremamente protetora,
Emília faz de tudo para preservar a filha Lívia (Alinne Moraes), chegando a
colocá-la em um convento.
Ana
Beatriz construiu uma Emília carregada de dor, ressentimento e preocupação. Uma
mulher que aprendeu a sobreviver diante das perdas e das injustiças, mas que
também revelou sua enorme capacidade de amar e proteger a filha.
E então veio a segunda fase...
150
anos depois, Ana Beatriz reaparece como uma nova Emília. Agora rica, poderosa e
dona da Beraldini, uma empresa de importação e exportação de vinhos, ela é uma
mulher sofisticada, mas igualmente marcada pelo passado.
A
grande virada está na relação com Vitória: aquilo que antes era uma rivalidade
entre duas mulheres se transforma em uma relação de mãe e filha. Emília cresceu
acreditando que havia sido abandonada pela mãe ainda criança e alimentou
durante anos um desejo de vingança.
E
é justamente aí que Ana Beatriz Nogueira mostra a riqueza de sua
interpretação: não era simplesmente repetir a personagem com outra roupa ou em
outro período histórico. A atriz precisou encontrar uma nova personalidade para
Emília, mantendo, ao mesmo tempo, os sentimentos e conflitos que conectavam as
duas vidas.
A
própria atriz destacou que interpretar os personagens nas duas fases foi uma
grande oportunidade de exercício para o elenco, permitindo novas experiências e
encontros com grandes atores.
No decorrer da trama, Emília passa por perdas,
conflitos, descobertas e transformações. Na segunda fase, depois de enfrentar
novamente situações-limite, ela consegue finalmente romper o ciclo de mágoas e
se reconciliar com Vitória.
E
Ana Beatriz Nogueira entregou duas versões de Emília com diferenças
marcantes, mostrando por que sua atuação foi um dos grandes destaques de Além do Tempo.
Néia de Rock Story (2016)
Em meio a tantas personagens marcantes na carreira de Ana
Beatriz Nogueira, a Néia, de Rock Story, ocupa um lugar especial. A novela
de Maria Helena Nascimento, exibida originalmente em 2016, apresentou a
atriz em uma veia mais cômica e irreverente — e o resultado conquistou o
público.
Néia
é a mãe de Léo Régis (Rafael Vitti), astro da música romântica, e também
de Yasmin (Marina Moschen). Depois do sucesso do filho, ela passa a controlar
de perto sua carreira, suas finanças e, principalmente, sua vida amorosa.
Ciumenta,
controladora, exagerada e extremamente protetora, Néia acredita que tudo o que
faz é para o bem dos filhos. Só que, na prática, suas atitudes acabam
provocando situações completamente absurdas e hilárias.
A
personagem ganhou frases marcantes e rapidamente caiu nas graças do público. A
própria autora Maria Helena Nascimento contou que se inspirou em
características comuns de mães e levou tudo “para uma lente de aumento”,
criando uma figura exagerada e irreverente.
Um
dos grandes momentos da personagem acontece quando Néia chega a se envolver em
armações para tentar impedir o relacionamento de Léo com Diana (Alinne Moraes).Até mesmo um falso sequestro entra em seus planos, mostrando até onde ela é
capaz de ir para proteger o filho.
E
é justamente aí que está o charme de Néia: ela não é simplesmente uma mãe
vilanesca, mas uma personagem exagerada, contraditória e muito divertida, que
encontrou em Ana Beatriz Nogueira a intérprete perfeita.
Hoje,
com Rock Story novamente em evidência, na reprise na Globoplay Novelas nos permite rever esse trabalho mais leve da atriz
— uma atuação que contrasta bastante com personagens dramáticas como Emília, de
Além do Tempo.
Ondina de O Sétimo Guardião (2018)
Em
meio aos mistérios, segredos e conflitos de “OSétimo Guardião”, novela de Aguinaldo Silva, exibida pela Globo em 2018, Ana Beatriz Nogueira
deu vida a Ondina, uma personagem que carregava consigo uma história cercada de
mistério e revelações.
Ondina
era a dona do bordel de Serro Azul, mas estava muito longe de ser apenas uma
personagem ligada à rotina daquele lugar. Ela fazia parte da atmosfera
enigmática da novela e mantinha relações importantes com diversos personagens,
sempre transitando entre os segredos da cidade e as histórias de seus
moradores.
Ana Beatriz Nogueira imprimia à personagem uma interpretação
cheia de nuances, força e personalidade. Ondina tinha humor, autoridade,
sensualidade e, ao mesmo tempo, uma camada de humanidade que a atriz soube
explorar muito bem.
E
é justamente aí que estava um dos grandes méritos da atuação de Ana Beatriz:
transformar uma personagem que poderia facilmente cair no estereótipo em uma
mulher cheia de contradições, desejos, fragilidades e mistérios.
O Sétimo
Guardião apostou no realismo
fantástico, nos mistérios de Serro Azul e na disputa em torno da fonte de águas
milagrosas. Dentro desse universo peculiar, Ondina ajudava a compor a
identidade da cidade e o clima de segredo que envolvia a trama.
Elenice de Um Lugar ao Sol (2021)
Em “Um Lugar ao Sol”,
novela da Lícia Manzo, Ana Beatriz Nogueira deu vida a Elenice,
uma personagem cheia de contradições e que encontrou na atriz uma intérprete à
altura de sua complexidade.
Elenice
era uma mulher fútil, vaidosa e extremamente preocupada com as aparências.
Viúva de José Renato, ela era a mãe adotiva de Renato (Cauã Reymond), rapaz que
criou cercado de conforto e expectativas. Ao mesmo tempo em que tentava
controlar os passos do filho, Elenice era capaz de defendê-lo com unhas e
dentes.
A
relação entre os dois, porém, estava longe de ser saudável. A necessidade de
Elenice de ter um filho “perfeito” contribuiu para o distanciamento entre eles.
Quando os problemas financeiros de Renato vieram à tona, ela passou a enxergar
no casamento dele com Bárbara (Alinne Moraes) uma possibilidade de recuperar a
estabilidade e o padrão de vida que tanto valorizava.
Elenice
também protagonizou algumas das situações mais tensas da trama. Movida pelo
preconceito social e pela preocupação excessiva com as aparências, chegou a
agir contra Lara (Andreia Horta) e a se envolver em armações ao lado de
Bárbara.
Ana Beatriz Nogueira construiu uma
Elenice incômoda, humana e cheia de nuances, mostrando mais uma vez sua
capacidade de interpretar personagens que transitam entre a fragilidade, o
egoísmo, a arrogância e o desespero.
E
o desfecho da personagem foi especialmente dramático quando Christian revelou a
verdade: ele não era Renato, mas seu irmão gêmeo, que havia assumido a
identidade do rapaz após sua morte. A revelação desmontou completamente o mundo
de Elenice.
Elenice
foi mais uma personagem que comprovou a força da atriz na
televisão: uma mulher difícil de amar, mas impossível de ignorar.
Guiomar de Todas as Flores (2023)
Em
Todas as Flores, novela de JoãoEmanuel Carneiro produzida para o Globoplay, Ana Beatriz Nogueira
deu vida a Guiomar Martinez, uma milionária, presidente da Rhodes e integrante
de uma tradicional família ligada à empresa. Casada com Humberto (FábioAssunção) e mãe de Rafael (Humberto Carrão), ela tinha no filho seu grande
companheiro e era uma mulher muito ligada à família e aos negócios.
Guiomar,
porém, estava longe de imaginar que o casamento que acreditava conhecer
escondia uma grande traição. Seu marido mantinha um relacionamento com Zoé
(Regina Casé), justamente uma antiga amiga da família. Aos poucos, Guiomar
começa a desconfiar da proximidade entre os dois e passa a investigar o que
realmente estava acontecendo.
E
é justamente nessa investigação que a personagem ganha força. Guiomar não se
conforma com as suspeitas e busca respostas sobre Humberto, Zoé e os negócios
que envolviam a Rhodes. A empresária acaba descobrindo que havia vivido uma
mentira durante anos.
Ana Beatriz Nogueira construiu Guiomar com sobriedade,
elegância e muita emoção, especialmente nos momentos em que a personagem
percebe que pessoas nas quais confiava estavam envolvidas em uma realidade
completamente diferente daquela que imaginava.
O destino de Guiomar, entretanto, seria
trágico. Ela acaba morrendo durante o incêndio na Rhodes, depois de
descobrir informações comprometedoras sobre os crimes de Zoé e sua organização.
Sua morte se tornou uma das grandes viradas da primeira parte de Todas as Flores.
Guiomar
pode ter partido cedo demais, mas sua presença foi fundamental para movimentar
a história.
Moema de Maniade Você (2024)
Em “Mania de Você”,
novela de João Emanuel Carneiro, Ana Beatriz Nogueira volta a trabalhar com o autor depois de Todas as Flores e
deu vida a uma personagem bastante diferente de seus trabalhos anteriores: Moema,
uma mulher forte, protetora e profundamente ligada às suas raízes.
Caiçara
e líder da comunidade do Sururu, em Angra dos Reis, Moema era uma verdadeira
matriarca. Defensora da natureza e do modo de vida de seu povo, ela enfrentava
os interesses daqueles que queriam transformar a região em um grande
empreendimento. Para ela, preservar a terra, o mar e a comunidade era muito
mais importante do que a riqueza e a ambição.
Moema
também carregava uma forte responsabilidade familiar. Ela criou os sobrinhos Rudá
(Nicolas Prattes) e Iberê (Jaffar Bambirra), tentando transmitir aos dois os
valores caiçaras que sempre defendera. Enquanto Rudá seguia mais próximo dos
ideais da tia, Iberê acabava tomando um caminho bastante diferente.
Na
trama, a personagem ainda viveu uma história de amor com Nahum (Ângelo Antônio),
com quem voltou a se aproximar depois de muitos anos. Essa relação trouxe uma
nova dimensão à personagem, mostrando também o lado mais afetivo e vulnerável
de Moema.
Ana
Beatriz Nogueira imprimiu à personagem uma interpretação
marcada pela firmeza, pela simplicidade e pela emoção. Moema não era apenas uma
mulher que defendia sua comunidade: era alguém que carregava em si a memória,
os valores e a identidade daquele lugar.
A
trajetória de Moema, porém, foi interrompida antes do fim da novela. Ana
Beatriz deixou o elenco para cuidar da saúde, e a personagem teve um desfecho
trágico, com sua morte sendo sentida pelos personagens que ficaram. Mesmo
depois de partir, Moema continuou influenciando a história por meio de
revelações deixadas para trás.
Mais uma das personagens marcantes na trajetória de AnaBeatriz Nogueira, que mostrou mais uma vez sua capacidade de se transformar em figuras complexas, humanas e memoráveis.
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Fonte:
Texto: Evaldiano de
Sousa



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