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Enquete e10blog

Meus Personagens Favoritos do Otávio Muller

O Célio de “Três Graças” na Globo  / Alfredo Costa Pinto de “Dona Beja”  na Band ,   o Dr. Caio de “Anjo Mau” e o Sardinha de  “Vale Tudo”  na Globoplay Novelas



        Otávio Müller é um daqueles atores que parecem transitar sem esforço entre o humor escrachado e o drama mais denso. Com uma carreira que atravessa décadas, ele se consolidou como um dos nomes mais versáteis e respeitados da dramaturgia brasileira.

        Em uma ótima  fase equilibrando projetos de streaming  e na Tv aberta – mostra exatamente essa versatilidade: Um ator de composição histórica e o mestre do "timing" cômico cotidiano.

        O Ator  estava no  ar  na trama de Três Graças, na Globo, como  Célio, personagem que  foi  assassinado  pela Arminda (GrazziMassafera) e na Band vive  o Costa Pinto no remake de Dona Beja.  O Ator ainda  aparece nas reprises  de Anjo  Mau (1997) e Vale Tudo (1988)  na Globoplay Novelas.



        Na TV, ganhou destaque em novelas e séries da  Globo, participando de produções históricas   - como a série de humor  Tapas & Beijos, (2011 – 2015),  onde interpretou o divertido e atrapalhado Fábio, papel que o tornou bastante popular junto ao grande público. Seu talento para a comédia é um dos seus pontos fortes, mas ele também transita bem por papéis dramáticos.

No cinema, esteve em filmes importantes do cenário nacional, muitas vezes compondo personagens secundários que roubam a cena pela naturalidade e timing preciso. Já no teatro, Otávio mantém uma trajetória sólida, sendo reconhecido por sua entrega e pela construção cuidadosa de seus personagens.

Para comemorar esta ótima fase do ator, o e10blog o homenageia relembrando seus melhores personagens  na tv, provando que ele é um ator de composição — daqueles que não dependem de protagonismo para brilhar, mas que deixam sua marca em qualquer cena em que aparecem.

 

Sardinha de Vale Tudo (1988)



        O Sardinha, foi o personagem de estreia do Otávio  Muller na tv. Da novela  Vale Tudo, escrita por Gilberto Braga, que está no  ar em reprise na Globoplay Novelas,  é um daqueles personagens que ajudam a dar cor e dinâmica ao universo da trama.

Sardinha trabalha na revista Tomorrow, um dos núcleos centrais da novela, ligado ao mundo da moda, da publicidade e da alta sociedade carioca. Ele é colega de personagens importantes dentro desse ambiente e atua como uma espécie de observador privilegiado daquele universo — sempre circulando entre intrigas, bastidores e conflitos profissionais.

Com um jeito irônico, discreto e muitas vezes espirituoso, Sardinha não é exatamente o protagonista das grandes reviravoltas, mas cumpre um papel importante como coadjuvante. Teve muito destaque  sua dobradinha com Lídia Brondi, que vivia  a Solange Duprat, sua grande amiga.

A interpretação de Otávio Müller deu ao personagem uma naturalidade muito marcante — sem exageros, mas com uma presença firme, que fez Sardinha ser lembrado com carinho por quem acompanhou a novela.

 

Rogê de O Sexo dos Anjos (1989)



        O personagem Rogê, interpretado por Otávio Müller na novela O Sexo dos Anjos, da Ivani Ribeiro,   é lembrado como uma figura que ajudava a dar leveza e dinamismo à trama.

        No inicio da trama  ele é o namorado da Isabela, personagem da Isabela Garcia, até ela se apaixonar pelo Anjo Gabriel (Felipe Camargo).

        Na interpretação de Otávio Müller, já se percebia um estilo que marcaria sua carreira: naturalidade em cena, timing cômico afiado e uma forma muito própria de construir personagens que parecem espontâneos, quase improvisados.

 

Irineu de Memória de Maria Moura (1994)



        Na minissérie Memorial de Maria Moura, baseada na obra de Rachel de Queiroz, o personagem Irineu, interpretado por Otávio Müller, faz parte do núcleo familiar que representa um dos principais focos de conflito da história.

Irineu é um dos primos da protagonista, Maria Moura (Glória Pires), e integra uma família marcada por ambição, violência e relações opressivas. Ao lado dos irmãos Tonho (Ernani Moraes) e Firma (Zezé Polessa), ele pertence a um grupo descrito como de “mau-caráter”, interessado principalmente em tomar as terras que pertencem a Maria Moura.

Dentro da narrativa, Irineu não é exatamente o líder — esse papel costuma recair mais sobre figuras como Tonho —, mas ele funciona como um cúmplice ativo dessa estrutura familiar cruel, ajudando a sustentar o ambiente hostil em que vivem personagens como Marialva (Cristiana Oliveira), sua própria irmã. Esse núcleo familiar é importante porque representa o patriarcado violento do sertão, contra o qual Maria Moura se insurge ao longo da trama.

A interpretação de Otávio Müller, ainda em início de carreira, contribui para dar ao personagem um tom realista e incômodo, sem caricatura: Irineu é menos explosivo do que outros vilões, mas carrega uma presença constante de ameaça — alguém moldado por aquele meio duro e que ajuda a perpetuá-lo. Mais um vertente  do grande talento  do  Muller.

 

Tinhorão de Engraçadinha  - Seus Amores e Seus Pecados (1995)


        O Tinhorão, personagem vivido por Otávio Müller na minissérie Engraçadinha: Seus Amores e Seus Pecados, do Leopoldo Serran, baseado no romance de Nelson Rodrigues,  aparece na segunda fase da trama, quando a história já acompanha a protagonista em uma etapa mais madura da vida.

        Dentro do universo típico de Nelson Rodrigues — marcado por exageros, ironia e personagens cheios de contradições —, figuras como Tinhorão costumam funcionar como tipos humanos bem delineados, muitas vezes com traços caricatos ou ambíguos. Nesse contexto, o personagem contribui para o tom meio ácido e provocador da narrativa, que mistura moralismo, desejo e hipocrisia social.

Além disso, a presença de Otávio Müller no papel reforça esse tipo de composição: ele tem uma carreira muito associada a personagens com certo humor sutil, estranheza e timing preciso, o que combina bem com o universo rodrigueano.

 

Dr.  Caio de Anjo Mau (1997)


        No remake de Anjo Mau (1997), da Maria Adelaide Amaral, que também está em reprise na Globoplay Novelas,   o personagem Caio, interpretado por Otávio Müller, aparece como o  advogado que defende a Nice (Glória Pires) da acusação da  morte de  Josias (Átila Iório).

        Otávio Müller é conhecido por dar nuances muito próprias a personagens secundários — muitas vezes com um toque irônico ou observador —, o que ajuda a tornar figuras como Caio mais marcantes, mesmo sem grande destaque central.

 

Emiliano de Labirinto (1998)



        O personagem Emiliano, interpretado pelo Otávio Müller na minissérie Labirinto, de Gilberto Braga, é um daqueles tipos que ajudam a dar densidade ao universo psicológico das tramas do autor.

        Emiliano carrega uma naturalidade muito característica do ator: ele não é um personagem expansivo ou exagerado, mas alguém construído em nuances, com gestos contidos e uma presença que muitas vezes revela mais pelo subtexto do que pelas falas diretas.

Casado com a fútil e deslumbrada Yoyô  (Isabela Garcia), que sonha em ser capa de revista, nos proporcionou  cenas antológicas  nessa dobradinha.  Aliás   foi um reencontro dos atores , que já haviam feito  noivos em  O Sexo dos Anjos (1989).

Na carreira de Otávio Müller, esse papel reforça o tipo de personagem ao qual ele se dedica: “o sopro cômico” em tramas sérias. Embora Emiliano não tenha grande profundidade dramática, a encenação de Müller rendeu cenas memoráveis de humor pastelão (como a cena no tapete na boate), alinhando-se a outros trabalhos de destaque do ator na TV.

 

Dino de Andando nas Nuvens (1999)



        Dino  é um personagem coadjuvante da novela Andando nas Nuvens (1999). Na trama, ele é repórter do jornal Correio Carioca de Antônio San Marino  (Cláudio Marzo) e amante de dançar na gafieira. Dino aparece já no início (capítulo 21), quando é apresentado na redação: “Esse aqui é o Dino Israel”. Seu arco principal envolve uma aproximação romântica com a estagiária Zezé (Thalma de Freitas). Otávio Müller, conhecido por papéis de humor, deu ao personagem traços irreverentes e cômicos, realçando seu lado boêmio. A novela  com direção de Dennis Carvalho e texto de Euclydes Marinho, apresentou Otávio Müller imprimindo ao   Dino  uma  interpretação muito própria, baseada em pausas, expressões e um timing cômico refinado — características marcantes da carreira dele.

 

Tadeu de Desejos de Mulher (2002)



        O Tadeu, da novela Desejos de Mulher, de Euclydes Marinho, é um personagem que integra um núcleo secundário, mas com características bem marcantes dentro da trama.

        Um dos aspectos mais interessantes do personagem é sua relação com o saudoso  José Wilker, que vive Ariel. Tadeu e Ariel formam um casal, algo ainda pouco explorado na teledramaturgia da época. Apesar disso, a novela não aprofunda tanto o relacionamento — ele acaba sendo tratado com leveza e até com toques cômicos, inserido em um núcleo mais descontraído.

Mesmo sem grande destaque dramático, Tadeu cumpre um papel importante na diversidade de personagens da trama. Ele representa um tipo urbano, sofisticado e funcional, contribuindo para o mosaico de histórias que giram em torno dos desejos, ambições e relações humanas.

 

Bodanski de Tempos Modernos (2010)



        O Bodanski é um dos personagens mais cômicos e caóticos de Tempos Modernos,  novela do autor Bosco  Brasil  para  o horário da sete da Globo.

Na trama, ele se chama Altemir Assunção da Paz Bodanski e faz parte do núcleo familiar ligado à personagem Goretti  (Regiane Alves). É um sujeito atrapalhado, expansivo e frequentemente colocado em situações domésticas absurdas — o que rende grande parte do humor do personagem.  Charlatão, construiu uma carreira de palestrante de auto-ajuda e fundou o spa Pilhanatural, onde são aplicadas técnicas para o bem-estar do corpo e da alma. Linguarudo e sem o menor compromisso com a ética.

 

Djalma de Tapas e Beijos (2011 / 2015)



        Um dos muitos personagens aclamados  da série Tapas e Beijos, Djalma, vivido pelo Otávio Muller,  se destaca pelo humor meio rabugento e pela relação divertida com a esposa.

        Dono de uma  loja na famosa Rua das Noivas, em Copacabana, principal  locação da série escrita  pelo Cláudio Paiva,  vive reclamando da vida, do casamento e dos clientes — mas sempre de um jeito cômico.

        Ao longo das temporadas, Djalma alterna momentos de felicidade conjugal com crises cômicas e dramáticas. Na 2ª temporada (2012) emerge o passado de Flavinha (Fernanda de Freitas)  como dançarina, abalando o casamento. Na 4ª temporada (2014) ele se ressente ao ver Flavinha dançando em boate e acaba tendo um caso com Lucilene (Natália Lage). Na 5ª (2015) descobre-se que Djalma teve um filho fora do casamento e Flavinha engravida, encerrando finalmente o casal reaproximado.

        A interpretação de Djalma foi elogiada por seu tom genuinamente cômico e simpático. A série Tapas & Beijos foi vista como um sucesso da TV brasileira, sendo inclusive eleita Melhor Série de Humor em premiações de audiência (Prêmio Extra, Contigo!, etc.). Embora não haja prêmios individuais para Müller como Djalma,  assim como  o quarteto de protagonistas  Fernanda Torres / Andrea Beltrão / Vladimir Brichta / Fábio Assumpção -  o personagem foi um dos pilares  da  produção.

O público recebeu Djalma com carinho. O casal Djalma–Flavinha se tornou icônico: o Gshow produziu em 2015 uma retrospectiva dos “momentos fofos” do par romântico, indicando engajamento popular. Nas redes sociais e fóruns de fãs, cenas de Djalma (especialmente as mais engraçadas, como as tatuagens) frequentemente ressurgem em gifs e memes, mostrando que o personagem “pegou” junto ao público. Otávio Müller e outros integrantes do elenco celebraram a repercussão positiva da série, incluindo menções carinhosas de fãs e repercussão nas redes após o fim da exibição original. De modo geral, Djalma permanece lembrado como figura querida do humor televisivo brasileiro graças ao show  que  Muller deu ao texto do Cláudio Paiva. 

 

Baltazar da Rocha da Escolinha do Professor Raimundo (2015 e 2021)



        O personagem Baltazar da Rocha, na nova versão da Escolinha do Professor Raimundo, interpretado por Otávio Müller, é uma releitura de um dos alunos clássicos do humorístico — originalmente vivido por Walter D'Ávila.

Na essência, Baltazar é aquele tipo de personagem que representa o brasileiro comum, um homem simples, meio ingênuo e frequentemente envolvido em situações do cotidiano, especialmente ligadas à vida conjugal — muitas vezes motivo de suas falas e piadas. Ele costuma surgir com problemas pessoais ou histórias domésticas, o que gera identificação e humor na sala de aula.

A atuação de Otávio Müller aposta num humor mais contido, com expressões e timing refinado, o que diferencia o personagem de outros colegas mais caricatos da turma.

Em resumo, Baltazar da Rocha é aquele personagem que faz rir não pelo exagero, mas pela proximidade com a vida real, sendo um retrato cômico do homem comum lidando com seus próprios “perrengues”.


Célio de Três Graças (2025)





        Ele já se despediu da trama de Três Graças do autor Aguinaldo  Silva, porém mais uma vez pontuou uma  participação de luxo.   Célio faz parte do núcleo cômico da trama — mas com pitadas de malandragem e interesse próprio.    Ele é apresentado como marido de Chica (Rejane Faria) e pai de Alaíde (Juliana Alves0, entrando na história como aquele típico “encostado”: um sogro folgado que vai morar com a família da filha enquanto não consegue se estabilizar profissionalmente.

        Apesar de não ser um dos personagens centrais, Célio acaba tendo um destino marcante: ele entra em conflito com a vilã Arminda (GrazziMassafera)  e acaba sendo assassinado, em uma cena forte em que é empurrado da escada.

 

Alfredo Costa Pinto de  DonaBeja (2026)

        O Costa Pinto, personagem vivido pelo   Müller no remake de Dona Beja, é construído dentro daquele perfil típico que o ator domina muito bem: homens aparentemente comuns, mas cheios de nuances, contradições e um certo humor irônico.

Na trama, Costa Pinto costuma transitar pelos bastidores do poder e das relações sociais da cidade, funcionando muitas vezes como alguém oportunista, observador e adaptável às circunstâncias. Ele não é exatamente um vilão clássico, mas também está longe de ser íntegro — prefere se posicionar onde pode tirar algum benefício, o que o torna um personagem ambíguo e interessante.

Otávio Müller imprime ao papel um tom mais sutil, fugindo do exagero. Seu Costa Pinto tende a ser mais contido, com falas que carregam ironia fina e um comportamento que revela muito mais nas entrelinhas do que de forma explícita. Isso faz com que o personagem ganhe uma camada quase cômica em certos momentos, mesmo dentro de um contexto dramático.

A dobradinha de Otávio Müller com  Kelcy Ecard, que faz Augusta, sua esposa   no remake de Dona Beja mostra como dois grandes nomes da comédia também sabem fazer brilhar cada cena.

Como o casal Costa Pinto, eles encarnam a elite conservadora de Araxá — um casamento mais baseado em poder e aparência do que em afeto. Ele, com seu jeito contido e irônico. Ela, firme, impositiva e absolutamente segura de suas convicções.

O resultado? Uma dinâmica cheia de tensão e subtexto, onde muitas vezes um olhar diz mais que qualquer fala.

 

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Texto: Evaldiano de Sousa

 

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