O Edvaldo de “Quem Ama Cuida”
Guilherme Piva
é um dos astros da trama das nove
- Quem Ama Cuida. Na pele do
Edvaldo, mordomo dos Brandão, o ator encontrou mais uma oportunidade de
conquistar o público. Na trama, seu personagem ganhou destaque e ajudou a
movimentar a história, mostrando mais uma vez a habilidade do ator em transitar
entre momentos de humor, emoção e drama.
Seu desempenho chamou atenção justamente por aquilo que se
tornou uma de suas marcas: a naturalidade em cena e o carisma diante das
câmeras. Guilherme Piva não apenas interpreta — ele dá personalidade e
verdade aos personagens que assume.
Ao longo de sua carreira, Guilherme Piva construiu uma
trajetória marcada pela versatilidade, pelo bom humor e pela capacidade de
transformar seus personagens em figuras inesquecíveis. No teatro, na televisão
e no cinema, o ator sempre mostrou que talento e dedicação são ingredientes
fundamentais para uma carreira sólida.
Poucos atores conseguiram construir uma trajetória tão
versátil na televisão brasileira. Com uma carreira que começou nos palcos ainda
nos anos 1980, o ator foi conquistando espaço no cinema e na televisão até se
tornar um rosto conhecido e querido pelo público.
Sua
estreia na televisão aconteceu em 1989, numa
pequena participação na novela O Sexo dos Anjos. No ano seguinte, participou de Malhação e,
em 1996, ganhou grande destaque ao interpretar José Maria, o Zé Mulher, em Xica da Silva, na extinta TV Manchete.
Depois, ainda na Manchete, esteve em Mandacar (1997),
como Frei Dodô.
Na
Globo, sua trajetória ganhou ainda mais força. Vieram trabalhos em
produções como Chiquinha Gonzaga (1999), Esplendor (2000), Porto dosMilagres (2001), O Beijo do Vampiro (2002), Chocolate com Pimenta
(2003), Pé na Jaca (2006), ParaísoTropical (2007), Sete Pecados (2007),
Três Irmãs (2008), Insensato Coração (2011)
e Lado a Lado
(2012) entre outras.
Em
Novo Mundo, Guilherme Piva
viveu o trapaceiro Licurgo Ferreira, personagem que conquistou o público ao
lado de Germana, interpretada pela Vivianne
Pasmanter. O sucesso da dupla foi tamanho que os personagens retornaram em Nos Tempos do Imperador, em 2021.
No
cinema, Piva também deixou sua marca em produções como Madame Satã, além de outros trabalhos que
mostram sua versatilidade como intérprete.
Mais do que um ator de personagens marcantes, Guilherme
Piva é daqueles artistas que sabem valorizar cada oportunidade.
De
Xica da Silva
a Novo Mundo, de Chocolate com Pimenta
a Nos Tempos do Imperador, e
agora em Quem Ama Cuida, sua carreira
mostra uma característica fundamental: a capacidade de se reinventar sem perder
a identidade artística.
Guilherme Piva merece todos os aplausos
por essa trajetória e, o e10blog coroa agora com essa listagem dos seus
melhores personagens.
Jose Maria, o Zé Mulher
de Xica da Silva (1996)
Quem
acompanhou a inesquecível Xica da Silva,
exibida pela extinta Rede Manchete entre 1996 , certamente guarda na
memória um personagem que roubou muitas cenas: Zé Maria, o Zé Mulher,
vivido com muito talento p Guilherme Piva.
Na
trama do Walcyr Carrasco, dirigida por Walter Avancini, Zé Maria
era um peruqueiro e grande amigo de Xica da Silva, personagem
interpretada pela Taís Araújo. Conhecedor da moda e dos costumes da
época, era ele quem ajudava Xica a se transformar numa verdadeira dama,
ensinando-a a usar sapatos, perucas e os luxos da sociedade do século XVIII.
Inicialmente
pensado como um personagem secundário, Zé Maria ganhou cada vez mais espaço e
se tornou uma figura importante na novela. Sua personalidade, seu jeito
irreverente e sua relação de amizade com Xica fizeram dele um dos personagens
mais queridos daquela produção.
E
Guilherme Piva encarou o desafio com coragem. Na época, o ator tinha
apenas 29 anos e estava fazendo sua primeira novela. Ele chegou a revelar que
tinha receio de sofrer preconceito por interpretar um personagem homossexual,
mas decidiu abraçar o papel e construir Zé Mulher com personalidade própria.
A
trajetória de Zé Maria também ganhou contornos dramáticos quando o personagem
passou a ser perseguido e acusado injustamente de manter relações com o escravo
Paulo, vivido por Déo Garcez. A perseguição transformou Zé Mulher em um
dos personagens centrais de uma das tramas mais ousadas da novela. Inesquecível
a cena em que pego em uma arapuca
de Violante (Drica Moraes), Zé Maria é
exposto nu para toda Arraial do Tijuco, sendo desmoralizado pela
sociedade preconceituosa da
época.
O
personagem também viveu uma curiosa relação com Elvira, interpretada por Giovanna
Antonelli, em meio a uma história que misturava humor, romance e crítica ao
preconceito.
Hoje,
rever Guilherme Piva como Zé Maria é lembrar de uma época em que a
televisão brasileira ousava, provocava e apresentava personagens que ficavam
para sempre na memória do público.
Zé
Mulher foi muito mais do que um personagem divertido de “Xica da Silva”. Foi um dos primeiros grandes
trabalhos de Guilherme Piva na televisão e ajudou a revelar o talento de
um ator que, décadas depois, continuaria construindo uma carreira de sucesso.
Frei Dodô de Mandacaru (1997)
Quem acompanha a trajetória de Guilherme Piva
certamente se lembra do Frei Dodô, também conhecido como Domingos,
vivido pelo ator na novela “Mandacaru”,
da extinta TV Manchete.
Exibida
em 1998, Mandacaru foi uma grande produção da Manchete,
ambientada no sertão da Bahia dos anos 1930 e tendo o cangaço, a disputa pela
terra, a fé e os conflitos entre coronéis e cangaceiros como elementos centrais
da história.
Frei
Dodô ou Domingos é mais um exemplo da
versatilidade de Piva em seus primeiros trabalhos na televisão. O ator fazia
parte daquele universo sertanejo tão particular de Mandacaru,
uma novela que procurava retratar costumes, religiosidade, poder e as
contradições da vida no sertão.
Carlos de Chiquinha
Gonzaga (1999)
Depois dois destaques na extinta Rede Manchete em 1999 Piva volta a Globo e estreia na minissérie Chiquinha Gonzaga, do autor Lauro César Muniz.
Na produção ele participou da segunda fase da história
interpretando o apresentador da peça teatral sobre a vida de ChiquinhaGonzaga.
Foi
uma participação pequena, mas ela ganha
um significado especial dentro da narrativa. A minissérie utilizou o teatro
como recurso para contar a trajetória da grande compositora, fazendo com que a
própria Chiquinha, já idosa, revisse episódios de sua vida e de sua
intensa trajetória artística e pessoal.
Alfeu de Porto dos Milagres
(2001)
Em
2001, Guilherme Piva esteve no elenco de Portodos Milagres, novela de Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares,
vivendo Alfeu, um personagem que garantia boas doses de humor ao núcleo de
Epifânia, interpretada por Cláudia Alencar.
Alfeu
era genro de Epifânia (Cláudia Alencar) e marido de Socorrinho, personagem de Mônica
Carvalho. E o casamento dos dois tinha uma dinâmica bastante curiosa:
enquanto Socorrinho era uma jovem cobiçada pelos rapazes da cidade e gostava de
escolher muito bem seus pretendentes, Alfeu era descrito como um verdadeiro “banana”,
por quem a própria esposa não nutria grande respeito.
Mesmo
assim, Alfeu era um homem de boa vontade, que não dava muita importância às
atitudes um tanto quanto estranhas da mulher.
E
havia uma ironia deliciosa na construção do personagem: como estava sempre
conversando com todo mundo, Alfeu acabava sabendo de praticamente todas as
fofocas de Porto dos Milagres. O problema é que, justamente sobre sua própria
esposa, ele parecia ser o último a saber!
Guilherme
Piva
soube aproveitar muito bem esse perfil ingênuo e bem-humorado, criando um
personagem que funcionava perfeitamente dentro do universo popular e
irreverente da novela.
Monstro do Espelho de O Beijo do Vampiro
(2002)
Quem acompanhou O Beijo doVampiro certamente se lembra de
uma das figuras mais inusitadas da novela: o Monstro do Espelho, vivido
pelo talentoso Guilherme Piva.
Exibida
pela Globo, a novela do Antônio Calmon misturava romance, humor,
aventura, sobrenatural e vampiros. E,
nesse universo tão peculiar, o Monstro do Espelho tinha uma função bastante
importante: era prisioneiro de um grande espelho e havia sido transformado em
escravo por Bóris Vladescu, interpretado pelo saudoso Tarcísio Meira.
Confinado
dentro do espelho, o personagem ajudava Bóris a se manter informado sobre tudo
o que acontecia no mundo. Uma ideia criativa que dava à trama aquele toque de
fantasia e humor que marcou O Beijo do Vampiro.
Mas
o Monstro do Espelho também ganhou uma história própria. O personagem se
envolveu com Amélie Jolie, vivida por Betty Gofman, uma das figuras mais
divertidas do núcleo dos vampiros.
Guilherme
Piva, com seu talento para personagens excêntricos e
bem-humorados, transformou aquela figura fantástica em um dos tipos mais
curiosos da novela.
Até
nos momentos decisivos da história o Monstro do Espelho teve participação:
durante a preparação para a batalha final entre o Bem e o Mal, ele foi quem
confirmou que a conjunção dos astros e o eclipse estavam prestes a acontecer.
Dr. Paulo Bentes de Chocolate com Pimenta
(2003)
Quem se lembra de Dr. Paulo Bentes, que o Guilherme Piva interpretou
na novela Chocolate com Pimenta, do Walcyr Carrasco?
Exibida
pela Globo em 2003 , a trama conquistou o público com seu universo
de romance, humor, vingança e personagens inesquecíveis. E, nesse cenário, Guilherme
Piva mais uma vez mostrou sua versatilidade como ator.
Na
pele de Dr. Paulo Bentes, Piva foi o responsável por revelar aos personagens da trama o verdadeiro
gênero da Bernardete, personagem vivido pelo Kayky Britto, que havia
sido criado desde criança como uma menina
mas, na verdade era um menino. A cena foi mais um grande pastelão do Walcyr Carrasco com cada personagem levantando o vestido da
Bernadete e “conferindo”.
Delegado Praxedes de Lado a Lado (2012)
Heráclito Praxedes, vivido por Guilherme Piva em Lado a Lado (2012), era um daqueles
personagens que conseguiam misturar autoridade, comicidade e conflitos
familiares. Na trama, Heráclito era delegado de polícia e fazia parte de uma
família bastante peculiar.
Na
delegacia, Praxedes era sério, autoritário e rigoroso, transmitindo a imagem de
um homem acostumado a exercer poder. Porém, quando chegava em casa, a situação
mudava completamente: ele se via praticamente perdido diante das mulheres da
família — a esposa Teresa (Susana Ribeiro), a filha Sandra (Priscila Sol) e,
principalmente, a mãe, Dona Eulália (Débora Durate).
A
família era uma importante fonte das situações cômicas envolvendo o personagem.
Teresa, interpretada por Susana Ribeiro, era bibliotecária e
frequentemente entrava em conflito com a sogra. Já Sandra, vivida por Priscila
Sol, era uma jovem que, assim como outras mulheres da novela, sonhava com liberdade
e independência. Dona Eulália, interpretada pela Débora Duarte,
representava uma mentalidade bastante conservadora.
Um
dos momentos mais divertidos de Praxedes aconteceu quando uma fotografia dele
ao lado de Diva Celeste, a personagem vivida
pela Maria Padilha, na
praia, foi publicada no jornal. Dona Eulália ficou escandalizada ao ver o filho
ao lado de mulheres usando roupas de banho, obrigando o delegado a tentar
explicar a situação para a família.
Licurgo de Novo Mundo(2017) e Nos Tempos
do Imperador(2021)
Licurgo é um dos personagens mais divertidos da trajetória de
Guilherme Piva na televisão. Criado por Alessandro Marson e Thereza
Falcão, ele apareceu originalmente em NovoMundo (2017) e, graças ao sucesso
do personagem, retornou quatro anos depois em Nos Tempos do Imperador (2021),
novela que funciona como continuação da história.
Em Novo Mundo, Licurgo era o dono da Taberna dos Portos,
estabelecimento conhecido por ser um dos lugares mais mal-afamados da Corte.
Casado com Germana, vivida por Vivianne Pasmanter, ele formava
com a mulher uma dupla extremamente trapaceira e interesseira.
Licurgo
era apresentado como a verdadeira personificação do “jeitinho brasileiro”:
estava sempre tentando levar vantagem, enganar alguém ou encontrar uma maneira
de ganhar dinheiro sem muito esforço. Além de comerciante, dizia ser um grande
cozinheiro, embora suas receitas quase nunca fossem bem recebidas pelos
clientes.
A
parceria com Germana era um dos pontos altos do núcleo cômico da novela. Os
dois viviam envolvidos em armações, mentiras e confusões, inclusive tentando se
aproximar de pessoas importantes e se passando por aquilo que não eram.
O
sucesso da dupla fez com que Guilherme Piva e Vivianne Pasmanter retornassem
aos papéis em Nos Tempos do Imperador.
Dessa vez, cerca de 30 anos se passaram dentro da história, e Licurgo e Germana
aparecem idosos, mas praticamente sem abandonar as velhas manias.
Licurgo
passa a viver na Taberna dos Porcos, junto de Germana e do casal
Quinzinho (Augusto Madeira) e Clemência (Dani Barros). Agora septuagenário, ele
continua sendo aquele sujeito que tenta se dar bem às custas dos outros.
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Mandacaru Xica da Silva abertura
Fonte:
Texto: Evaldiano de
Sousa



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